terça-feira, 11 de abril de 2017

Décima edição do “Minas em Diálogo” debate Assédio Moral no Serviço Público


Expositores acreditam que a informação é uma das formas de prevenir a prática do assédio moral no serviço público

Da esquerda para direita: Wadson Ribeiro, Mariah Brochado, Arthur Lobato,
Cibele Lopes e Pepe Chaves - Foto Marco Evangelista/ Ascom SECCRI
A décima edição do ciclo de debates “Minas em Diálogo” discutiu na tarde 
desta quarta-feira, 5 de abril, o tema Assédio Moral no Serviço Público. O 
evento ocorreu no Salão Vermelho da Procuradoria Geral do Estado de 
Minas Gerais, em Belo Horizonte.
Na abertura dos trabalhos, a Secretária de Estado Adjunta de Casa Civil e de 
Relações Institucionais (SECCRI), Mariah Brochado, afirmou que o assédio 
moral é um assunto de grande relevância. “Nós escolhemos um tema caro 
ao direito contemporâneo e à psicologia contemporânea", disse. Mariah 
Brochado lamentou o uso do assédio moral em detrimento da dignidade 
humana. “Pensar que as pessoas se municiam de uma hierarquia tão 
minúscula para poder se apropriar da humanidade do outro é algo muito 
grave e muito penoso”, declarou. A secretária destacou que a questão do 
assédio moral atinge, com mais rigor, o público feminino.“A mulher que está 
no mercado de trabalho sofre, diariamente, por não ter sua competência 
reconhecida e, quando tem, invariavelmente o seu trabalho é 
instrumentalizado sem o devido crédito ao seu talento, às suas competências 
e individualidade”, afirmou.
A mesma visão foi compartilhada pela Defensora Pública atuante na 
Defensoria Especializada de Defesa da Mulher Vítima de Violência, Cibele 
Cristina Maffia Lopes.  A defensora apontou práticas de assédio moral 
direcionadas ao público feminino, influenciadas diretamente por uma 
sociedade patriarcal que insiste em fomentar a desigualdade de gênero 
através de atos degradantes. “Nós mulheres exigimos respeito, porque nosso 
lugar é onde nós queremos estar e ponto”, ressaltou.  Cibele trouxe um 
importante dado sobre a prática do assédio moral. “Estudos apontam que 
36% da população economicamente ativa sofre assédio no trabalho”, afirmou.  
A defensora pública acredita que a prática é alimentada pela competitividade 
e reflete muitas desigualdades sociais. “O assédio moral, apesar de pouco 
discutido, é muito disseminado, porque reproduz um contexto social, 
econômico, organizacional e cultural de desigualdades, relacionadas, 
inclusive, às questões de gênero, raça e orientação sexual”, enfatizou. 
O Desembargador do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais, Pepe 
Chaves, relatou um pouco da sua experiência nos tribunais como jurista do 
trabalho. “Muitos processos que existem na justiça do trabalho atualmente 
tratam, de alguma forma, de dano moral e, muitos desses, sobre assédio 
moral”, afirmou. Chaves ressaltou que debater o assunto é importante para 
derrubar a cultura do autoritarismo e relembrou que até pouco tempo o 
assédio moral não era um assunto tratado na justiça do trabalho, além de 
afirmar que a prática mais abordada nos processos é o assédio moral 
classificado como organizacional. “É aquele assédio usado para aumentar a 
eficiência e a produção do setor”, explicou.
Ciclo de debates apontou os danos causados pela prática.
 Foto Marco Evangelista Ascom/SECCRI
Ouvidoria atuante
A mesa foi presidida pelo Ouvidor-Geral do Estado de Minas Gerais, Wadson 
Ribeiro. O mediador ressaltou o esforço do poder público, por meio da 
Ouvidoria Geral do Estado, em debater, identificar, prevenir e combater a 
prática do assédio moral no serviço público. “No mês de março e ao longo 
da semana de enfrentamento ao assédio, ocorrida em março, duas 
importantes atividades foram realizadas por parte da Ouvidoria Geral do 
Estado (OGE) com esse tema. Uma ocorreu no âmbito da ouvidoria 
especializada do sistema prisional e outra foi um importante seminário 
realizado na ouvidoria especializada da saúde, que revela a importância 
desse tema nos dias atuais”, destacou.
Saúde do trabalhador
O Coordenador da Comissão de Combate ao Assédio Moral do SINJUS e 
do SERJUSMIG, o psicólogo Arthur Lobato, explicou que um dos maiores 
prejuízos para a vida da vítima de assédio moral no trabalho é o adoecimento. 
Segundo o especialista, a principal causa de afastamento de trabalhadores 
do serviço público que foram vítimas da prática é o sofrimento mental e 
emocional.  “O assédio moral é um conjunto de práticas perversas feitas 
com intensão de prejudicar, através de uma forma dúbia e oculta, de forma 
que a vítima não perceba”, explicou.  O psicólogo esclareceu que no serviço 
público a prática chega a ser confundida como um método utilizado na 
melhoria do desempenho. “Na iniciativa pública o assédio moral é usado 
até como método de gestão”, afirmou.
Para o especialista, difundir o conhecimento e estimular o debate acerca do 
tema são medidas fundamentais para que o trabalhador saiba identificar uma 
situação de abuso de autoridade e destacou a importância da iniciativa da 
Casa Civil em discutir o tema. “Considero de grande importância o evento 
Minas em Diálogo e a discussão desse fenômeno que precisa ser enfrentado 
pelas instituições”, ressaltou.
Minas em Diálogo
O projeto Minas em Diálogo é uma realização do Núcleo Multifacetário do 
Estado de Minas (NUMEM) - uma parceria entre o Governo do Estado, por 
intermédio da Secretaria de Estado de Casa Civil e de Relações Institucionais, 
e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). São parceiros também o 
Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Companhia de Desenvolvimento 
de Minas Gerais (CODEMIG). Os debates são realizados uma vez por mês, 
com a participação de especialistas no assunto e a sociedade.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Série Minas em Diálogo debate o “Assédio Moral no Serviço Público”


O psicólogo Arthur Lobato, coordenador da Comissão de Combate ao Assédio Moral do Sinjus e do Serjusmig e do Departamento de Saúde e Combate ao Assédio Moral do Sintraemg, participou da mesa de debates “Assédio Moral no Serviço Público” — que integra a edição de abril da série “Minas em Diálogo”. 

Promovido pelo Núcleo Multifacetário do Estado de Minas (Numem) — uma parceria entre a Secretaria de Estado de Casa Civil e de Relações Institucionais (Seccri) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) — o evento aconteceu no dia 5 de abril, às 14 horas, no Ministério Público em Belo Horizonte.

O ouvidor-geral do Estado, Wadson Ribeiro mediou a mesa de debates, que teve a participação da defensora pública Cibele Cristina Maffia Lopes, da Defensoria Especializada de Defesa da Mulher Vítima de Violência e do desembargador do Tribunal Regional do Trabalho, Pepe Chaves.

De acordo com a Lei Complementar 116, de 11/01/2011 que dispõe sobre a prevenção e a punição do assédio moral na administração pública estadual, é considerado Ela assédio moral a conduta de agente público que tenha por objetivo degradar as condições de trabalho de outro agente, atentar contra seus direitos, dignidade, comprometer sua saúde física ou mental e seu desenvolvimento profissional. 

A semana de conscientização foi inspirada no Projeto de Lei (PL) 1.494/15, de autoria do deputado estadual Rogério Correia (PT), que deu origem à Lei 22.404. A lei institui a realização anual da Semana Estadual de Prevenção à Prática do Assédio Moral na segunda semana de março e determina a realização de atividades que visem a conscientização da população quanto essa prática, entre elas debates e palestras.


O ciclo de debates Minas em Diálogo promove uma reflexão sobre assuntos de interesse social com a participação de especialistas, acadêmicos, membros do poder público e a população em geral. A iniciativa, coordenada pela professora da Faculdade de Direito e secretária adjunta de Estado de Casa Civil e de Relações Institucionais, Mariah Brochado, é resultado de parceria entre o governo de Minas e a UFMG, que emite certificado de participação.


Informações:

Secretaria de Estado de Casa Civil e de Relações Institucionais - SECCRI

Série Minas em Diálogo debate assédio moral no serviço público nesta quarta

segunda-feira, 3 de abril de 2017, às 6h24

A edição de abril da série Minas em Diálogo, que será realizada nesta quarta-feira, 5, a partir das 14h, vai debater o assédio moral no serviço público. O Salão Vermelho do Ministério Público (1º andar do prédio) em Belo Horizonte abrigará o evento, que pretende estimular atitudes responsáveis em favor da prevenção, controle e extinção de tal prática nas relações de trabalho. As inscrições são gratuitas e deverão ser feitas antecipadamente no site da Secretaria de Casa Civil.
De acordo com o artigo 3º da Lei Complementar 116, de 11 de janeiro de 2011, que dispõe sobre o tema na esfera da administração pública estadual, é considerado assédio moral a conduta de agente público que tenha, por objetivo ou efeito, degradar as condições de trabalho de outro agente público, atentar contra seus direitos ou sua dignidade, comprometer sua saúde física ou mental ou seu desenvolvimento profissional.
Ricardo Barbosa / ALMG
cibele%20lopes%20-%20almg.jpgO debate será mediado pelo ouvidor geral do Estado, Wadson Ribeiro. Os expositores são Cibele Lopes [foto ao lado], da Defensoria Especializada de Defesa da Mulher Vítima de Violência, Arthur Lobato, psicólogo e coordenador da Comissão de Combate ao Assédio Moral do Sindicato dos Servidores da Justiça de Primeira Instância do Estado de Minas Gerais, e Pepe Chaves, desembargador do Tribunal Regional do Trabalho MG e professor do Conselho Geral do Poder Judiciário da Espanha.
O projeto
O ciclo de debates Minas em Diálogo promove uma reflexão sobre assuntos de interesse social com a participação de especialistas, acadêmicos, membros do poder público e a população em geral. A iniciativa, coordenada pela professora da Faculdade de Direito e secretária adjunta de Estado de Casa Civil e de Relações Institucionais, Mariah Brochado, é resultado de parceria entre o governo de Minas e a UFMG, que emite certificado de participação.
A sede do Ministério Público de Minas Gerais fica na Avenida Álvares Cabral, 1.690, no bairro Santo Agostinho.

(Com Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado de Casa Civil e de Relações Institucionais)



II Fórum de Combate ao Assédio Moral



O II Fórum de Combate ao Assédio Moral foi realizado na cidade de Fortaleza - Ceará no dia 31 de março e 1º de abril. Participaram 66 servidores representando 26 sindicatos e 2 associações de 21 Estados.

A programação do primeiro dia do Fórum, contou com a palestra do psicólogo Arthur Lobato, que em Minas Gerais assessora os sindicatos Sinjus, Serjusmig, Sintraemg, nas questões de saúde do trabalhador e combate ao assédio moral.

 Lobato ressaltou que o assédio moral é uma das principais causas de absenteísmo no serviço público, é uma violência cometida no ambiente de trabalho que provoca transtornos mentais, transformando sentimentos de ansiedade que, por sua vez, levam à depressão, podendo, inclusive, levar ao suicídio.


Para Lobato, o assédio moral parte invariavelmente de uma relação assimétrica de poder e que o autoritarismo é uma das principais causas de insatisfação no serviço público. O psicólogo falou da necessidade de dar visibilidade ao que não se vê, sugerindo que os sindicatos promovam campanhas de esclarecimentos com distribuição de cartilhas, folhetos e realização de seminários e palestras. “É necessário que as entidades sindicais deixem o tema em evidência, atuando como um escudo protetor”, disse o psicólogo.

  

Por fim, orientou que os sindicatos cobrem das Administrações estudo de clima organizacional e pesquisa sobre o absenteísmo. Com relação ao Judiciário, Lobato sugeriu que as entidades promovam ações junto aos Tribunais para que sejam observadas a Resolução 240 do CNJ (dispõe sobre a Política Nacional de Gestão de Pessoas) e a Resolução 207 do CNJ (institui Política de Atenção Integral à Saúde de Magistrados e Servidores).




 No segundo dia do evento, o servidor da Justiça Federal de Pernambuco, Isaac de Oliveira, Oficial de Justiça, expôs a questão do assédio moral sob a perspectiva dos projetos de lei que estão em tramitação no Congresso Nacional, propostas que visam criminalizar o assédio moral, bem como transforma sua prática em crime de improbidade administrativa.


Isaac falou sobre os projetos em andamento no Congresso: “Há anos tramitam no Parlamento projetos que se esperam a tipificação penal do assédio moral, podemos citar o PL 4742/01, PL 3368/15 e PL 5503/16, existem outros que visam incluir o assédio moral como crime de improbidade administrativa, a exemplos do PL 8178/14, PL 5698/16 e PL 4544/16”.
O palestrante informou que o atual Código Penal Espanhol já tipifica o assédio moral como crime, estando inserido no rol dos delitos de tortura. Acrescentou ainda que a Lei n. 11.948/09 proíbe financiamento do BNDES a empresas condenadas por assédio moral.

“No entanto é preciso pressionar e cobrar a aprovação desses projetos que são uma salvaguarda para prevenir e combater o assédio moral no ambiente laboral, daí a importância de se criar equipes de trabalho dos sindicatos destinadas a acompanhar esses projetos no Congresso Nacional”, concluiu Isaac Oliveira.

 

Maria da Penha fez histórico de sua luta para que seu drama pessoal e familiar fosse símbolo da criação de uma lei que viesse a punir os atos de violência doméstica cometidos contra a mulher. “A maior preocupação de uma mulher que sofre violência doméstica é com os filhos. O sentimento de proteção da maternidade fala mais alto porque a mulher teme deixar seus filhos desamparados, por isso que a Lei n. 11.340/2006 veio também para proteger os filhos”, explicou Maria da Penha. 

Ao reconhecer que foi um instrumento a mais para combater a violência doméstica, Maria da Penha, admitiu, no entanto, que a lei não vem sendo aplicada como deveria por falta de estrutura de atendimento às mulheres, principalmente àquelas residentes nas cidades do interior do país, e, sugeriu a atuação de órgãos como o TRE, que se fazem presentes em todas as cidades do interior.

Maria da Penha ressaltou que a luta contra a violência doméstica passa pelo combate às práticas machistas. Entre os inúmeros interrogatórios para apurar a tentativa de homicídio perpetrada pelo marido, esta foi a pergunta machista que Maria da Penha Maia Fernandes recebeu da então Juíza que a interpelou: mulher, o que você fez para o seu marido te dar um tiro?  



Como meio de divulgar de uma forma descontraída e lúdica o teor da Lei Maria da Penha, durante o seminário ao artista Tião Simpatia apresentou versos de cordel, descrevendo em rima os principais tópicos da legislação protetiva da mulher.


Concluindo a programação do dia 1º/04, no período da tarde, os servidores apresentaram propostas de fortalecimento do Fórum Nacional de Prevenção e Combate ao Assédio Moral no Serviço Público – FONAPRECAM.







Fontes e mais informações:

http://sisejufe.org.brhttp://www.fenajufe.org.br

http://www.sinjufego.org.br/



53 anos do golpe - Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça



Na semana em que o golpe completou 53 anos, o Conselho Regional de Psicologia de São Paulo publica um vídeo  para manter viva a memória de um dos mais tristes e violentos períodos da história do Brasil.

Para que não se esqueça.


Para que nunca mais aconteça.

Conheça o site do CRP SP:
http://www.crpsp.org.br/

IV CONGRESO IBEROAMERICANO SOBRE ACOSO LABORAL E INSTITUCIONAL





































IV CONGRESO IBEROAMERICANO SOBRE ACOSO LABORAL E INSTITUCIONAL 

22 al 25 de Agosto de 2017 Universidad de Caldas - Manizales – Colombia 

Ponencias hasta el día 30 de Junio Evaluación 

comité científico: entre el 21 y el 10 de mayo de 2017



quinta-feira, 6 de abril de 2017

Servidores do Ministério Público participam de 1º Ciclo de Palestras sobre Relações no Trabalho




"Todas as empresas seguem uma hierarquia. Não combatemos isso. Combatemos o autoritarismo, pois os direitos básicos dos cidadãos têm que ser respeitados" Arthur Lobato.





O evento contou com a participação de especialistas em Direito, Medicina do Trabalho, Psicologia e Comunicação


Cerca de 230 servidores do Ministério Público Estadual (MPE) lotaram ontem, 4 de maio, os auditórios da Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) para participar do 1° Ciclo de Palestras sobre Relações no Trabalho. O evento ocorreu durante toda a tarde e contou com a participação de especialistas em Direito, Medicina do Trabalho, Psicologia e Comunicação.

O objetivo das palestras foi criar um espaço de reflexão sobre a importância das relações de trabalho e seus desdobramentos na saúde física e mental, bem como na vida privada do servidor, conforme informou a Assessoria Psicossocial da Superintendência de Recursos Humanos (SRH). O setor foi responsável pela organização e execução do evento.

Na abertura, o diretor-geral da PGJ, Fernando Antônio Faria Abreu, destacou a importância da atitude da Procuradoria-Geral de Justiça ao acolher a proposta feita pela SRH de discutir temas polêmicos, que exigem coragem das instituições para serem debatidos, como a questão do assédio moral. Já a superintendente de Recursos Humanos, Sandra Barbosa de Andrade, compôs a mesa, atuando como mediadora.

A primeira palestra do dia teve início às 13h15 e foi ministrada pela médica do trabalho e atual presidente da Associação Mineira de Medicina do Trabalho, Walnéia Cristina Moreira. O tema abordado foi Doenças Mentais nas Relações de Trabalho. Durante a palestra, a médica falou sobre estresse ocupacional, assédio psicológico e moral, além de outros transtornos mentais relacionados ao trabalho.

O estresse, segundo a médica, é o pior fator de risco psicossocial no trabalho. Ela afirmou que o problema pode causar queda de produtividade, uso de drogas, irritabilidade, falta de concentração e violência no trabalho. "O recurso mais importante de uma organização é o humano. E por isso tem que ser tratado com dignidade", afirmou a médica, complementando que a saúde mental dos trabalhadores também é de responsabilidade das empresas.

A segunda palestra foi proferida pelo psicólogo Arthur Lobato. Ele é coordenador da Comissão de Combate ao Assédio Moral dos sindicatos da Justiça de 1ª e de 2ª instâncias de Minas Gerais. Com o tema Combatendo o Assédio Moral no Serviço Público, o psicólogo conceituou as formas e as características do assédio moral. Ele explicou que a situação pode ocorrer tanto do gestor contra servidores quanto de servidores contra um novo gestor. "Todas as empresas seguem uma hierarquia. Não combatemos isso. Combatemos o autoritarismo, pois os direitos básicos dos cidadãos têm que ser respeitados", disse Lobato.




Segundo o psicólogo, o assédio moral pode ser caracterizado por ações repetidas, como o uso de palavras dúbias, ações discriminatórias, agressões, críticas sistemáticas, ridicularização, entre outras. "O agredido geralmente sofre também com a falta de apoio do grupo, sente que está sendo vigiado e isso gera mais cansaço e nervosismo", destacou Lobato. Ele afirmou também que a instituição é que acaba arcando com esse problema, pois precisa conceder mais licenças, o trabalho fica acumulado, acontecem mudanças de setor, entre outros. Para Lobato, a solução passa pelo diálogo sobre o tema e por medidas de prevenção ao assédio moral. "As empresas precisam abrir o debate para o assunto", disse o psicólogo, complementando que o assédio moral tem conceito de perversão e é um distúrbio que demanda tratamento psiquiátrico.



A terceira palestra foi realizada pelo professor de Direito Leonardo Militão. O assunto tratado foiAssédio Moral no Serviço Público: questões jurídicas. Ele falou sobre a legislação referente ao tema e citou, como exemplo, a Lei 4.898 de 1965, que trata de abuso de autoridade, e a Lei 8.492 de 1992, que fala sobre improbidade administrativa. O palestrante também deu exemplos de assédio moral e falou sobre o Projeto de Lei Complementar (PLC) 54/2009, de autoria do Poder Executivo mineiro, que trata do combate ao assédio moral no âmbito da administração pública de Minas Gerais.

Militão citou alguns casos que se tornaram referência no setor público, destacando a atuação dos promotores de Justiça Umberto de Almeida Bizzo, Galba Cotta de Miranda Chaves e Sérgio de Castro Moreira dos Santos, num caso de assédio moral ocorrido em Ponte Nova. Por meio de ação civil pública, proposta em 2008, os promotores de Justiça conseguiram que a escrivã conhecida como "Cotinha" fosse afastada do cargo e condenada a ressarcir integralmente aos cofres do Estado os valores dos salários pagos a quatro servidores que se afastaram de suas atividades profissionais - somando 369 dias de licença-saúde - por estarem com suas saúdes psíquicas abaladas pelo comportamento ilícito da escrivã. 

A última palestra foi realizada pela fonoaudióloga e mestre em Linguística Vanessa Gonçalves. O tema abordado foi Perfil Comunicativo nas Relações de Trabalho. Durante a palestra, ela deu exemplos de alguns perfis comportamentais e também de como lidar e respeitar as características e diferenças de cada um. Para ela, essa seria uma forma de minimizar conflitos nas empresas.

Encerrou a palestra o procurador-geral de Justiça adjunto administrativo, Evandro Delgado. Ele falou sobre a atuação comprometida que o servidor deve ter com a Instituição e afirmou que "o local de trabalho deve ser visto como um lugar de satisfação pessoal". Para Delgado, o trabalho alienado é marcado por atitudes rudes. "Nós somos servidores públicos e o nosso objetivo é atender e satisfazer o interesse público", destacou Delgado.


Avaliação - No intervalo entre as palestras, alguns servidores comentaram a iniciativa da SRH de realizar o evento:

"A grande participação dos servidores na palestra revela a significativa importância que o tema possui no âmbito das relações de trabalho. O assédio moral, além de influenciar no comportamento profissional dentro do ambiente de trabalho, interfere diretamente na vida pessoal e familiar e também na saúde psíquica e emocional do indivíduo. A importância de se fomentar o debate sobre o tema visa buscar meios de, senão acabar, pelo menos minimizar os conflitos existentes nas relações inter-pessoais".
Arlindo Márcio Lacerda - Fiscal Procon Estadual - Comarca de Contagem

"Achei maravilhosa a iniciativa da Superintendência de Recursos Humanos. Essa oportunidade deve ser estendida a todos os servidores, porque acredito que investindo em treinamento e na conscientização, a Instituição promove ao mesmo tempo a educação profissional e a evolução nos relacionamentos".
Maria de Lourdes Monteiro de Castro - Oficial da Copli - Belo Horizonte
"Para mim, as palestras foram muito esclarecedoras, principalmente a relacionada ao assédio moral: problema que sabemos existir nas instituições, mas que avaliamos com muito mais clareza quando o tema é exposto por profissionais experientes, como os palestrantes de hoje. Acho essa iniciativa exemplar, pois marca para nós, do Ministério Público, o início de uma nova era em termos de debates e de reflexão".
Sílvia Miranda - Diretoria de pagamento
Informações:
Assessoria de Comunicação do Ministério Público de Minas Gerais - Núcleo de Imprensa Tel.: (31) 3330-8016 05-05-2010 (Eventos - 1º ciclo de palestras sobre relações no trabalho) FL/LL



PSICÓLOGO RELACIONA ANSIEDADE, DEPRESSÃO E TRABALHO

ANSIEDADE E DEPRESSÃO: NOVOS NOMES PARA O DESESPERO HUMANO
O filósofo dinamarquês, Soren Kierkegaard (Copenhague 1813 – 1855), escreveu uma das mais brilhantes obras sobre o desespero humano que, resumidamente, pode ser sintetizada nas seguintes frases: desespero ante ser o que não se quer ser, ou o desespero de não conseguir ser o que se quer ser.
Abordando o tema sob o olhar da psicologia, podemos ver nas teses do autor dinamarquês seu correlato com a psicologia na análise da depressão e da ansiedade.
Freud tem um nome para o desespero: pulsão de morte.
A depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, é o grande mal que afetará milhões de pessoas no planeta no século XXI. Geralmente, a depressão está ligada à frustração de não conseguir alcançar seus objetivos, sonhos, ilusões. Precisamos saber lidar com a adversidade e a grande adversária que a vida nos reserva é a morte. Este medo da morte é a raiz da crise existencial, entretanto este medo paralisante é recalcado pela nossa sociedade com o trabalho, o consumo, os passatempos, sublimados pela arte e pela religião, mas continua como um mal-estar permanente.
Vivemos em permanente tensão por exemplo, quando sou obrigado a ser um ator social representando um personagem que é falso, quando agimos no trabalho obedecendo ordens absurdas, dizendo sempre “sim senhor”.  Quando nosso potencial não está sendo bem aproveitado e mesmo assim continuamos trabalhando em um ambiente desmotivador, convivemos com fatores que geram tristeza, desanimo, melancolia, ou seja, o desespero de ser obrigado a ser alguém que não se quer ser, simplesmente para sobreviver. Por mais que pense, esforce ou batalhe, não há nenhuma expectativa de melhora. Por isso, procura-se manter a imagem, a família, o emprego, mesmo não estando satisfeito ou feliz, e aos poucos, o desanimo, a frustração constante pode evoluir para um quadro depressivo. A depressão contém as sementes do desespero de ser o que não se quer ser.
Geralmente, a ansiedade está relacionada ao futuro, às preocupações que podem possuir um fundo de verdade, como a situação política e econômica de um país. Se vai conseguir pagar as contas no fim do mês. O medo do desemprego. A angústia de não dar conta do trabalho cada vez mais exigente, com as empresas e instituições seguindo um modelo obsessivo de metas e produtividade. Situações que geram ansiedade, angústia, ou seja, que levam ao desespero de não conseguir ser o que se quer ser. A depressão seria o sintoma do sujeito que “não suporta ser ele próprio” nas palavras de Kierkegaard, já que, segundo o autor, “delícia é ser o que eu quero ser”, e suplício, “ser o eu que não quero ser”.
No serviço público, especificamente no TJMG, os estudos sobre absenteísmo apontam os transtornos mentais e emocionais como o principal fator de afastamento do trabalho. Qual será a relação destes transtornos com o desespero, já que “não podemos nos libertar de nós mesmos”, mas conviver, sem adoecer com nossas contradições e paradoxos da vida, da sociedade, do mundo do trabalho.
Diferente da doença física que mantém uma relação de causa e efeito entre o sintoma e o órgão adoecido, como por exemplo a cor amarela de alguém com hepatite remete ao fígado como órgão adoecido, quando falamos do estado mental, estamos falando de algo que como as emoções não pode ser medido. O cérebro de um deprimido, de um psicótico, de um gênio, de um criminoso em autópsias, não apresenta diferenças. Somente as doenças cerebrais como tumores, acidente vascular cerebral (AVC), entre outros, são identificados na autópsia.
Por isso, o mental é regido pelas relações sociais, familiares, pela genética, pelo país em que se nasce, com sua cultura, normas, leis e tabus. Nessa interação entre indivíduo, seu semelhante, sua sociedade e sua cultura, surge o sujeito pensante, razão e emoção.
A principal forma de nos relacionarmos é pela linguagem, que além de nos diferenciar de todos os animais, permite que haja comunicação, transmissão e aperfeiçoamento de conhecimento, e o ser humano só existe por causa da linguagem. Entretanto, nossa sociedade tirou este aspecto mágico, quase que divino da linguagem, que é a essência da relação eu-tu. A linguagem é banalizada desde a mais tenra infância como algo que em nós é tão natural como respirar, quando na realidade é um aprendizado, pois é o outro que me ensina a falar, escrever. A escola nos ensina a pensar, calcular, medir, e a vida cria este ser único que sou eu, que é você. Iguais enquanto seres humanos, mas diferentes em nossa autonomia, desejos e pensamentos.
Kierkegaard já dizia “o reconhecimento produz o alívio”, ou seja, diminui a angústia, o sofrimento, o desespero, e devemos “ousar ser um indivíduo, não um qualquer, mas este que somos, isolado na imensidade de seu esforço e da sua responsabilidade”, sendo o ser humano, síntese de antagônicos (finito e infinito, temporal e eterno, liberdade e necessidade). Como dizia Freud, somos definidos enquanto sujeito, pela forma como lidamos com nossas pulsões, tanto as pulsões de vida quanto as mortíferas, e para isto, temos que nos relacionar com o mundo e com nossos semelhantes.
Assim, voltamos ao tema que me proponho a trabalhar, a saúde do trabalhador. O que acontece na relação de trabalho, no relacionamento interpessoal, para que haja tanto transtorno mental? Quando a emoção diz: não suporto mais!!!! Quando a mente esgotada por horas e horas de trabalho, ainda tem de trabalhar mais, como no conto de Fiódor Dostoiévski que escrevi anteriormente. Esta é a reflexão que trago hoje: Como viver e conseguir ser o que se quer ser e conseguir escapar da pulsão de morte, que é o desespero humano?
Não há uma fórmula, cada resposta é individual. Mas, coletivamente, no trabalho, temos que fortalecer nossa entidade sindical, pois, se no caso individual cada caso é um caso, o mal-estar que acontece no trabalho envolve o coletivo de trabalhadores e somente um sindicato forte, com a participação dos servidores será uma perspectiva na luta por direitos, por um ambiente saudável, no trabalho que não gere tanto sofrimento e desespero.
O SINJUS oferece, toda segunda-feira, atendimentos psicológicos individuais — A Clínica do Trabalho. Assim, o SINJUS age de forma coletiva e oferece um espaço clínico para que cada um possa lidar melhor com sua angústia, ansiedade, no trabalho, enfrentando o desespero em encontros terapêuticos que possibilitem convivermos com nossa condição humana. Afinal, já afirmava Kierkegaard: “quanto mais consciência humana, maiseu haverá, quanto mais eu, mais vontade, quanto maior a vontade, maior será a consciência de si próprio”, e, assim, combatemos o desespero moderno cujos sintomas são a ansiedade e a depressão.
Arthur Lobato é psicólogo/ saúde do trabalhador
Atendimento individual para servidores sindicalizados toda segunda-feira.


ARTHUR LOBATO

É psicólogo da área de saúde do trabalhador. Integra a equipe da Comissão de Assédio Moral do SINJUS-MG. Participou de Congressos Internacionais sobre o tema no Brasil, Argentina e México. Sócio colaborador da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).