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segunda-feira, 5 de março de 2018

Políticas de combate ao assédio moral e promoção da igualdade de gênero


SINDALEMG VAI DEBATER AS POLÍTICAS DE COMBATE AO ASSÉDIO MORAL E DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE DE GÊNERO


O psicólogo Arthur Lobato participa de Mesa Redonda oferecida pelo Sindicato dos Servidores da Assembleia Legistativa do Estado de Minas Gerais (SINDALEMG), no dia 9 de março às 13 horas no  Auditório Carlos Drummond de Andrade na ALMG.


Publicado em: https://www.sindalemg.org.br/


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Servidores cobram regulamentação do combate ao assédio moral


Lei que trata da prevenção e punição ao assédio ainda não foi regulamentada na ALMG, no MP e na Defensoria Pública.

Assunto foi debatido, nesta terça-feira (5), em audiência da Comissão Extraordinária das Mulheres
Assunto foi debatido, nesta terça-feira (5), em audiência da Comissão Extraordinária das Mulheres - Foto: Willian Dias
Apesar de Minas Gerais já contar com a Lei Complementar 116, de 2011, que estabelece mecanismos para prevenção e punição do assédio moral na administração pública estadual, a norma ainda não foi regulamentada em diversas instituições. A cobrança por essa regulamentação, assim como por um aperfeiçoamento da legislação que trata tanto do assédio moral quanto do sexual, marcou os pronunciamentos da maioria dos participantes de audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta terça-feira (5/9/17), para discutir o tema.
A reunião foi organizada pela Comissão Extraordinária das Mulheres, presidida pela deputada Marília Campos (PT). Logo no início, a deputada ressaltou que a regulamentação da lei complementar já aconteceu nos Poderes Executivo e Judiciário, mas ainda precisa ocorrer tanto no próprio Legislativo quanto no Ministério Público e na Defensoria Pública.
A deputada Geisa Teixeira (PT), que também participou da reunião, lembrou que o assédio moral, ainda que muito frequente, permanece velado na maioria das vezes, em razão do medo que os assediados têm de retaliações. Ela também ressaltou que os casos geram frequentes danos psicológicos às vítimas, um sofrimento que pode permanecer por longo tempo.
A preocupação da comissão com o assédio moral, segundo a deputada Marília Campos, se explica em função de as mulheres serem as mais vulneráveis a esse tipo de agressão.
Sua fala foi reforçada por dados apresentados por uma das participantes da reunião, a servidora Ana Paola Amorim, membro do Coletivo de Mulheres da ALMG. Segundo Ana Paola, levantamentos realizados nos Estados Unidos mostram que, em 90% dos casos de assédio moral, as agressões partem de homens contra mulheres. “Por isso, o pesquisador Flávio da Costa Higa considera que o assédio moral é uma forma de discriminação de gênero”, afirmou a servidora.
Constatação semelhante veio da defensora pública Cibele Lopes, assessora institucional da Defensoria Pública. Segundo ela, o assédio moral sempre atinge com mais força as pessoas mais vulneráveis. Apesar da falta de regulamentação e das deficiências da legislação, a defensora afirmou que Minas Gerais ainda está à frente nessa questão, uma vez que falta legislação específica em nível federal.
Legislação contra estupro precisa ser aperfeiçoada
Cibele Lopes ressaltou também a necessidade de se aperfeiçoar a legislação não apenas no que se refere ao assédio moral, mas também ao assédio sexual e ao estupro. Ela lembrou caso recente em que um homem ejaculou sobre uma mulher dentro de um ônibus, na cidade de São Paulo. O homem acabou liberado pela Justiça, sob o argumento de que não teria ocorrido violência. “É constrangimento sim, é violência sim, ejacular em uma mulher contra a vontade dela”, indignou-se a defensora.
       Grazielle Mendes Soares (servidora da ALMG), 
       Ana Paola Amorim (servidora da ALMG). Foto: Willian Dias

A regulamentação da Lei Complementar 116 na Assembleia Legislativa foi uma das reivindicações apresentadas pela servidora Grazielle Mendes, uma das representantes dos servidores efetivos na Câmara de Recursos Administrativos de Pessoal da ALMG. Em documento encaminhado à comissão, também se reivindicou, entre outros pontos, a redução da discricionariedade nas regras do Manual do Efetivo, a partir da padronização de normas.
Para Cristina Del Papa, a conscientização é necessária
Para Cristina Del Papa, a conscientização é necessária -Foto: Willian Dias
A coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino (Sindifes), Cristina Del Papa, relatou a experiência da UFMG e outras universidade federais no combate ao assédio moral e sexual.
Ela afirmou que a conscientização ainda é necessária, pois há muita confusão sobre o que é assédio moral, algo que pressupõe a prática reiterada de procedimentos e palavras que submetem o trabalhador a uma situação humilhante.
Segundo Cristina, a experiência da UFMG mostra que o engajamento das direções dos órgãos públicos e instituições na luta contra o assédio é fundamental para inibir agressões por parte das chefias.
Em sua avaliação, a forte hierarquização e a existência de servidores que permanecem por longo tempo em cargos de chefia favorecem abusos no serviço público.
Servidoras dizem que decreto do Executivo apresenta falhas
Apesar de o Executivo já ter regulamentado o combate ao assédio moral, por meio do Decreto 46.060, de 2012, essa norma não escapou de críticas. A secretária-adjunta de Estado de Casa Civil e Relações Institucionais, Mariah Brochado Ferreira, criticou o fato de o decreto exigir a autorização expressa do ofendido para atuação do sindicato nos casos relatados. Ela também considera que as regras não garantem o sigilo dos casos e o anonimato das vítimas.
Outra representante do Executivo foi Letícia Silva Palma, integrante do Coletivo Jacintas, grupo de mulheres criado em 2015, a partir de uma denúncia de estupro. Ela criticou o fato de não haver nenhuma capacitação específica para os servidores que integram as comissões formadas para analisar as denúncias recebidas. Também afirmou que não há um acompanhamento adequado para as servidoras que se queixam de abusos e que a prevenção ainda é muito precária.

Entre os representantes do Ministério Público, a promotora de Justiça Nívea Mônica da Silva ressaltou que cabe a todos cobrar a regulamentação dessa questão dentro de cada instituição. O coordenador-geral do Sindicato dos Servidores do Ministério Público (Sindsemp-MG), Eduardo de Souza Maia, frisou que nada adianta uma normatização perfeita se não houver uma conscientização dos servidores.
A delegada-chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher, Idoso e Pessoas com Deficiências da Polícia Civil, Danúbia Quadros, ressaltou a importância da denúncia, tanto no caso do assédio moral quanto do sexual. “Porque atrás de nós há muitos outros casos, que podemos prevenir e evitar”, afirmou. Ela disse acreditar que, em breve, pode ser criada uma delegacia especializada para atender a população LGBT.
Requerimentos – Ao final da reunião, foi aprovado o envio de ofícios a diversas instituições do Estado, questionando se elas vêm observando o disposto na Lei Complementar 116. Receberão a correspondência o Ministério Público, a Defensoria Pública, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), a Copasa e a Cemig.
Foram aprovados, ainda, seis requerimentos de autoria da deputada Marília Campos para realização de audiências de convidados. As reuniões são para discutir eleições e participação política das mulheres; tráfico de pessoas, em especial de mulheres e bebês; violência contra mulheres LGBT; orçamento destinado a políticas públicas para as mulheres; situação de mulheres privadas de liberdade; e investimentos na estrutura dos conselhos tutelares.

Audiência aborda assédio em instituições públicas



Reunião será nesta terça (5), às 14h30, no Plenarinho IV, e deve contar com presença de autoridades e servidores.

Debater os assédio moral e sexual nas instituições públicas do Estado. Esse é o objetivo de audiência pública que será realizada, nesta terça-feira (5/9/17), pela Comissão Extraordinária das Mulheres da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A reunião será às 14h30, no Plenarinho IV.
A audiência foi solicitada pela presidente da comissão, deputada Marília Campos (PT), para quem os assédio moral e sexual são empecilhos para a participação das mulheres no mercado de trabalho.
“Além do abalo psicológico, essa situação lamentável pode provocar até mesmo a saída das assediadas do emprego. Com isso, são empurradas para a informalidade. Resultado: trabalham muito mais e a remuneração diminui. E, no contexto atual de perda de direitos e garantias trabalhistas, essa discussão se torna ainda mais urgente", ressalta.
Para a reunião, foram convidadas autoridades do Poder Executivo, Defensoria Pública e Polícia Civil, além de representantes de servidores públicos.
Segundo cartilha, assédio tem contornos especiais no serviço público
De acordo com cartilha do Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério Público da União, o serviço público tem um dos ambientes de trabalho onde o assédio se apresenta de forma mais marcante.
Uma das justificativas apresentadas pelo documento diz respeito ao vínculo funcional estatutário e à estabilidade do servidor. “Não podendo demiti-lo, ele passa a ser humilhado e sobrecarregado de tarefas inócuas”, enfatiza.
A cartilha conceitua o assédio moral como a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, geralmente repetitivas e prolongadas, durante o horário de trabalho e no exercício de suas funções.
Além disso, levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em diversos países desenvolvidos destaca a violência moral no trabalho como um fenômeno internacional.
A pesquisa também aponta para distúrbios da saúde mental relacionados às condições de trabalho em países como Finlândia, Alemanha, Reino Unido, Polônia e Estados Unidos.
“As perspectivas são sombrias para as duas próximas décadas, pois, segundo a OIT e a Organização Mundial da Saúde, serão décadas do ‘mal estar na globalização’, onde predominarão depressões, angústias e outros danos psíquicos relacionados com as novas políticas de gestão na organização de trabalho”, ressalta o documento.
Cartilha do Senado – Segundo cartilha do Senado sobre o assédio, as mulheres são as principais atingidas com essa forma de violência no ambiente de trabalho.
Em relação ao assédio moral, a cartilha resgata pesquisa realizada pela médica e pesquisadora da PUC-SP, Margarida Barreto, que mostrou que 65% das mulheres entrevistadas relataram atos repetidos de violência psicológica, contra 29% dos homens.
Essa cartilha também conceitua o assédio sexual como constranger alguém, mediante palavras, gestos ou atos, com o fim de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o assediador da sua condição de superior hierárquico ou da ascendência inerente ao exercício de cargo, emprego ou função.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Assédio moral no Judiciário será tema de audiência pública










Comissão de Direitos Humanos quer debater a saúde física e psíquica dos servidores da Justiça. O assédio moral, contextualizado na ausência de trabalho decente, afetando de forma direta a saúde física e mental e o bem-estar dos trabalhadores do Poder Judiciário do Estado. Esse é o tema da audiência pública que a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) pretende realizar. Na reunião desta terça-feira (7/4/15), foi aprovado requerimento sobre o tema, de autoria do deputado Rogério Correia (PT).

Na justificativa do requerimento, o parlamentar explica que há várias situações de ambiente de trabalho inadequado, ocasionando doenças físicas e psíquicas. Essa situação, segundo o parlamentar, deriva da ausência de planejamento estratégico e do sucateamento da Justiça de primeira instância. Ele defende a “a urgência de implantação de um sistema de planejamento preventivo no Judiciário”. Para o deputado, isso só será obtido com a mobilização em defesa do direito ao ambiente sustentável de trabalho, como forma de prevenção das doenças ocupacionais.

Fonte: ALMG




Sindicatos de Servidores do Judiciário redigem Carta a presidentes de Tribunais



Os presidentes e coordenadores de Sindicatos dos Trabalhadores do Judiciário Estadual tornam pública a Carta de Belo Horizonte – documento com as principais reinvindicações dos Sindicatos frente aos Tribunais de Justiça de todo o País.  
Formalizada durante o 1º Encontro de Presidentes/Coordenadores dos Sindicatos dos Servidores do Judiciário Estadual, realizado entre os dias 12 e 13 de março (data em que o Colégio de Presidentes dos Tribunais de Justiça realizou seu 102º encontro), a Carta foi protocolada na Presidência do TJMG, na última sexta (20/3). 
Ao todo, foram destacados 11 tópicos que sintetizam as conclusões aprovadas por unanimidade entre os líderes sindicais. Pautas que interessam tanto os servidores quanto a própria população e que, em sua maioria, desconhece as contravenções e pontos negativos do Judiciário. O documento foi assinado por 27 representantes dos diferentes Sindicados filiados à Federação Nacional dos Servidores do Judiciário nos Estados (FENAJUD). 
Entre os pontos reivindicados estão: fim da política de privilégios; instituição de Mesa de Negociação Permanente; participação dos servidores nas eleições para presidentes dos tribunais; reajustes que garantam reposição real do poder de compra dos salários; participação dos sindicatos na elaboração e execução dos orçamentos e planejamento estratégico; combate ao assédio moral; fim das perseguições e medidas antissindicais.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Direitos Humanos da ALMG irá à Procuradoria da República

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) irá entregar à Procuradoria Geral da República, em Brasília, as notas taquigráficas da audiência pública realizada na noite desta quarta-feira (27/2/13), que teve como objetivo debater as denúncias de assédio moral e de violação do direito de greve cometidos por dirigentes da Polícia Federal (PF), em suposta retaliação ao movimento grevista dos policiais federais em 2012.
O presidente da comissão, deputado Durval Ângelo (PT), informou que essas notas taquigráficas serão encaminhadas à Comissão Nacional da Verdade. O parlamentar considera importante que esta comissão realize audiência pública em Minas Gerais para discutir o assédio moral na PF e, a partir disso, incluir em seu relatório final sugestões de mudanças na corporação.
Também foi aprovado por todos os membros da comissão requerimento para que as notas taquigráficas sejam enviadas à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, com a intenção de provocar um pedido de reunião com o superintendente da Polícia Federal de Minas Gerais, Sérgio Barbosa Menezes, com o ouvidor-nacional da Polícia Federal e com o ouvidor-nacional de Direitos Humanos.
Deputados prometem empenho na apuração dos casos
 
Sargento Rodrigues é o autor de lei que tipificou o assédio moral na administração pública estadual - Foto: 
Willian Dias
Segundo o deputado Sargento Rodrigues (PDT), o Poder Judiciário considerou legal a 
greve nacional dos policiais federais realizada no final do ano passado. “Nós não vamos nos calar. Temos que mostrar que o tratamento humilhante e degradante que os policiais grevistas têm recebido é assédio moral. A Assembleia não vai ficar parada e levará essas denúncias ao Governo Federal, à Defensoria Pública da União e ao Ministério Público Federal”. Ele lembrou também que é o autor da Lei Complementar 116, de 2011, que tipificou o assédio moral na administração pública estadual. “O administrador público tem que lembrar que policiais também têm os direitos violados. Na Policia Militar, nós sofríamos atrocidades e, mesmo sendo uma instituição de hierarquia rígida como a PM, nós vencemos e conseguimos, com o apoio da Assembleia, fazer as coisas avançarem”.
O deputado Durval Ângelo (PT) lembrou que o fim da greve foi acompanhado da assinatura de um acordo em Brasília estabelecendo a não repressão contra os participantes do movimento e a continuidade da negociação com o Governo Federal. “Pode ter certeza que vou levar essa questão ao ministro da Justiça. Essa proibição do superintendente, que determinou que o ponto dos policiais federais que viessem à reunião hoje às 9 horas seria cortado, foi quase uma comprovação do assédio moral. Por isso mudamos o horário da reunião e ela está acontecendo à noite. Não é assim que se constroem um Estado democrático de direito e a cidadania”.
O presidente do Sindicato dos Policiais Federais (Sinpef-MG), Rodrigo dos Santos Marques Porto, relatou as dificuldades de negociação com o superintendente da PF de Minas Gerais, que o levaram a procurar a Comissão de Direitos Humanos da ALMG, para que interceda em favor dos colegas que se dizem vítimas de assédio moral. “No dia em que a greve acabou, recebi uma ligação do meu chefe, dizendo que em razão das minhas posições eu estava fora do Núcleo de Inteligência e deveria me apresentar após o fim de semana para saber onde eu trabalharia dali em diante”. Segundo ele, o objetivo da greve era apenas negociar o funcionamento e a defasada estrutura hierárquica da PF, não estando envolvidas as questões salariais. 
O diretor de Relações Sindicais do Sinpef-MG, Luís Antônio de Araújo Boudens, declarou que vários relatórios sobre a questão salarial já foram elaborados e entregues, mas sempre a questão da hierarquia interfere na possibilidade de reajustes. Quanto a levar a questão do assédio moral na PF mineira ao ministro da Justiça, o diretor disse que os deputados “deveriam se preparar”, pois o ministro declarará que os policiais assediados são “radicais” e estariam tentando fazer uma “Inconfidência Mineira policial”. “Digo isso por experiências anteriores”, afirmou. 
O psicólogo Arthur Lobato Magalhães Filho, que elaborou um relatório mostrando os efeitos do assédio moral na saúde do trabalhadores da Polícia Federal mineira, disse que as consequências da retaliação que eles estariam sofrendo podem ser muito graves. “Essa violência que vocês sofrem pode se transformar na violência involuntária contra um familiar próximo, no círculo de pessoas próximas a vocês e até mesmo indevidamente em alguma operação policial. Eles estão isolando vocês com essas transferências, com essas tarefas designadas que são aquém das suas capacidades”.  
A promotora Nívia Mônica da Silva demonstrou preocupação com a saúde dos policiais vítimas de assédio moral. “Como podemos cobrar que os policiais não violem os direitos humanos se eles são vítimas de assédio moral? Não podemos pôr a perder esse capital humano que é referencia para nós, a Polícia Federal. O poder de polícia exige muito do policial. O nível de suicídio não é baixo. E também acontecem muitos atentados dentro da própria família. O estresse da atividade somado ao assédio pode ser muito perigoso. O profissional que cuida da nossa segurança tem que ser bem cuidado”. Ela destacou que o Ministério Público Federal está apurando as denúncias feitas e que ela levará os casos relatados na audiência pública ao procurador da República responsável.
O presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sindpol/MG), Denilson Martins, destacou que a falta de embasamento na lei abre margem a uma série de abusos por parte dos detentores das patentes mais altas. "O delegado se sente dono do órgão público e de sua estrutura. Isso se deve à ausência de marco regulatório. As atribuições de um cargo têm de estar definidas por lei, não por portaria. O povo brasileiro não pode mais suportar essa falta de embasamento jurídico”. 
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), William dos Santos, declarou seu apoio aos policiais federais mineiros e prometeu levar a questão do assédio moral à comissão de Direitos Humanos da OAB nacional, em Brasília. “Muito nos assusta que isso aconteça dentro da Polícia Federal. Queremos divulgar isso no País, é bom que a população saiba e se solidarize com vocês. É uma garantia constitucional, vocês têm direito a condições dignas de trabalho”.
Policiais denunciam assédio moral
 
Na audiência pública, agentes da Polícia Federal demonstraram estarem frustrados com a instituição -Foto: Willian Dias
O agente da Polícia Federal Wladimir de Paula Brito demonstrou sua frustração com a corporação, da qual quis fazer parte quando a ditadura militar  terminou, mas não teve o apoio de sua família, que havia associado a instituição à repressão política. Segundo ele, apesar de a ditadura ter terminado, não mudou muita coisa. “Como a polícia é uma caixa preta intransponível, a essência permanece a mesma. O modelo não foi modificado. Quem era de esquerda e viveu a ditadura tomou horror por essa instituição. Não há especialistas que trabalhem para reformular esse modelo. O ministro da Justiça é refém de um modelo no qual ele não tem acesso ao que acontece na instituição. Por que a greve foi tão polêmica? Porque pediu a revisão da estrutura hierárquica”.
O agente da Polícia Federal Ricardo Lessa Alves disse que está sendo processado indevidamente por ter se recusado a elaborar ofício quando ainda trabalhava na área de Inteligência da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio. Segundo ele, esse ofício deveria ter sido confeccionado pelo delegado responsável, conforme previsto em lei. Ele acredita que esse processo pode prejudicá-lo em sua promoção de carreira, que deve acontecer daqui a apenas sete meses. “Cheguei a fazer uma consulta formal à Corregedoria. Mas fui expulso, passei a entregar intimações em outra delegacia e estou sendo processado criminalmente”.
Requerimentos - Durante a audiência pública, também foram aprovados três requerimentos. O primeiro deles é para a realização de audiência pública sobre a PEC 37/11, que está em tramitação na Câmara dos Deputados e pretende retirar poderes investigatórios do Ministério Público e estabelecer a exclusividade da investigação para a Polícia Civil e Federal. Outro requerimento é para uma audiência pública, para investigar excesso de poder e violação de direitos humanos por parte do comandante da 7ª Companhia da Polícia Militar Independente de Igarapé; e o terceiro é de uma audiência pública para discutir a ilegalidade de memorando vigente na 13ª Região de Polícia Militar de Barbacena, que determina que os policiais da região que estejam em licença médica avisem onde vão cumpri-la e estabelece visitas diárias a esses policiais, para verificar o cumprimento da licença.
Fonte: Assembleia de Minas

quarta-feira, 6 de março de 2013

Direitos Humanos da ALMG irá à Procuradoria da República

Comissão levará supostos casos de assédio moral também à Comissão Nacional da Verdade e à Câmara dos Deputados.

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) irá entregar à Procuradoria Geral da República, em Brasília, as notas taquigráficas da audiência pública realizada na noite desta quarta-feira (27/2/13), que teve como objetivo debater as denúncias de assédio moral e de violação do direito de greve cometidos por dirigentes da Polícia Federal (PF), em suposta retaliação ao movimento grevista dos policiais federais em 2012.
O presidente da comissão, deputado Durval Ângelo (PT), informou que essas notas taquigráficas serão encaminhadas à Comissão Nacional da Verdade. O parlamentar considera importante que esta comissão realize audiência pública em Minas Gerais para discutir o assédio moral na PF e, a partir disso, incluir em seu relatório final sugestões de mudanças na corporação.
Também foi aprovado por todos os membros da comissão requerimento para que as notas taquigráficas sejam enviadas à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, com a intenção de provocar um pedido de reunião com o superintendente da Polícia Federal de Minas Gerais, Sérgio Barbosa Menezes, com o ouvidor-nacional da Polícia Federal e com o ouvidor-nacional de Direitos Humanos.

Deputados prometem empenho na apuração dos casos

Sargento Rodrigues é o autor de lei que tipificou o assédio moral na administração pública estadual - Foto: Willian Dias
Segundo o deputado Sargento Rodrigues (PDT), o Poder Judiciário considerou legal a greve nacional dos policiais federais realizada no final do ano passado. “Nós não vamos nos calar. Temos que mostrar que o tratamento humilhante e degradante que os policiais grevistas têm recebido é assédio moral. A Assembleia não vai ficar parada e levará essas denúncias ao Governo Federal, à Defensoria Pública da União e ao Ministério Público Federal”. Ele lembrou também que é o autor da Lei Complementar 116, de 2011, que tipificou o assédio moral na administração pública estadual. “O administrador público tem que lembrar que policiais também têm os direitos violados. Na Policia Militar, nós sofríamos atrocidades e, mesmo sendo uma instituição de hierarquia rígida como a PM, nós vencemos e conseguimos, com o apoio da Assembleia, fazer as coisas avançarem”.
O deputado Durval Ângelo (PT) lembrou que o fim da greve foi acompanhado da assinatura de um acordo em Brasília estabelecendo a não repressão contra os participantes do movimento e a continuidade da negociação com o Governo Federal. “Pode ter certeza que vou levar essa questão ao ministro da Justiça. Essa proibição do superintendente, que determinou que o ponto dos policiais federais que viessem à reunião hoje às 9 horas seria cortado, foi quase uma comprovação do assédio moral. Por isso mudamos o horário da reunião e ela está acontecendo à noite. Não é assim que se constroem um Estado democrático de direito e a cidadania”.
O presidente do Sindicato dos Policiais Federais (Sinpef-MG), Rodrigo dos Santos Marques Porto, relatou as dificuldades de negociação com o superintendente da PF de Minas Gerais, que o levaram a procurar a Comissão de Direitos Humanos da ALMG, para que interceda em favor dos colegas que se dizem vítimas de assédio moral. “No dia em que a greve acabou, recebi uma ligação do meu chefe, dizendo que em razão das minhas posições eu estava fora do Núcleo de Inteligência e deveria me apresentar após o fim de semana para saber onde eu trabalharia dali em diante”. Segundo ele, o objetivo da greve era apenas negociar o funcionamento e a defasada estrutura hierárquica da PF, não estando envolvidas as questões salariais.
O diretor de Relações Sindicais do Sinpef-MG, Luís Antônio de Araújo Boudens, declarou que vários relatórios sobre a questão salarial já foram elaborados e entregues, mas sempre a questão da hierarquia interfere na possibilidade de reajustes. Quanto a levar a questão do assédio moral na PF mineira ao ministro da Justiça, o diretor disse que os deputados “deveriam se preparar”, pois o ministro declarará que os policiais assediados são “radicais” e estariam tentando fazer uma “Inconfidência Mineira policial”. “Digo isso por experiências anteriores”, afirmou.

Assédio moral prejudica saúde dos policiais



Policiais federais reclamam de assédio moral
O psicólogo Arthur Lobato Magalhães Filho, que elaborou um relatório mostrando os efeitos do assédio moral na saúde do trabalhadores da Polícia Federal mineira, disse que as consequências da retaliação que eles estariam sofrendo podem ser muito graves. “Essa violência que vocês sofrem pode se transformar na violência involuntária contra um familiar próximo, no círculo de pessoas próximas a vocês e até mesmo indevidamente em alguma operação policial. Eles estão isolando vocês com essas transferências, com essas tarefas designadas que são aquém das suas capacidades”.
A promotora Nívia Mônica da Silva demonstrou preocupação com a saúde dos policiais vítimas de assédio moral. “Como podemos cobrar que os policiais não violem os direitos humanos se eles são vítimas de assédio moral? Não podemos pôr a perder esse capital humano que é referencia para nós, a Polícia Federal. O poder de polícia exige muito do policial. O nível de suicídio não é baixo. E também acontecem muitos atentados dentro da própria família. O estresse da atividade somado ao assédio pode ser muito perigoso. O profissional que cuida da nossa segurança tem que ser bem cuidado”. Ela destacou que o Ministério Público Federal está apurando as denúncias feitas e que ela levará os casos relatados na audiência pública ao procurador da República responsável.
O presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sindpol/MG), Denilson Martins, destacou que a falta de embasamento na lei abre margem a uma série de abusos por parte dos detentores das patentes mais altas. "O delegado se sente dono do órgão público e de sua estrutura. Isso se deve à ausência de marco regulatório. As atribuições de um cargo têm de estar definidas por lei, não por portaria. O povo brasileiro não pode mais suportar essa falta de embasamento jurídico”.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), William dos Santos, declarou seu apoio aos policiais federais mineiros e prometeu levar a questão do assédio moral à comissão de Direitos Humanos da OAB nacional, em Brasília. “Muito nos assusta que isso aconteça dentro da Polícia Federal. Queremos divulgar isso no País, é bom que a população saiba e se solidarize com vocês. É uma garantia constitucional, vocês têm direito a condições dignas de trabalho”.

Policiais denunciam assédio moral


Na audiência pública, agentes da Polícia Federal demonstraram estarem frustrados com a instituição - Foto: Willian Dias
O agente da Polícia Federal Wladimir de Paula Brito demonstrou sua frustração com a corporação, da qual quis fazer parte quando a ditadura militar  terminou, mas não teve o apoio de sua família, que havia associado a instituição à repressão política. Segundo ele, apesar de a ditadura ter terminado, não mudou muita coisa. “Como a polícia é uma caixa preta intransponível, a essência permanece a mesma. O modelo não foi modificado. Quem era de esquerda e viveu a ditadura tomou horror por essa instituição. Não há especialistas que trabalhem para reformular esse modelo. O ministro da Justiça é refém de um modelo no qual ele não tem acesso ao que acontece na instituição. Por que a greve foi tão polêmica? Porque pediu a revisão da estrutura hierárquica”.
O agente da Polícia Federal Ricardo Lessa Alves disse que está sendo processado indevidamente por ter se recusado a elaborar ofício quando ainda trabalhava na área de Inteligência da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio. Segundo ele, esse ofício deveria ter sido confeccionado pelo delegado responsável, conforme previsto em lei. Ele acredita que esse processo pode prejudicá-lo em sua promoção de carreira, que deve acontecer daqui a apenas sete meses. “Cheguei a fazer uma consulta formal à Corregedoria. Mas fui expulso, passei a entregar intimações em outra delegacia e estou sendo processado criminalmente”.

Requerimentos - Durante a audiência pública, também foram aprovados três requerimentos. O primeiro deles é para a realização de audiência pública sobre a PEC 37/11, que está em tramitação na Câmara dos Deputados e pretende retirar poderes investigatórios do Ministério Público e estabelecer a exclusividade da investigação para a Polícia Civil e Federal. Outro requerimento é para uma audiência pública, para investigar excesso de poder e violação de direitos humanos por parte do comandante da 7ª Companhia da Polícia Militar Independente de Igarapé; e o terceiro é de uma audiência pública para discutir a ilegalidade de memorando vigente na 13ª Região de Polícia Militar de Barbacena, que determina que os policiais da região que estejam em licença médica avisem onde vão cumpri-la e estabelece visitas diárias a esses policiais, para verificar o cumprimento da licença.

 Publicado em:
http://www.almg.gov..br

domingo, 28 de junho de 2009

Audiêndia Pública - Assédio Moral



Chegou a hora de falarmos deste crime...

Composição da mesa:


Deputado Estadual Durval Ângelo - Presidente da Comissão de Direitos Humanos da ALMG

Vereadora Maria Lúcia Scarpelli

Arthur Lotado - Sindicato dos Jornalistas

Célia De Lelis - Presidente do SINDIBEL

Wanderson Rocha - Sind Rede BH

Sônia Peres - SITRAEMG

Rosangela Morais Antunes - escritora - autora do livro " Eu... Vítima de Assédio Moral

E OUTROS

sábado, 27 de junho de 2009

Servidores públicos pedem lei específica para coibir assédio moral


Servidores públicos que participaram da audiência da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais nesta quarta-feira (24/6/09) apresentaram várias propostas para combater o assédio moral na administração pública. Entre elas, a criação de uma legislação específica, um seminário para discutir o assunto e a criação de comissões paritárias no âmbito dos Poderes do Estado. A proposta de legislação deveria prever a retirada do assediador do ambiente de trabalho e seu encaminhamento para tratamento psicológico, indenizações para as vítimas e punições claras, entre outras regras.

Esses foram alguns resultados da audiência promovida pela comissão, a requerimento do deputado Durval Ângelo (PT), presidente. Ele se comprometeu a realizar novo debate assim que a Assembleia receber projeto do governador tratando do assédio moral na administração pública. "A comissão será um canal oficial para aprimorar a proposta", assegurou. Tramitou na ALMG recentemente o Projeto de Lei (PL) 2.130/08, do deputado Sargento Rodrigues (PDT), que vedava o assédio moral e que acabou sendo retirado pelo autor. De acordo com Durval Ângelo, teria havido um acordo entre parlamentares, entidades sindicais e governador, para envio de novo projeto ao Legislativo, desta vez de origem governamental.

O ouvidor da Guarda Municipal de Belo Horizonte, William Santos, defendeu a aprovação de uma lei estadual sobre o tema, mas ponderou que ela só poderia tratar de aspectos administrativos e sua abrangência seria a administração pública. Por isso, defendeu que também seja feita pressão política para formulação de lei federal sobre o assédio moral - que poderia tratar tanto de matéria penal quanto de constrangimentos no setor privado. "Será preciso coibir a banalização das penas", enfatizou, referindo-se à prestação de serviços à comunidade e à distribuição de cestas básicas.

Ineditismo - O deputado Durval Ângelo informou aos convidados que apresentará requerimento visando à remessa da legislação de Contagem (Região Metropolitana de Belo Horizonte) para as câmaras municipais. Contagem é a primeira cidade do Estado que tem uma lei sobre assédio moral.

Vítima que lançou livro apresenta várias propostas

A ex-servidora Rosângela Morais Antunes, autora do livro "Eu, vítima de assédio moral", apresentou várias sugestões à Comissão de Direitos Humanos. Ela cobrou com urgência a criação de lei específica sobre o assunto, mas que não se restrinja a tipificar esse tipo de conduta. "O assédio moral mata, deixando vivo um corpo sem vida. Não queremos que nos escutem chorar e que digam: já passou", testemunhou ela, lembrando que a vítima de humilhação e de perseguições no seu ambiente de trabalho muitas vezes não tem o sofrimento visto pelos outros. "O assédio anula o psíquico. Não há exame físico que comprove o dano", ensinou ela, que ouviu essa cobrança por exames de um perito do INSS que lhe negou benefício.

Para ela, uma proposta de regulamentação precisa avançar com a abordagem dos seguintes aspectos: punição clara para o assediador e para colegas que participam do assédio; afastamento do assediador do ambiente de trabalho, que deverá ser encaminhado a tratamento psicológico; parâmetros para indenizações; definição de como apresentar provas (documentos ou gravações). Isto porque, segundo Rosângela, contar com testemunhas é quase impossível. "No meu local de trabalho, a colega que me dizia como minha situação era humilhante é a mesma que hoje ocupa meu cargo. E eu não a culpo, pois ela precisa", disse. Rosângela trabalhava na secretaria de educação de um município que não revela. Ela foi exonerada quando estava recebendo auxílio-doença.

Tipificação - O deputado Durval Ângelo defendeu que a legislação defina bem a prática do assédio moral, sem ampliar demais o conceito, até mesmo para garantir vitórias na Justiça, em caso de ações. Para ele, o problema do assédio moral tem crescido muito na esfera pública por causa da natureza da ocupação dos cargos. "A pessoa que ocupa um cargo de confiança é, na verdade, de confiança do chefe, que por sua vez é subordinado ao prefeito, ao governador ou ao presidente."

Problema cresce na esfera pública, que vive a institucionalização do assédio moral
Representantes de servidores da Prefeitura de Belo Horizonte e do Judiciário relataram suas experiências de assédio moral. O secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel), Israel Arimar de Moura, sugeriu a existência de um novo tipo de assédio moral: o institucional, além do assédio de chefe contra subordinado, de subordinados contra o chefe e entre colegas de trabalho. "A instituição passa a ser cúmplice do assédio e a referendá-lo", avaliou, trazendo o caso de parecer de Corregedoria da PBH que sugeria advertência a testemunhas de defesa de um servidor, com a insinuação de que elas estariam praticando, na verdade, perjúrio.

O diretor administrativo e financeiro do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH), Wanderson Paiva Rocha, citou o caso de funcionários terceirizados que aderiram à greve realizada em 15 de abril. Segundo ele, em represália, a Secretaria Municipal de Educação teria ordenado aos diretores de escolas que fizessem advertência a esses terceirizados. "Foi tudo verbal; não houve documento por escrito com essa ordem", relatou, enfatizando que a Corregedoria da PBH seria política e não administrativa.

De Wanderson Rocha partiu a sugestão de um seminário, bem como a cobrança para que a Câmara Municipal de Belo Horizonte aprove projeto sobre assédio moral. Segundo ele, projeto aprovado antes foi vetado pela prefeitura e o veto, mantido. Também presente à reunião, a presidente da Comissão de Defesa do Consumidor e de Direitos Humanos da Câmara, vereadora Maria Lúcia Scarpelli, declarou seu apoio às propostas de prevenção e combate ao assédio.

Servidores do Judiciário relatam sua experiência

A presidente do Sindicato dos Servidores da Justiça de 1ª instância (Serjusmig), Sandra Silvestrini, avaliou que a institucionalização do assédio moral é uma grave questão no Judiciário. "Exige-se do servidor que ele saiba com quem está falando", ilustrou, fazendo alusão à famosa frase "Você sabe com quem está falando?", comum na sociedade brasileira e muito usada como artifício para fugir de responsabilidades civis e penais. Sandra Silvestrini denunciou que, entre os instrumentos de assédio, estão a avaliação de desempenho (cujo resultado insatisfatório prejudica a carreira) e o processo administrativo (que muitas vezes desconsidera, na hora de decidir sobre o caso do servidor, toda a apuração feita).

O coordenador-geral do Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª instância (Sinjus), Roberto Wagner França, falou sobre a experiência do plantão de atendimento, formado por advogado, psicólogo e sindicato, que busca orientar os servidores. "É preciso difundir informação e mudar o pacto do medo pelo pacto da solidariedade", defendeu. Assim como outros convidados, o Sinjus lembrou que a questão do assédio moral tem implicações não somente para o assediado, mas também econômicas, com prejuízos para a sociedade, que paga o salário do servidor público.

Procurar ajuda - O vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SPJMG), Arthur Lobato Magalhães Filho, que também é psicólogo, enfatizou a importância de procurar ajuda. Ele orientou ao servidor que se sentir assediado moralmente que procure os colegas e também a entidade que o representa. "O assédio moral é um processo. As perseguições, humilhações e desqualificações acabam fazendo com que a vítima entre em conflito consigo mesma, julgando-se culpada, e aí acaba adoecendo", esclareceu.

O deputado Durval Ângelo disse que apresentará requerimento à Mesa para que seja criada uma comissão sobre assédio moral na ALMG, com participação paritária. "A Assembleia deve dar o exemplo", enfatizou ele, informando que esse problema também existe no Legislativo estadual.

Do deputado Durval Ângelo:

* audiência para obter esclarecimentos sobre a situação do jornalista José Cleves, acusado injustamente da morte de sua mulher e absolvido pela Justiça. Na reunião, haverá o lançamento do livro "A Justiça dos Lobos", de autoria dele.



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