sábado, 22 de julho de 2017

O TRABALHO LIBERTA? PARTE 2


“EU SÓ CUMPRO ORDENS” era a frase do nazista gerente de campos de extermínio, Adolf Eichmann, no seu julgamento em Israel, que Hannah Arendt tão bem chamou de banalização do mal. Cumprir ordens sem pensar, sem questionar, este é o desejo dos chefes despreparados para lidar com a alteridade. É o poder que existe nas organizações fundadas em uma hierarquia vertical, militarizada. É do poder excessivo das chefias que surgem os grandes conflitos e o adoecimento no trabalho em pleno século XXI, já que humanidade deixou de ser uma relação entre humanos para se tornar uma palavra vazia no vale tudo das empresas e instituições. Assim, ao fazer o que é mandado, qual o sentido de se estar trabalhando?
O capitalismo pós-guerra aprendeu muito com o modelo de produção nazista, onde tecnologia e trabalho humano eram a forma de sempre aumentar as metas e a produtividade, mesmo com a exaustão mental, física e emocional dos trabalhadores, que hoje não morrem no trabalho, mas adoecem e são descartados pois existem milhões de desempregados.
A obsessão por metas e produtividade, até hoje modelo do sistema bancário, adoece e mata, conforme vários estudos e pesquisas, e o trabalhador fica com a culpa de não ter dado conta, de que ele é incompetente, ou seja, introjeta o discurso da organização do trabalho, sem perceber que ele dá o máximo de si, e não foi reconhecido seu limite enquanto ser humano, e o pior, existem milhares para ocupar o seu lugar e adoecer e morrer como nos campos de extermínio nazistas. Só que atualmente a morte não é a realidade principal, mas o adoecimento, a sensação de fracasso, de que podia ter se esforçado mais, de não ter dado conta, em vez da morte a culpa e a vergonha dominam corações e mentes destes trabalhadores adoecidos pelo sistema onde o capital é tudo, e o ser humano simplesmente um meio para ser explorado em busca de mais capital para uma elite que controla o mundo com o capital especulativo financeiro. É como no filme de Fritz Lang, Metrópole, Moloch, o devorador de almas através do trabalho até a exaustão total do trabalhador.
No pós-guerra, o economista britânico John Keynes foi um dos criadores do estado do bem-estar social que fixou a jornada de 8 horas com intervalo de almoço, seguro- desemprego, previdência e seguro-saúde como dever do estado e direito do cidadão. Estado que deveria cuidar dos feridos, dos mutilados, dos adoecidos, e preservar a vida na velhice de quem trabalhou a vida inteira.
O “welfare state” ou Estado do bem-estar social foi a resposta humanista para criar condições de trabalho e de vida que fossem o oposto do modo de produção nazista. Mas o capitalismo com Margaret Thatcher, Ronald Regan na década de 80 do século passado começou o desmonte do bem-estar social e implantou a terceirização, a previdência privada, a perda de direitos dos trabalhadores, pois o que importava era o capital. No Brasil hoje, quando o projeto neoliberal avança com força máxima através de um governo ilegítimo, em minha opinião, e de um congresso afoito por reformas trabalhista e previdenciária, para mim, são como os nazistas, mas, se antes o que interessava era o poder absoluto através da guerra, hoje vemos o poder absoluto do capital sobre a classe trabalhadora com o apoio da mídia que muito aprendeu com seu grande líder, o ministro da propaganda de Hitler, Goebbels. Seu lema é o mesmo da imprensa vendida aos interesses do capital internacional: uma mentira dita milhares de vezes vira verdade.
Mas sempre restará aqueles que, como nós, queremos um mundo melhor para nossos filhos, que pensamos como Abraham Lincoln: “você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo”.
Trago essas reflexões, radicais para alguns, mas fundamentais pela história, para que cada um de nós reflita e tenha plena consciência de que o trabalho só vai libertar a humanidade quando for um trabalho que tenha sentido para quem executa esse trabalho,  quando o trabalhador for respeitado em suas diferenças. Quando a voz do trabalhador estiver presente na política de metas, quando o coletivo se organizar em busca  de mais produtividade sem que os envolvidos adoeçam por isso. Para isto, o trabalhador deve ser respeitado, amparado, ter o direito de adoecer ou de a mulher engravidar sem ser punida por isso, principalmente, vocês, servidores públicos, alvos da mídia, do Estado, do Congresso Nacional. Nunca se esqueçam de que vocês são concursados, com estabilidade, para fazer com que o interesse público não se transforme em mais um lote de exploração da iniciativa privada. Através da terceirização dos serviços públicos, transformarão o que é público em privado, beneficiando como sempre as elites e os poderosos.
Portanto, neste momento da Blitzkrieg  (guerra relâmpago) do capital sobre nossos direitos sociais, do trabalho e previdenciários, cujos efeitos sobre as vidas de cada um de nós serão no mínimo nefastos, que ressurjam o eco da frase escrita em 1848 e que deve ser o lema de TODOS, não só brasileiros: TRABALHADORES UNI-VOS!
*Arthur Lobato é psicólogo/Saúde do trabalhador.

Publicado em: http://sinjus.org.br


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Depressão e absenteísmo no trabalho

Por Arthur Lobato, psicólogo, responsável pelo Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM) do SITRAEMG e representante do Sindicato no Comitê Gestor de Saude TRT.
Alguns conceitos referentes à saúde do trabalhador já se tornaram assuntos corriqueiros em conversas e a depressão é um tema que todos comentam. Segundo a OMS — Organização Mundial da Saúde —, a depressão é o mal do século. Os estudos referentes à saúde mental têm fornecido dados importantes para entender esse fenômeno que pode acometer qualquer um de nós. Hoje, é inegável o fator trabalho como componente de análise entre as possíveis causas de depressão, e quando falamos de trabalho, falamos do empregado e do desempregado, pois não conseguir trabalho em nossa sociedade de consumo é sinal de fracasso e exclusão, consequentemente um fator importante na depressão.
Se o trabalhador empregado vive a angústia de poder ficar desempregado, o servidor público concursado, com estabilidade, teoricamente, deveria apresentar um quadro de maior sanidade mental e emocional, pois seu emprego está garantido. Mas, não é isso que aponta o estudo de absenteísmo realizado pelo TRT e TRE. O absenteísmo — a ausência do funcionário no ambiente de trabalho –, ou o número de horas de trabalho perdidas, por transtorno mental e emocional, ocupam o primeiro lugar nos motivos de afastamento, seguido pelas doenças osteomusculares (LER – DORT).
Segundo Bruno Farah, psicólogo do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, e Doutor em Teoria Psicanalítica (UFRJ/Université Denis Diderot – Paris 7), é preciso interferir na contramão dos mecanismos de gestão que individualizam o trabalho, que criam a competição extremada, produzem uma autonomia enganosa, deterioram as possibilidades de um trabalho comum. Para ele, a saúde no trabalho deve estar no centro da gestão do trabalho. “A gestão precisa ver a abundância de competências e não sua carência, deve ser capaz de promover uma autonomia compartilhada e uma interdependência entre sujeitos e não a enganosa autonomia prescrita de uma independência solitária e impotente”.
A OMS define depressão como um transtorno mental comum, caracterizado por tristeza, perda de interesse, ausência de prazer, oscilações entre sentimentos de culpa e baixa autoestima, além de distúrbios do sono ou do apetite. Também há a sensação de cansaço e falta de concentração. Estimativas da OMS apontam que em 2020, a depressão será a maior causa de afastamento nas empresas do mundo inteiro.  A depressão tornou-se um problema social, “o mal do século XXI”.
Bruno Farah em seu livro “A Depressão no Ambiente de Trabalho: prevenção e gestão de pessoas”1, correlaciona a depressão como sintoma social e analisa como o poder paradoxal de um modelo de gestão, compreendido por Gaujulec, como doença social, e por Ehrenberg que analisa a depressão como doença da autonomia. Bruno analisa  a depressão e sua relação com o modelo de gestão. Importante é sua constatação que o “enfrentamento do problema precisa dar-se na ordem do coletivo do trabalho”, já que “ninguém evolui – instituição, empresa ou pessoa – sem a participação coletiva” afirma o William Douglas, juiz federal, e que a “saúde no trabalho, deve estar no centro da gestão do trabalho” conclui Bruno. Quando um psicólogo e um juiz entendem que a questão da saúde do trabalhador envolve os coletivos de trabalho, entendo que a organização do trabalho tem sua responsabilidade na prevenção em prol da saúde do trabalhador, ou seja, entendo que o trabalho é um significante importante na vida de todos nós, e que más condições de trabalho, exigências absurdas por metas e produtividade, competição entre os colegas são fatores que levam ao sofrimento e ao adoecimento.
Segundo Bruno, a depressão apresenta os seguintes sintomas:
– Humor deprimido na maior parte do tempo;
– Interesse diminuído ou perda de prazer nas atividades diárias;
– Sensação de inutilidade ou culpa excessiva;
– Indecisão ou diminuição da capacidade de concentração;
– Fadiga ou falta de energia;
– Insônia ou sono excessivo;
– Agitação ou lentidão de movimentos;
– Perda ou ganho significativo de peso;
– Ideias recorrentes de morte ou suicídio.
Cinco destes sintomas, juntos, por mais de duas semanas, caracterizam o transtorno depressivo maior, mas, apenas um sintoma pode ser extremamente desagradável. Farah afirma que a depressão contemporânea deflagra um sofrimento relacionado a responsabilidade de si, uma doença da autonomia, onde prevalecem sentimentos de insuficiência (não consegui o suficiente) e vergonha por ter fracassado, por não ter dado conta. Assim, segundo o autor, “a responsabilidade e a vergonha são dois ingredientes centrais para entendermos o sofrimento manifesto na depressão”.
O SITRAEMG, através do departamento de saúde esta com as portas abertas para atendimento individual, no projeto Clínica do Trabalho. Participe e ajude o Sindicato na elaboração de uma política de prevenção à saúde em busca de um ambiente saudável de trabalho, onde as relações interpessoais tenham por base o respeito, a honra e a dignidade da pessoa humana.
1 Farah, Bruno. A depressão no ambiente de trabalho: prevenção e gestão de pessoas: um estudo sobre as empresas contemporâneas a luz do Judiciário Federal. São Paulo: Ltr, 2016. Pág. 33)

Publicado em: http://www.sitraemg.org.br/

terça-feira, 4 de julho de 2017

Servidores da 1ª Instância se unem a milhares de trabalhadores e fortalecem a Greve Geral

Publicado em:http://site.serjusmig.org.br/

terça-feira, 27 de junho de 2017

Fenajud protocola em Genebra denúncia de violação de direito de liberdade sindical em favor do SERJUSMIG e de servidores processados

CONVITE / INVITACIÓN = 30 de junio, fecha límite. RECORDATORIO


IV CONGRESO IBEROAMERICANO SOBRE MOBBING Y 
OTRAS FORMAS DE VIOLENCIA EN INSTITUCIONES
 
 
22 AL 25 DE AGOSTO DE 2017
 
UNIVERSIDAD DE CALDAS
MANIZALES, COLOMBIA
 
MAYORES INFORMES, REGISTRO Y ENVÍO DE CONTRIBUCIONES:
 

Assédio Moral não é nada legal








quarta-feira, 7 de junho de 2017

O TRABALHO LIBERTA?

SEXTA-FEIRA, 26/05/17 Arthur lobato, psicólogo

Começo citando a frase que estava no portão de Auschwitz — as fábricas da morte do regime nazista —, sempre em busca de mais produtividade e metas, ou seja, matar mais rápido e em maior número judeus e quem era contra o regime nazista. O racionalismo é aliado da busca tecnológica por mais “produtividade”,  como o gás Zyklon-B fabricado por uma das maiores indústrias químicas alemãs que existe até hoje.
Quando os prisioneiros entravam nos campos de concentração eram iludidos que ali teriam trabalho e condições de vida e que o trabalho seria sua redenção. Uma mentira tão grande como o banho obrigatório para os mais velhos e doentes, onde em vez de água saía o gás mortal, que exterminava em minutos.
É um modelo de exploração sobre a força de trabalho que o capitalismo pós segunda guerra utilizou, assim como a propaganda nazista, modelo para o domínio dos meios de comunicação sobre corações e mentes de várias gerações.
Racionalismo científico, produtividade, bater metas com o uso de tecnologia, essa foi a principal herança do modelo nazista de produção para o capitalismo. Sim, o trabalho  libertou da vida o escravo, mas com sua morte.
Aliás, os nazistas inventaram várias modalidades de trabalho tendo como premissa o trabalho escravo, usando trabalhadores dos países conquistados para trabalhar até a exaustão, até a morte, em atividades perigosas e insalubres. Toda a energia física, mental e emocional era sugada pelo modo de produção nazista.
Hoje o capitalismo, através do projeto neoliberal, vai explorando corpos e mentes até a exaustão, mesmo sabendo que o adoecer não é uma fraqueza do sujeito mas um efeito do modo de produção que vivemos hoje, por exemplo, quando o trabalho assume o lugar central de nossas vidas. Antes trabalhávamos para viver, hoje vivemos para trabalhar e coitado do adoecido e do desempregado pois eles são excluídos do processo produtivo e a culpa é jogada nele, e não no modelo como se organizou o trabalho após a segunda guerra mundial.
Se os nazistas usavam a força de trabalho até a morte, hoje o capitalismo com seu discurso neoliberal usa a força de trabalho humano até a exaustão, até o adoecimento, e o assédio moral é um  modelo de gestão adoecedor,  que tira toda a energia física, psíquica e emocional do trabalhador, que adoecido é descartado e com a culpa introjetada de ser um fraco,  de não ter dado conta de se superar diariamente na produtividade que é a exploração da mais valia do trabalhador e dos coletivos do trabalho.
Edith Seligmann-Silva, psiquiatra doutora em medicina afirma que  “ O assédio moral em casos de pessoas adoecidas, menos produtivas, pode ocorrer devido a reabilitação inadequada que pode levar, inclusive ao assédio grupal, com a participação de colegas, o que pode ser explicado pelo sentimento de que a  pessoa, por produzir menos, sobrecarrega os demais, que podem, de fato, sentir-se sobrecarregados. É uma situação na qual na verdade, quem adoeceu deveria ser reabilitado em uma função adequada a suas outras capacidades.”
Quando a política de metas e produtividade é lançada como um furacão no serviço público, não se estuda o que aconteceu quando este modelo foi implementado nas privatizações dos bancos estaduais, com o alto índice de adoecimento dos bancários e elevado suicídios no ambiente de trabalho. Esconde-se os efeitos deste modelo, para elogiar o “sucesso” do aumento da produtividade.
Por isso, o discurso  que a previdência é deficitária e tem que mudar, que terceirização, que chegará ao serviço público, é boa, por isso necessária, e outras mentiras que vemos, ouvimos e lemos diariamente nos jornais, rádio e TV, afinal a mentira repetida mil vezes vira verdade, já afirmava o ministro da propaganda nazista Goebbels.
Cabe aos sindicatos, no nosso caso o SINJUS-MG, ser o nosso “Bunker” contra estas reformas neoliberais, diria mais, nazistas,  contra todo o povo brasileiro. Somente nossa união, sair às ruas, conscientizar amigos, filhos e desconhecidos, de que enfrentamos o massacre  do capital contra nós trabalhadores, aposentados e desempregados. Pois, se não lutarmos contra o mal ele dominará e destruirá o que ainda resta de humanidade neste planeta.
(Esta análise continua no próximo mês)


PUBLICADO EM: http://sinjus.org.br/o-trabalho-liberta/



Arthur Lobato

É psicólogo da área de saúde do trabalhador. Integra a equipe da Comissão de Assédio Moral do SINJUS-MG. Participou de Congressos Internacionais sobre o tema no Brasil, Argentina e México. Sócio colaborador da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O esgotamento profissional: o “burn-out“ segundo Dostoiewisk


Por Arthur Lobato* 
Fiedor Dostoiewisk é considerado o pai do romance psicológico, pois seus personagens agem, pensam, refletem, confrontado o ato com  a consciência moral que atormenta os personagens evidenciando seu mundo mental. Isso fica nítido em uma de suas maiores obras — Crime e Castigo. Mas, quero falar de um conto praticamente desconhecido deste autor que considero o primeiro caso de burn-out (esgotamento profissional) relatado em texto, e isto   em 1875.
No conto “Um Coração Fraco”, uma primeira localização do sintoma patológico: o coração é o centro da paixão, da loucura, mas hoje em dia com os transplantes cardíacos, a medicina provou que troca-se o coração mas não as emoções. A neurociência localiza no cérebro a fonte das emoções atuando com medicamentos que alteram a bioquímica das conexões sinápticas. Assim, o cérebro e  não mais o coração é o alvo tanto dos medicamentos quanto do sofrimento mental. Quando se transplantou o coração e não veio junto a paixão do doador, ficou cientificamente impossível continuar com a ideia romântica do cérebro como razão e o coração enquanto emoção.
O personagem Vássia trabalha no serviço público do império russo, cargo de grande  honra e vitalício. Para  ser servidor público no império russo, tem de ter boa letra, conhecimento de gramática e ser rápido nas cópias que devem ser perfeitas, sem borrão no papel, já que na época se escrevia com tinta e pena de animais, daí  a importância da forma sobre o conteúdo. São os copistas, os amanuenses, e já que o serviço público remonta a Roma, esse serviço burocrático continua sendo a base  do controle do estado sobre cidadãos, consolidando um ordenamento jurídico, comercial e administrativo, que vale para todo o império russo, daí a importância do documento (processo físico). Por isso a cópia tem de ser perfeita, sem erros e o trabalho tem de ser célere. Parece bem atual: celeridade no trabalho e sem erros.
Hoje com o computador tudo parece mais fácil, mas os desafios do serviço público são os mesmos: registrar, documentar, carimbar ou usar o certificado digital, tanto faz, o importante é que o conteúdo do documento oficial, seja impresso ou virtual,  é o que valida as ações jurídicas e administrativas. Se antes era a pena e o tinteiro o instrumento de trabalho, depois vieram as máquinas de datilografar e posteriormente, o computador. Muda a tecnologia mas o trabalho do servidor público é o mesmo, e se antes copiava-se documentos, hoje eles são impressos ou escaneados, e, mesmo o processo virtual continua a  existir  enquanto  processo físico a partir do momento que ele é impresso, carimbado e registrado, portanto, ainda sobrevive no papel, o documento oficial.
As transformações do mundo do trabalho afetam o judiciário brasileiro, pois com a evolução da informática há uma mudança de paradigma: transformar o processo físico em um elemento da nuvem digital, de forma que seu acesso seja  compartilhado por advogados,  reclamantes e acusados  através de uma nova plataforma tecnológica onde os processos existirão de forma virtual, extinguindo os processo físicos, afinal, esta é a meta. Embora os processos físicos sofram o desgaste do tempo, da umidade, das traças, continuam existindo. E o processo virtual?  É acreditar na infalibilidade dos provedores e da nuvem da internet, onde tudo existe, mas ao mesmo tempo nada existe, pois é virtual.
Claro que se pode imprimir, mas o papel deixou de ser o suporte, agora o que vale é o documento eletrônico. Esta é a revolução que vivemos no serviço público.  A  tecnologia da máquina de escrever e depois da máquina elétrica, agilizaram o serviço, pois a caligrafia deixou de ser requisito para o trabalho, e o que é exigido agora é a  agilidade da digitação, sem erros,  isso  é o que conta. Depois vieram as máquinas eletrônicas e por fim o computador acelerando ainda mais o ritmo do trabalho e junto com as novas tecnologias, novas doenças como as “Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e “Distúrbios Osteo musculares” (DORT).
Há alguns anos a meta era digitalizar os processos antigos, mas a evolução da informática e da internet praticamente eliminaram a digitalização, meio termo entre o processo físico e o eletrônico, agora o que vale é o processo eletrônico, os quais têm acesso de qualquer lugar, por qualquer plataforma (computador, smartphone, notebook, tablet etc.). Basta estar “conectado”. O suporte tecnológico é virtual e com ele exige-se mais agilidade e celeridade como se em vez de pensar, o recortar e colar fosse a forma de agilizar o serviço. Em vez de pensar, recortar e colar.  Mas a partir de qual jurisprudência? Será que cada caso pode ser classificado como igual a outro?
Aceleramos o processo de trabalho, em busca de uma aparente produtividade, mas perdemos a análise do caso a caso. Em vez do papel existe a tela do computador e com ela as novas doenças no mundo do trabalho. As LER/DORT foram as primeiras consequências da aceleração do ritmo dos digitadores sobre o corpo dos trabalhadores  já que em busca de produtividade não há tempo para pausas, o olho fica vermelho, irritado, pois em frente a tela do computador nossa visão vai sofrendo os impactos de estar em frente a um monitor  várias horas, cansando a vista, embaralhando as letras, e, depois de muitas horas em frente ao computador a capacidade de raciocínio já não é a mesma. Assim, além dos impactos do trabalho sobre o corpo, afetando o  sistema oste omuscular temos o cansaço do nervo ótico.
Edith Seligmann Silva, psiquiatra, professora do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo desenvolve sistematicamente pesquisas e estudos sobre a questão da saúde mental no trabalho. Ela conclui que: “nos atuais processos de precarização, com respeito aos impactos na saúde mental, podemos destacar os seguintes aspectos e mecanismos: intensificação do trabalho, associado muitas vezes ao prolongamento de jornadas, aumento das cargas de trabalho, especialmente das cargas de  trabalho mental (inteligência + esfera  dos afetos), com advento de níveis crescentes de fadiga geral e mental,  os quais podem culminar em esgotamento profissional (burn-out) ou outros agravos.
A maior exigência mental/cerebral no trabalho,  faz com que o estresse e os erros sejam maiores, afinal, não somos maquinas ou suporte eletrônico, somos humanos. Mas isso não importa, quem não se adaptar à tecnologia esta fora do mundo do trabalho, seja um porteiro, uma secretária, um servidor ou um magistrado. Para isso, a revolução tecnológica colaborou quando a internet deixou a comunidade militar e científica, para ser de domínio  público. A aceleração da banda alarga, a nano tecnologia e a comunicação via satélite  possibilitaram maior rapidez na comunicação e principalmente o acesso a todas as camadas da população ao PC e ao smartphone, objetos de uso e de consumo que hoje são tão comuns no lar e no trabalho como a Tv e a geladeira foram na década de 60.
Estamos falando de mudanças de paradigma. Os trabalhadores mais velhos (analógicos) são ultrapassados pelos mais novos, que já nascem na era digital, portanto, dominam o mundo virtual. O aprendizado de uma criança já tem o componente virtual em sua formação como ser humano. Câmeras vigiam bebês à distancia e vigiam o adulto no trabalho. Crianças usam o smartphone para ouvir músicas, ver vídeos e acessar conteúdo de estudo. Tudo é muito  rápido, é muita informação. O lazer e o trabalho se misturam com as novas mídias, pois o tempo do homem e  da mulher é perpassado pelo trabalho, seja através de e-mails, whatsapp, mensagem de texto, ordens urgentes de serviço que deve ser feito imediatamente, seja noite, folga, ou feriado. E assim, a vida privada é invadida pelo mundo do trabalho, como diria a propaganda de um banco: “Incansáveis”, assim temos de ser no trabalho, ou o lema de uma Tv “sempre ligado, 24 horas com você”. Mas a consequência deste mundo do trabalho é o adoecer do trabalhador.
O trabalho torna-se a essência da vida, e, conseguir e manter o emprego é nossa necessidade básica pois o desemprego esta cada vez maior, mantendo o exercito de reserva de mão de obra. O desemprego nos ameaça diariamente, daí a procura pelo serviço público e seu grande diferencial: a estabilidade no emprego. Assim, quem está desempregado aceita valores salariais inferiores ao que ganhava, e quem trabalha tem de ser cada vez mais produtivo. O serviço público incorporou estas modalidades de produtividade e metas da iniciativa privada e quer que os servidores e magistrados tenham que produzir cada vez mais, dentro de uma  lógica toyotista, onde os problemas da empresa ou instituição são “meus” problemas enquanto trabalhador, e portanto, cabe a mim resolve-los.
Outra grande mudança de paradigma com a informática enquanto suporte ao trabalho produtivo é o Home office ou trabalho à distância. Agora não é preciso uma firma, escritório, computador, mesa, cadeira para exercer meu trabalho, dentro de uma jornada de trabalho controlada pelo ponto eletrônico, que registra  a entrada e a saída do ambiente de trabalho. Agora a oportunidade e novidade para os trabalhadores é trabalhar em casa (home office), sem jornada, mas o trabalho é medido pela produtividade, com o escritório (mesa, cadeiras, computador, internet) montado pelo trabalhador. Começou com  a terceirização do tele atendimento, agora é uma realidade em muitas profissões.
Este é o mundo do trabalho em  que vivenciamos, uma grande mudança de paradigma – trabalho por jornada, para trabalho medido pela produtividade—, com as “flexibilizações” que significam a perda dos direitos trabalhistas conquistados com muita luta. Trabalhar em casa parece novo, mas na realidade é um canto de sereia, conforme análises críticas ao teletrabalho, já publicadas no site do Sitraemg,  pois, a invasão do espaço privado pelo trabalho, gera transtornos e conflitos, o ato de trabalhar deixa de ser um momento da vida, para nossa vida ser o trabalho em tempo integral, como no conto de Dostoiewisk, “Um coração fraco.”
É interessante notar que há mais de 100 anos o russo Fiódor Mikailovitch Dostoiéviski (1821/1881) já denunciava os aspectos negativos  de se trabalhar em casa, pois indo à uma repartição, mesmo que você não queira, tem que trabalhar, tem que fazer o serviço, pois há chefias, controle vigilância e punição, além de exigência de produtividade, cumprimento de metas, etc., mas esta pressão termina com o final da jornada, quando saimos do trabalho enquanto espaço físico. Entretanto  em casa você vira seu chefe, internalizando o chefe externo, já agora você é chefe de si mesmo, fortalecendo o super ego, e a psicanálise revelou como o superego é severo com o ego, um dos motivos da cisão neurótica do sujeito.
No conto “Um coração fraco”, Dostoiewisky narra o drama de  de um escriturário, um servidor público russo no império do TZAR, que em caso de desídia, pode ser até fuzilado, pois o serviço público, registrando e mantendo guardando processos e documentos é a base da burocracia e do controle do estado sobre os cidadãos. Fazer parte do serviço público do império russo é uma honra, e as promoções vão depender da produtividade, da caligrafia perfeita, que não pode ser demorada, mas precisa, afinal não existia xerox, somente cópias manuais de documentos — o trabalho do caligrafo, do amanuense.
No livro o personagem principal inicia o conto muito feliz confraternizando com um amigo, pois ficou noivo e queria comemorar. Mas toda a alegria do personagem logo cai por terra, quando ele confessa ao amigo, depois de dias de festa e alegria, já que é véspera de natal e ano novo, que trouxe trabalho da repartição, recomendado pela chefia para ser concluído no período de festas natalinas, quando repartição esta fechada. O personagem recém promovido, quer mostrar serviço e assume o compromisso. Entretanto a vida, o amor interfere no seu trabalho mecânico de copista, pois ele conhece uma mulher, se apaixona, fica noivo comemora com o amigo e quando percebe vários dias se passaram. Agora, em casa a alegria da lugar à ansiedade, medo e a preocupação, afinal o serviço esta atrasado, e mesmo sendo natal e ano novo a tarefa deve ser cumprida, pois é seu compromisso com a chefia, com seu cargo,  e consigo mesmo.
Entretanto, o personagem sentado na mesa de trabalho em sua casa não consegue se concentrar, tantas são a emoções vividas nestes últimos dias. Mas para casar deve manter o emprego e para manter o emprego deve cumprir a tarefa, e ela esta muito atrasada. Como se concentrar em um serviço monótono, meticuloso, se sua mente e seu coração só pensa no amor e na amada Lisanka.
Surge o primeiro bloqueio: falta de concentração em casa para executar a tarefa. Os pensamentos estão focados na emoção do amor, e ele fica horas na mesa sem conseguir começar o trabalho. O medo da punição gera angústia e ansiedade, e ele em um esforço sobre humano tenta realizar a tarefa, lutando contra suas emoções e pensamentos amorosos. Começa a copiar os documentos sem parar, sem errar, sem dormir ou se alimentar.
Seu amigo, Arkaddi, o visita e fica preocupado com seu estado, pois há dias ele não dorme, não se alimenta, e mesmo assim o trabalho não rende. Ele fica preocupado, mas não consegue demover o amigo de fazer uma pausa, este continua de forma frenética a escrever, copiando páginas e mais páginas, de forma automática, “a pena desliza”, diz o autor, mas o trabalho não acaba. Dias e noites se passam, a noiva se preocupa, o amigo também, mas nada faz Vássia sair do ritmo de trabalho que ele se impôs para conseguir executar a tarefa, mesmo sendo natal e ano novo, que passam sem que o personagem saia de casa.
Esta exigência consigo mesmo traz conseqüências. É visível seu transtorno, mas ele continua copiando e trabalhando sem cessar. Então, quando o amigo resolve intervir dizendo que o trabalho esta quase terminado, ele se desespera e mostra uma pilha de documentos que ainda tem de copiar. Estafado sem dormir e comer ele se angustia e pensa nas conseqüências de não executar a tarefa, pois até ser fuzilado por motivo de desídia está contido como sentença, no estatuto do serviço público russo. E o medo, a preocupação e a responsabilidade são mais fortes que os apelos do amigo ou necessidade de descanso, afinal, a prioridade é o trabalho.
É  um caso que hoje chamaríamos de burn-out –  “(…) um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional” —, mas há um contexto psicológico ligado ao trabalho: o medo da punição é maior  que a angústia de não dar conta. E, de tanto trabalhar enlouquece, se dirige ao chefe em sua casa no início do ano novo para ser punido, pois esta esgotado, e não deu conta da tarefa. Este servidor que era um funcionário modelo, tranquilo, se apresenta  ao chefe em tal estado de agitação e desespero, imundo, com uma barba mal cuidada, com uma fala desconexa, e tão angustiado chora e pede perdão por sua “incapacidade”  de dar conta do serviço.  Um médico é chamado e constata que ele enlouqueceu. Nesta época não havia o estudo mais aprofundado do estresse laboral tampouco do “burn-out” ou licença por transtornos mentais, somente a divisão SANIDADE E LOUCURA. 
Para Vássia, funcionário público do Império russo na época do tzarismo, a loucura pelo excesso do trabalho e o conflito entre suas emoções e a obrigação laboral, o levam à exaustão e à loucura, era o fim de uma vida dedicada ao trabalho, e mesmo assim ele se culpa de não ter dado conta de realizar a tarefa. O hospício é seu destino, a saída da loucura do trabalho é enlouquecer de verdade. No final do conto a frase cruel e dúbia do chefe:” afinal nem era tão urgente….”.
Fica a dúvida: não era mesmo urgente ou foi imposto à Vássia como urgente, ou foi  ele quem introjetou a urgência por conta própria?

* Arthur Lobato é psicólogo, responsável técnico pelo Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM) do SITRAEMG e coordenador da Comissão de Combate ao Assédio Moral do Sinjus e do Serjusmig.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Assédio moral é tema de mesa-redonda


Foi realizada na sexta-feira (12) mesa-redonda sobre assédio moral promovida pelo Comitê Gestor de Saúde do TRT com apoio do Sitraemg. O evento ocorreu à tarde no plenário 2 do edifício sede.

Participaram da atividade, na mesa, a coordenadora do Comitê Gestor, desembargadora Denise Alves Horta, a  desembargadora Rosemary de Oliveira Pires, os juízes do TRT-MG Cláudio Roberto Carneiro de Castro e Rodrigo Bueno, o secretário de saúde do Tribunal, psiquiatra Geraldo Mendes Diniz, e o psicólogo do Sitraemg, Arthur Lobato. Também estiveram presentes o presidente do Tribunal, desembargador Júlio Bernardo do Carmo, o 2º vice presidente, Luiz Ronan Neves Koury, e o desembargador Emerson José Alves Lage.

A atividade foi aberta pela desembargadora Denise Alves Horta. Após falar da satisfação em receber os presentes, a coordenadora do Comitê Gestor de Saúde comentou que o assédio moral é um problema presente em diferentes âmbitos sociais (trabalho, família, escola) que surge como consequência da pressão social pelo enquadramento em determinados estereótipos. No trabalho, pode decorrer da cobrança excessiva por resultados, segundo a desembargadora. Ela qualificou o assédio como "vilão serial, insidioso, que ataca a morada permanente da pessoa humana - a sua dignidade". De acordo com a magistrada, a dinâmica de um sistema não pode esquecer que o mais importante é gerir satisfatoriamente o bem comum.

O secretário de saúde da instituição relatou, em sua primeira fala, quais os problemas de saúde decorrentes do assédio e das condições de vida estressantes da atualidade. Ele discorreu sobre diversas reações comportamentais. Falou que não adianta apenas tirar o trabalhador que sofre assédio do seu local de trabalho, mas que, em muitos casos, se ele não é afastado preventivamente por um período, as consequências podem ser muito mais graves.

Ao retomar a palavra como último orador, Geraldo Mendes Diniz discorreu sobre o que vem sendo feito no Tribunal para combater o problema. Segundo o psiquiatra, o sofrimento psíquico provocado por trabalho no TRT-MG é uma exceção, mas, enquanto houver uma única pessoa submetida a assédio, é necessário estar atento a essa realidade. "Por motivo nenhum, a dignidade de um ser humano tem que ser atacada", opinou.

Entre as ações da instituição, o secretário destacou a formação para servidores e gestores. Além disso, enfatizou, a Secretaria de Saúde tem uma política para identificar situações de sofrimento a partir da análise de absenteísmo dos setores, de sintomas identificados em consultas médicas e odontológicas e do exame periódico. A partir do momento em que o problema é detectado ou que a vítima do problema procura o setor de saúde, há acompanhamento do trabalhador e da unidade. Ele também falou do Código de Ética, que coíbe a prática do assédio moral. "Nós temos a melhor área de saúde de todos os tribunais do Poder Judiciário brasileiro", avalizou o gestor.

O juiz trabalhista Cláudio Roberto Carneiro de Castro, mestre em direito do trabalho e autor do livro "Assédio Moral em Relação de Emprego", considera que a introdução do conceito de assédio moral, ainda impreciso no Direito, permitiu que as vítimas passassem a compreender melhor o que acontece com elas e possibilitou que houvesse maior proteção.

Ele avaliou diferentes elementos presentes na doutrina e na jurisprudência para definir o assédio: o dano; o dolo; a repetição, sistematização e duração; o contexto laboral; a intensidade da violência; e o fato de se caracterizar como conduta não desejada pela vítima. Os três primeiros foram criticados pelo magistrado. Para ele, o dano moral a ser considerado é aquele provocado à personalidade do trabalhador e à dignidade do ser humano, outras consequências à saúde física ou psicológica dependem de maior ou menor resistência da vítima e não podem ser considerados como essenciais. O dolo, segundo ele, não deve ser considerado, pois envolve aspectos altamente subjetivos, muito difíceis de provar. Não é possível definir uma repetição ou duração mínima de forma arbitrária para caracterizar o assédio, de acordo com o palestrante, pois outros elementos, como a intensidade e o contexto, podem ser mais relevantes. O magistrado também falou sobre situações em que, segundo a teoria moderna do Direito e o novo CPC, há inversão do ônus da prova.

Ao abordar o tema de forma mais prática, o juiz Rodrigo Bueno falou do contexto de muitas empresas em que há cobrança de metas e humilhação para quem não as cumpre, citando caso de estabelecimento que distribui "troféu abacaxi". Mas há casos, segundo o magistrado, em que o assédio é mais sutil, com a transferência do local de trabalho como forma de isolar o assediado.
O atestado médico é, muitas vezes, o único mecanismo que o assediado tem para fugir da violência e afastar-se, mas isso não resolve o problema, pois existe o momento de retorno ao trabalho, avalia o palestrante.

De acordo com Ricardo Bueno, a prova, essência do processo, é muito complexa para o magistrado. "Muitas vezes o assédio moral não é realizado na frente de todo mundo, e o assediador tenta isolar o assediado da prova", diz ele. Por isso, não pode ser desprezada a prova indiciária, opinou. Para ele, o assédio caracteriza-se, via de regra, quando há repetição, e não numa situação isolada.

O psicólogo do Sitraemg falou da importância do respeito ao próximo, levando em consideração que cada um de nós é diferente e que a não aceitação das diferenças é uma das causas do assédio. Ele afirmou que, hoje, o problema do assédio moral está totalmente ligado ao projeto neoliberal e ao movimento de retorno rumo à realidade pós-revolução industrial, quando as jornadas eram de 18 horas e havia trabalho infantil. Segundo Arthur Lobato, o conceito de mobbing surgiu com o psiquiatra Heinz Leymann a partir do estudo da rivalidade entre grupos de trabalhadores da Suécia gerada pelo método de organização do trabalho conhecido como "toyotismo".

O representante do sindicato relacionou o assédio moral a contextos que provocam mais de três mil acidentes de trabalho no Brasil, de acordo com números que não abrangem terceirizados, servidores públicos, microempresários e informais. Para ele, o alvo atual no Brasil é o serviço público. Enquanto o trabalhador que fabrica um carro pode ver o produto do seu trabalho realizado, um serviço que não tem fim, como no mito de Sísifo, é causa de angústia para servidores e magistrados, obrigados a se submeter a um plano de metas, apontou o palestrante.

O psicólogo opina que o assédio moral é a "ponta de lança" de atuação do movimento sindical. "Enquanto a psicologia clássica está preocupada em como produzir mais, temos que nos preocupar em como viver melhor", avalia Arthur Lobato. "Queremos viver e não ser escravos do trabalho". Entre outras sugestões, defendeu a realização de cartilhas a partir do discurso do trabalhador, lembrando que, para isso, o trabalhador precisa ter informações. Ele opinou que a causa principal é o atual modelo de organização do trabalho, que necessita mudar. (David Landau)

Informações TRT

quarta-feira, 17 de maio de 2017

SITRAEMG promove debate sobre assédio moral

O Comitê Gestor de Atenção Integral à saúde do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 3ª Região, promoveu, em parceria com o SITRAEMG uma mesa de palestras e debates sobre o assédio moral no trabalho. O evento aconteceu na última sexta, 12 de maio de 2017, em um dos auditórios do prédio do TRT, na Avenida Getúlio Vargas, 225.  
Para compor a mesa, foram convidados o desembargador e presidente do TRT Júlio Bernardo do Carmo, o vice-presidente do TRT Luiz Ronan Neves Koury; a desembargadora e também coordenadora do comitê Denise Alves Horta; a desembargadora do TRT Rosemary de Oliveira Pires e os Juízes do TRT Claúdio Roberto Carneiro e Rodrigo Bueno; o secretário de saúde do TRT da 3ª Região, doutor Geraldo Mendes Diniz; e o psicólogo do SITRAEMG Arthur Lobato. 
Os desembargadores Júlio Bernardo e Luiz Ronan deram boas-vinda aos presentes e lembraram da importância de falar sobre o assunto, uma vez que todos os trabalhadores estão sujeitos a este problema. Lembraram também, que o dia Nacional de Combate ao Assédio Moral é comemorado no dia 02 de Maio.
Denise também deu suas palavras e lembrou da importância de uma mesa de debates para que os mitos e as verdades sobre o assédio moral sejam esclarecidos e para que ocorra uma troca de conhecimento.  A juíza Rosimary também falou e explanou sobre a necessidade de empatia e alteridades nas relações humanas e para entender melhor.  
Logo depois o, doutor Geraldo Mendes, abordou o o tema “Assédio moral e sofrimento psíquico”.  Durante a palestra, o secretário explicou que o trabalhador que sofre assédio pode apresentar diversos problemas, como depressão e ansiedade além de hipertensão. Além disso, Geraldo também lembrou que o TRT possui um departamento específico para cuidar de doenças relativas ao trabalho e que ele existe há 22 anos. 
O juiz Claudio Roberto Carneiro de Castro, autor do livro “O que você precisa saber sobre o assédio moral nas relações de emprego” , levantou as diversas questões jurídicas acerca do assédio e do dano moral no ambiente de trabalho. O também juiz do TRT, Rodrigo Bueno apontou que a questão do assédio envolve principalmente o problema de metas de trabalho e que muitos casos de assédio ocorrem em conversas e reuniões particulares entre trabalhadores e superiores. 
O psicólogo do Sindicato Arthur Lobato apresentou dados alarmantes: no país, acontecem, por ano, cerca de 700 mil acidentes de trabalho e problemas relacionados a doenças ocupacionais.  Lobato também deu ênfase na necessidade se mudar  a cultura organizacional que se baseia num modelo de metas altas e que o trabalho não tem fim e o quanto isso pode ser prejudicial ao ser estruturado no serviço público. 
Um pequeno intervalo foi feito, e um lanche foi servido a todos os presentes. Logo após, a mesa redonda continuou com o debate e abriu o espaço para a plateia fazer perguntas aos que estavam na mesa e para sugerir meios de se combater dentro dos ambientes de trabalho do Judiciário, o assédio moral. 
Abaixo a galeria de fotos do evento: https://www.flickr.com/photos/











quarta-feira, 10 de maio de 2017

TRT promoverá debate sobre “assédio moral no trabalho”

Evento será voltado para servidores do Tribunal; Psicólogo Arthur Lobato, responsável técnico pelo DSTCAM do SITRAEMG, participará como um dos expositores do evento.
O psicólogo Arthur Lobato, especialista em saúde do trabalhador e responsável técnico pelo Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM) do SITRAEMG, e nessa condição integra o Comitê de Saúde do TRT da 3ª Região, participará da “Mesa redonda: assédio moral no trabalho”, que será promovida pelo TRT da 3ª Região no próximo dia 12 de maio, no plenário 2 de sua sede (Avenida Getúlio Vargas, 225), em Belo Horizonte. O evento, promovido pelo comitê gestor de saúde do TRT, criado pela resolução 207/CNJ e coordenado pela desembargadora Denise Alves Horta, será voltado exclusivamente para servidores do Tribunal.
Conforme informações da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do TRT, o comitê de saúde já realizou um total de 11 reuniões, sendo oito no ano passado e três em 2017. O juiz Rodrigo Ribeiro Bueno, um dos expositores no debate programado para o dia 12, é o representante da 1ª Instância no comitê.
PROGRAMAÇÃO
  • 15h – Abertura: Desembargadora Denise Alves Horta
  • 15h15 – Assédio moral e sofrimento psíquico:  Psiquiatra e Secretário de Saúde Dr. Geraldo Mendes Diniz
  • 15h45 – Assédio moral e a visão do magistrado: Juiz Cláudio Roberto Carneiro de Castro e Juiz Rodrigo Ribeiro Bueno
  • 16h30 – intervalo
  • 16h40 – Formas de combate ao assédio moral: Psicólogo Arthur Lobato (Sitraemg)
  • 17h10 – O que o Tribunal tem feito: Dr. Geraldo Diniz
  • 17h20 – Debate
  • 18h – encerramento
DSTCAM DO SITRAEMG
A saúde do trabalhador do Judiciário Federal e o combate ao assédio moral nos locais de trabalho foram algumas das principais bandeiras de luta apresentadas durante a campanha que elegeu a atual diretoria executiva do SITRAEMG. Cumprindo o compromisso assumido, a diretoria levou ao X Congresso do SITRAEMG, realizado em abril de 2015, em Juiz de Fora, a proposta de criação do Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM), que foi aprovada por unanimidade pelos participantes.
O departamento começou a funcionar em meados do mesmo ano passado, e, desde então, vem mantendo uma intensa agenda de trabalho. Além de atender os casos de adoecimento e assédio moral apresentados/denunciados pelos filiados, procurou discutir o tema com a categoria nos diversos eventos promovidos pelo Sindicato, como os encontros regionais, rodas de conversa e o Seminário do DSTCAM – promovido pela entidade em novembro do ano passado, reunindo durante dois dias, em debate em Belo Horizonte, profissionais de saúde dos mais renomados do país com experiência em saúde do trabalhador. E, graças à busca de aproximação do DSTCAM com os departamentos de saúde dos tribunais, tornou-se possível a inclusão de representante do mesmo nos comitês de saúde instituídos pelos respectivos órgãos. Melhor para os servidores do Judiciário Federal em Minas Gerais.
“Vai ser um debate muito bom e nossa preocupação é grande sobre a matéria. Inclusive, dentro dos 30 sindicatos do PJU, o SITRAEMG está sendo vanguarda no projeto contra o assédio moral no serviço público (clique AQUIe leia a matéria)”, salienta o coordenador geral do Sindicato Alexandre Magnus.