quarta-feira, 11 de outubro de 2017

SITRAEMG se reúne com servidores da Justiça Federal de Divinópolis

Em pauta, o pedido de socorro expresso em faixa afixada em frente ao prédio daquela Subsecção Judiciária.


Os coordenadores do SITRAEMG Carlos Humberto Rodrigues e Nestor Santiago, juntamente com o psicólogo Arthur Lobato, responsável técnico pelo Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM), estiveram ontem (terça-feira, 10/10) em Divinópolis, no centro-oeste mineiro, onde realizaram uma roda de conversa com os servidores da Justiça Federal. O motivo foi a faixa afixada em frente ao prédio da Subseção Judiciária daquela cidade, com a frase “Servidores da Justiça Federal pedem socorro – Assédio Moral”, conforme foi neste site (confira AQUI).
Para o SITRAEMG, é irrelevante saber quem foi o responsável pela fixação da faixa. O que interessa é apurar o conteúdo da peça publicitária, que repercutiu na imprensa, redes sociais e entre os servidores e magistrados.
A equipe do Sindicato foi muito bem recebida pelos servidores. Lamenta apenas ter sido recebida, na 2ª VF, somente pelo juiz substituto, não conseguindo contato com o juiz titular. Na 1ª VF, a reunião foi com os servidores e o diretor, pois ambos os magistrados da vara não se encontravam na Subseção.
Os representantes do SITRAEMG levaram uma mensagem de conforto aos colegas e procuraram transmitir-lhes segurança, lembrando que o Sindicato conta com uma assessoria jurídica e um departamento de saúde e combate ao assédio moral competentes, sempre prontos a atender os filiados. Dito isto, colocaram a entidade à disposição, para apresentarem quaisquer demandas que tiverem. Além disso, informaram que a entidade procurará estreitar ainda mais o contato com os servidores daquela subseção e voltar lá mais vezes, inclusive, para apurar de onde partiu o pedido de socorro e averiguar os fundamentos da mensagem expressa na faixa, para buscar as providências que se fizerem necessárias.

Faixa anônima denuncia assédio moral na Justiça Federal


O SITRAEMG tomou conhecimento da ocorrência em Divinópolis acerca de uma faixa anônima colocada em frente ao prédio da Justiça Federal. O caso está sendo discutido no âmbito da Direção para esclarecimento e adoção das providências necessárias.

Publicado em: http://www.sitraemg.org.br/

Sintfub realiza primeiro seminário de prevenção ao assédio moral



O Seminário teve como palestrante o psicólogo Arthur Lobato.

Na UnB, quem recebe as denúncias de assédio moral é a Ouvidoria da Universidade.

Leia também :

https://assediomoralesaudenotrabalho.blogspot.com.br/ Seminário SINTFUB

https://assediomoralesaudenotrabalho.blogspot.com.br/search/label/SINTFUB

https://assediomoralesaudenotrabalho.blogspot.com.br/CONVITE PARA SEMINÁRIO






segunda-feira, 2 de outubro de 2017

SINJUS DEBATE DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO

Com a premissa de promover a saúde e o bem-estar entre os filiados, o Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância do Estado de Minas Gerais (SINJUS-MG) promoveu uma nova edição da Roda de Conversa para falar sobre o sofrimento no trabalho e as suas consequências. O encontro aconteceu na última quarta-feira, 27/9, e foi uma oportunidade para que as pessoas pudessem compartilhar os seus sentimentos e relatar as suas vivências. Toda a atividade foi conduzida pelo psicólogo e especialista em saúde do trabalhador, Arthur Lobato. A moderação foi realizada pelo diretor de Assuntos Sociais, Culturais e de Saúde do SINJUS, Felipe Rodrigues.
Durante a Roda de Conversa, os participantes ficaram à vontade para expor as situações que ocorrem dentro do Tribunal de Justiça de Minas Gerias (TJMG). Foram debatidos os conflitos nas relações de trabalho, principalmente envolvendo assédios morais e psicológicos entre gestores e subordinados e até mesmo entre colegas de mesmo nível hierárquico.
De acordo com Arthur Lobato, que integra a Comissão de Combate ao Assédio Moral do SINJUS-MG/SERJUSMIG, essa situação gera uma série de problemas emocionais, como a sensação de não dar conta do serviço, cansaço e insônia, que, por sua vez, levam ao um quadro de ansiedade e de depressão.
O especialista ressaltou ainda que, além de ter que superar os problemas psíquicos decorrentes das condições de trabalho inadequadas, muitas vezes os servidores precisam enfrentar a desconfiança e o preconceito dos colegas quando retornam de suas licenças. Por isso, Lobato orientou aos participantes para que busquem apoio profissional sempre que necessário.
Felipe Rodrigues reforça que o servidor deve procurar os atendimentos do Núcleo de Saúde caso esteja enfrentando problemas no trabalho. O dirigente lembra ainda que o SINJUS, em casos mais graves, também faz a interlocução direta com os gestores a fim de equalizar os conflitos no próprio ambiente de trabalho do servidor.
Próximo evento
A próxima edição da Roda de Conversa está marcada para o dia 25/10, às 14h, na sede do SINJUS. No encontro será tratado sobre as doenças ocupacionais, como as lesões por esforços repetitivos (LER) e os distúrbios osteo musculares relacionados ao trabalho (Dort). As inscrições já podem ser feitas pelo telefone (31) 3213-5247.


Trabalhar em casa: a captura da subjetividade do trabalhador

Por Arthur Lobato, psicólogo/saúde do trabalhador, responsável pelo Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM) do SITRAEMG.

O trabalho no mundo globalizado apresenta três características principais, seja na iniciativa privada ou no serviço público: o uso da tecnologia para acelerar o ritmo em busca de mais produtividade e metas que devem ser batidas constantemente. Esses três elementos, tecnologia, metas e produtividade, são a base do capitalismo. Adam Smith, no século XVIII em seu livro “A riqueza das Nações” citou a tecnologia e a produtividade como essenciais ao desenvolvimento e lucratividade no capitalismo, afinal, foi a tecnologia das máquinas movidas a vapor e a fiadeira, que movimentou locomotivas e fábricas, gerando mais produtividade e lucro na chamada Primeira Revolução Industrial.
A produtividade, dogma do modo de produção capitalista, pode ser conseguida pela aceleração do ritmo de trabalho, pela tecnologia, pela agilidade ou capacidade física/psíquica dos envolvidos no trabalho, pela captura da subjetividade do trabalhador pela empresa/instituição ou pelo recurso de obrigar o trabalhador fazer horas extras e ser multifuncional.
A captura da subjetividade do trabalhador, segundo Ricardo Antunes, “é uma forma de controle, e uma organização do trabalho capaz de se apropriar ainda mais efetivamente do intelecto do trabalho, na sua dimensão cognitiva”, ou seja, o que seria um problema da empresa torna-se um problema para o trabalhador resolver, pois ele “é a empresa”.
Segundo Giovanni Alves, o trabalhador é encorajado a pensar proativamente e a encontrar soluções antes que o problema aconteça. O trabalhador é obrigado a pensar muito mais, mas colocando a inteligência humana a serviço do capital. Alves afirma em seu livro “Trabalho e Subjetividade” que a captura da subjetividade do trabalho pelo capital “é a gestão do trabalho vivo e da força de trabalho”. O mesmo autor, citando Marx, afirma que “com as redes de informação tornou-se possível estar junto à distância”. O trabalhador social ou o trabalhador combinado, por meio das novas tecnologias de informação e comunicação, não apenas estendem (ou estreitam) o mesmo espaço/tempo, mas podem virtualmente suprimi-lo com a constituição de um novo local de cooperação complexa, o ciber espaço.
Portanto, estas já são algumas características do trabalho distância: uso da tecnologia, o trabalhador produzindo distante do local de trabalho, mas integrado ao processo produtivo no ciber espaço. Giovanni Alves afirma também que os investimentos em tecnologia, ciência e infraestrutura social “apresentam-se como um método, empregado pelo capital, para mediante o aumento de sua força produtiva explorá-lo mais lucrativamente, ou seja, a tecnologia vem para explorar ainda mais o trabalhador”.
Assim, a captura da subjetividade se dá por meio da coerção ou do consentimento, da manipulação de valores fetiche (trabalhar em casa), mas como afirma Ricardo Antunes, o sentido da captura da subjetividade é traduzido na figura do inspetor interior que perscruta com seu olhar as tarefas do trabalho de si e dos outros. O operário ou empregado torna-se patrão de si mesmo e dos outros, através de um corpo útil, produtivo e submisso conforme constatado por Alves.
Um exemplo atual desta tentativa da captura da subjetividade do trabalhador é o home office, ou tele trabalho (trabalho à distância), ou seja, trabalhar em casa. À primeira vista é uma proposta sedutora, afinal, quem não quer ficar em casa trabalhando, sem ter que enfrentar o trânsito, colegas chatos, chefes insuportáveis, entre outros fatores que geram insatisfação no trabalho?
Como no canto das sereias que nas lendas gregas enfeitiçavam os marinheiros levando os navios ao naufrágio com o choque nas rochas, o teletrabalho, neste aspecto, é sedutor e ao mesmo tempo perigoso, pois o trabalhador seduzido por esta proposta, também pode naufragar em sua ilusão. Não percebe os aspectos negativos desta mudança no modo de trabalhar.
Entendemos que o teletrabalho possui aspectos positivos e negativos, mas quem vai decidir é o servidor e, para discutir esse tema – os prós e os contras –, convidamos os servidores para participar das Rodas de Conversa que serão realizadas pelo SITRAEMG em breve para debatermos este tema. Afinal, são os servidores os maiores interessados, usuários ou não desta nova modalidade de trabalho.  É função dos sindicatos debater o tema para que o teletrabalho não seja mais uma fonte de sofrimento dos servidores. Não podemos esquecer, citando Giovanni Alves, que “a verdade da ideologia é mascarar as contradições sociais”.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

SEMINÁRIO MODERNIZAÇÃO DA POLÍTICA DE ENFRENTAMENTO AO ASSÉDIO MORAL

Data: 3 de outubro de 2017
Local: Cidade administrativa Presidente Tancredo Neves -
Rodovia Papa João Paulo II - Prédio Gerais - Plenária- 9º andar






































Reforma Trabalhista

Na manhã do último dia 16, o SITRAEMG e o SindREDE realizaram em Belo Horizonte uma roda de conversa com servidores públicos sobre os impactos da reforma trabalhista. O debate teve a participação do auditor fiscal do trabalhador, Lucas Reis da Silva, do Juiz do TRT Jorge Luiz Souto Maior, do assessor Renê de Souza Torres além da advogada Maria da Glória Ferreira Trogo.



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

RODA DE CONVERSA



DEBATE: SOFRIMENTO NO TRABALHO E SUAS CONSEQUÊNCIAS



Em algum momento da vida, você já deve ter vivenciado uma situação como essa: se empenhar muito em um projeto, criar expectativas em relação aos resultados e quando as coisas não saem como o planejado ou quando o objetivo proposto não é alcançado, a tristeza predomina. A frustração aparece quando nos vemos privados de uma satisfação que nos parece legítima, mesmo que às vezes não tenhamos razão. Muitas vezes esse sentimento pode funcionar como uma força motora que impulsiona o trabalhador a aprimorar-se. Mas, às vezes, essa busca pode desencadear desgaste profissional e até depressão. E aí, como lidar com tudo isso?
Esse é o tema que o Núcleo de Saúde do SINJUS-MG vai discutir com os servidores na próxima edição da Roda de Conversa, no dia 27/9, às 14h, na Sala de Atividades do Sindicato (Av. João Pinheiro, 39 – 10º andar). As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo telefone (31) 3213-5247. O SINJUS vai emitir um certificado de participação que poderá valer pontos para a Promoção Vertical.
A Roda de Conversa será intermediada pelo diretor de Assuntos Sociais, Culturais e de Saúde do SINJUS, Felipe Rodrigues, e pelo especialista em saúde do trabalhador, Arthur Lobato, que integra a Comissão de Combate ao Assédio Moral do SINJUS-MG/SERJUSMIG.
Servidor, sua participação é fundamental. Relate os problemas enfrentados, apresente críticas e sugestões. Compareça à Roda de Conversa!
DINÂMICA
O objetivo dos encontros da Roda de Conversa é reunir os servidores e especialistas para debaterem juntos os problemas relacionados ao trabalho no Judiciário e buscar as melhores soluções. “Implementação do Processo Judicial eletrônico (PJe) no TJ”; “Teletrabalho (home office)” e “Metas, Produtividade e Assédio Moral” já foram alguns dos temas tratados em edições anteriores.
SERVIÇO
Roda de Conversa – “Sofrimento no trabalho e suas consequências”
Tema: Metas, Produtividade e Assédio Moral
Quando: 27/9 (quarta-feira)
Horário: 14h às 16h
Local: Sala de Atividades do SINJUS-MG (Av. João Pinheiro, 39 – 10º andar)
Inscrições: (31) 3213-5247
Emissão de certificado que poderá valer pontos para PV

SOFRIMENTO NO TRABALHO E SUAS CONSEQUÊNCIAS



A Organização Mundial de Saúde afirma:
“A depressão é a principal causa de problemas de saúde e incapacidade em todo o mundo. De acordo com as últimas estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão, um aumento de mais de 18% entre 2005 e 2015. A falta de apoio às pessoas com transtornos mentais, juntamente com o medo do estigma, impedem muitas pessoas de acessarem o tratamento de que necessitam para viver vidas saudáveis e produtivas. ”
Ainda segundo a OMS,
“A depressão é um transtorno mental comum, caracterizado por tristeza persistente e uma perda de interesse por atividades que as pessoas normalmente gostam, acompanhadas por uma incapacidade de realizar atividades diárias por 14 dias ou mais. Além disso, as pessoas com depressão normalmente apresentam vários dos seguintes sintomas: perda de energia; alterações no apetite; dormir mais ou menos do que se está acostumado; ansiedade; concentração reduzida; indecisão; inquietação; sentimentos de inutilidade, culpa ou desesperança; e pensamentos de autolesão ou suicídio. A depressão também é um fator de risco importante para o suicídio, que acaba com centenas de milhares de vidas a cada ano. ”
Vivemos em permanente tensão, por exemplo, quando sou obrigado a ser um ator social representando um personagem que é falso. Quando agimos no trabalho obedecendo ordens absurdas, dizendo sempre “sim senhor”. Quando nosso potencial não está sendo bem aproveitado e mesmo assim continuamos trabalhando em um ambiente desmotivador. Convivemos com fatores que geram tristeza, desanimo, melancolia, sentimentos que se agravam, quando não há nenhuma expectativa de melhora ou mudança.
Hoje é inegável o fator trabalho como componente de análise entre as possíveis causas de depressão. No Tribunal de Justiça de Minas Gerais os estudos sobre absenteísmo apontam os transtornos mentais e emocionais como o principal fator de afastamento do trabalho.
Segundo Edith Seligmann-Silva, pesquisadora, médica com doutorado em medicina preventiva pela USP “o desgaste mental acontece quando a carga psíquica é maior que a capacidade do trabalhador executar a (sobre)carga de trabalho. Para a autora “Os componentes da carga psíquica podem ser constituídos pelos mais variados sentimentos — medo, repugnância, raiva, vergonha, ou resultam ainda do sentimento de impotência e/ou fracasso na realização das próprias expectativas de desempenho. ”
Afinal, o que tenho que suportar para sobreviver?
Quais são os limites entre sanidade, sofrimento e adoecimento?
Os transtornos mentais e emocionais se manifestam em diferentes sintomas, (choro, insônia, ideia fixa, tristeza…), quadro clínico que evolui do sofrimento para um quadro depressivo.
O desequilíbrio emocional pode ser causado pela mágoa, pela impotência de reagir. Perceber-se sozinho frente a apatia dos colegas, pois o individualismo, que é outra característica do trabalho no mundo globalizado, rompe os laços de solidariedade.
Para falar sobre sofrimento no trabalho e suas consequências para a saúde, convido os servidores do SINJUS, para comparecerem na Roda de Conversa. Saiba mais aqui.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Necessário ampliar o debate para reverter as mudanças

Esse foi o sentimento manifestado por participantes da roda de conversa promovido pelo SITRAEMG neste sábado (16) em BH.


Conforme divulgado pelo SITRAEMG, no ato público realizado em frente ao TRT da Rua Mato Grosso, em Belo Horizonte, na última quinta-feira (14), pelo Dia Nacional de Lutas, Mobilização e Paralisação em Defesa do Serviço Público, contra a Reforma da Previdência e pela revogação da Reforma Trabalhista, os servidores presentes demonstraram ânimo novo para a luta contra os ataques do governo aos trabalhadores e ao serviço público. Não foi diferente na roda de conversa que debateu “Os efeitos da Reforma Trabalhista sobre trabalhadores e trabalhadoras”, na manhã deste sábado (16), na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH). Foram pouco mais de 30 participantes – servidores do Judiciário Federal e da base do Sind-Rede/BH e Serjusmig (da 1ª Instância da Justiça Estadual). Porém, revelaram avidez por discutir e reagir à pauta maldita de Temer, fielmente endossada por um Congresso Nacional constituído por maioria comprovadamente corrupta.


A roda de conversa, promovida pelo SITRAEMG, teve como expositores o auditor fiscal do trabalho Lucas Reis da Silva, o juiz do TRT-2 Jorge Luiz Souto Maior e o assessor da Corregedoria do TRT-3, Renê de Souza Torres, e como “provocadora”, a advogada Maria da Glória Ferreira Trogo, representante dos movimentos sociais.  Coube ao coordenador Henrique Olegário Pacheco fazer a abertura, agradecendo ao Sind-rede/BH pela cessão do espaço, além da presença dos servidores, e ressaltando a importância da realização de eventos que debatem as políticas de retirada de direitos dos trabalhadores. Também estiveram presentes os coordenadores Célio Izidoro e Wallace Marques Coelho, além da advogada Juliana Benício, da assessoria jurídica, e do psicólogo Arthur Lobato, do Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM). Entre os servidores presentes, José Francisco Rodrigues, do TRT, também coordenador do Núcleo Mineiro da Auditoria Cidadã da Dívida. Antes de chamar os expositores para a mesa, a advogada Maria da Glória Ferreira Trogo frisou que a reforma trabalhista aprovada pelo atual governo representa “uma mudança histórica no patamar de um retrocesso secular”.


O coordenador do SITRAEMG Henrique Olegário Pacheco na abertura da roda de conversa

Análise dos expositores


A advogada Maria da Glória Ferreira Trogo, o juiz Jorge Luiz Souto Maior, o auditor fiscal do trabalho Lucas Reis da Silva e o assessor da Corregedoria do TRT Renê de Souza Torres
Primeiro expositor, o servidor do TRT-3 Renê de Souza Torres, classificando a reforma trabalhista como “uma bomba que atinge também os servidores”, lembrou que ela foi aprovada em apenas quatro meses e lamentou o fato de ver, entre os próprios colegas da Justiça do Trabalho, desconhecimento geral relação às reformas e desmotivação diante do corte de verbas que levou à redução do quadro, com demanda tão grande de serviços. Constata-se também diante desse quadro, segundo ele, a ampliação nos índices de adoecimento e de casos de suicídio. Com a reforma, opinou, visa-se encolher a Justiça do Trabalho, que caminha para acabar se transformando em mero juizado. Ele contestou o discurso do governo ao alegar uma crise econômica para justificar as reformas. Na verdade, segundo Torres, as mudança legislativas prejudiciais aos trabalhadores têm como objetivo o aumento dos lucros das empresas, no caso da reforma trabalhista, e, no caso da previdenciária, o desvio de recursos públicos para a iniciativa privada e para o pagamento da dívida pública, em prol dos banqueiros. Sobre a dívida pública, aliás, o assessor da Corregedoria do TRT lembrou que vem discutindo com o SITRAEMG a possibilidade de realizar um grande debate sobre a questão, visando fazer chegar a toda sociedade que o Brasil, apesar de ser um país de riqueza imensurável e abundância em recursos naturais, além de pacífico e praticamente imune a tragédias ambientais, vive um quadro “trágico” de escassez de recursos para os serviços essenciais à população (educação, saúde, habitação, segurança pública, justiça e outros). Tudo isso porque metade do orçamento da União é destinada todo ano ao pagamento apenas dos juros e amortizações da dívida, que não finda nunca, podendo chegar ao final deste ano, segundo a Auditoria Cidadã da Dívida, a R$ 3,4 trilhões.
Já o auditor fiscal Lucas Reis da Silva falou sobre as mudanças nas leis trabalhistas aprovadas pelo Congresso, desconstruindo o discurso do governo em defesa da reforma. A reforma trabalhista na verdade, explicou ele, já havia sido iniciada com a aprovação da lei 13.429/17, que permite a terceirização irrestrita nos serviços públicos e iniciativa privada e o trabalho temporário. A terceirização gera mais acidentes de trabalho, precariza as condições de trabalho, reduz os salários e ocasiona constantes atrasos no pagamento. Já a respeito da lei 13.467/17, da reforma trabalhista, asseverou que as mudanças representam pelo menos três séculos de retrocesso. Ao contrário do que diz o governo, não resolverão o problema do desemprego – tendência é ampliar, como aconteceu, por exemplo, no México e na Espanha– e nem modernizarão as relações de trabalho – também ao contrário disso, precarizarão cada vez mais: o contrato de trabalho intermitente obrigará o trabalhador a ficar à disposição da empresa em casa sem saber quanto irá receber; o contrato de trabalho intermitente amplia de 25 para 30 horas a jornada máxima semanal sem horas extras, mas podendo realizar até seis HE a partir da 25ª hora; a representação por local de trabalho fragiliza o posicionamento e poder de barganha dos trabalhadores; a prevalência do negociado sobre legislado, com a fragilização dos sindicatos, facilita muito mais para o empregador; o teletrabalho impõe uma jornada ilimitada de trabalho. A reforma, comentou o palestrante, chega ao ponto da mesquinhez, por exemplo, ao determinar que o trabalhador já registre o ponto devidamente uniformizado, impedindo-o de trocar de roupa depois do horário de entrada, e atribuir-lhe a obrigação pela higienização do uniforme, e fora do horário de trabalho.
O juiz Jorge Luiz Souto Maior, já conhecido por sua visão humanista, diferenciada no meio da magistratura, concordou com as colocações dos demais expositores, e destacou que eles analisaram “com propriedade” as mudanças relativas à terceirização e leis trabalhistas. Alertou, porém, que o fizeram como se as mudanças ainda virão, quando. na sua opinião, já vêm sendo implementadas há muito tempo. A terceirização, por exemplo, já é praticada há pelo menos 15 anos e atinge 12 milhões de brasileiros. Ela não é só um retrocesso, mas a intensificação de uma degradação das políticas sociais que a sociedade brasileira já vem sofrendo há anos. Quanto à reforma trabalhista, enfatizou que as mudanças significam o fim, mas podem vir a ser ainda muito piores, se não houver reação dos trabalhadores. Para ele, não é o momento de se discutir as leis que trouxeram tais mudanças. Os trabalhadores brasileiros devem parar de “fetichizar” a lógica do direito e reagir, o quanto antes, para que não haja terceirização de forma alguma e que prevaleça uma legislação trabalhista efetiva e justa. Ainda segundo o magistrado, os trabalhadores perderam o senso de classe. Passaram a se denominar apenas como “categoria” e, daqui a pouco, com a intensificação desses ataques que vêm sofrendo, vão ter que lutar individualmente. “Há uma derrota social da classe trabalhadora, que não percebe isso. Temos que reconstruir a consciência de classe”, ensinou. Os sindicatos, apontou, são o caminho para essas mudanças.

Como convencer as pessoas a irem à luta?

Como se tratava de uma roda de conversa, no debate foi dado um tempo maior do que o de costume, para as manifestações. Servidores do TRT que estavam presentes reclamaram dos estragos que o corte orçamentário, imposto pelo governo, trouxe para o Tribunal, esquecendo-se que a Justiça do Trabalho não gasta somente, mas que é também uma instituição arrecadadora. Também foi manifestado o receio de que a terceirização irrestrita gerará o apadrinhamento no serviço público; que a divulgação de escândalos de corrupção no serviço público parece até que são para “distrair” a população, para desviar a atenção das políticas de retiradas de direitos; que os próprios servidores públicos foram coniventes com a ascensão de Temer ao governo, e devem assumir esse erro, por não terem denunciado que o impeachment, na verdade, era um golpe (popularizado como “golpe parlamentar”); mas que, por outro lado, quem votou em Dilma Rousseff deve fazer um mea-culpa assumindo que também votou em Temer. Foi, ainda, pedido aos expositores que indicassem uma “saída” dessa alienação por que passa a classe trabalhadora – como atingir as pessoas?
O coordenador do SITRAEMG Henrique Olegário Pacheco defendeu a criação de uma “escola dos trabalhadores”, enquanto o coordenador Célio Izidoro disse que a realização de cursos de formação sindical poderá contribuir para a saída do imobilismo, preparando os trabalhadores para as lutas. Houve, ainda, denúncia de que os magistrados já fazem até confusão de distinção entre “direitos” e “privilégios”, citando como exemplo o pagamento do auxílio moradia para membros da Magistratura e do Ministério Público que já possuem moradia própria, e até mesmo em duplicidade para casais de membros dessas instituições.

Ampliar o debate das reformas com trabalhadores e população

Os expositores ouviram atentamente as manifestações e foram unânimes em dizer que o único caminho para reverter essa situação crescente de perda de direitos é mobilizar, debater as questões com toda a classe trabalhadora e a população. O juiz do TRT de São Paulo discordou, em parte, com a afirmação de uma servidora de que a JT contribui muito para a arrecadação. Não é mais assim, corrigiu ele. A JT vem se elitizando há muito, concedendo cada dia mais isenções para as empresas.
Depois de tantos lamentos, diante da evidencia de tantas perdas sociais que vem sofrendo a classe trabalhadora, um alento na informação do juiz Jorge Luiz Souto Maior. Salientando que os trabalhadores não são tão alienados como andam dizendo, informou que debates como os realizados neste sábado, apesar da participação ainda pequena das pessoas, vem acontecendo, e de forma constante e crescente, em todo o Brasil. Que aqueles que participam se tornem multiplicadores da conscientização aos demais trabalhadores quanto à necessidade de intensificar a mobilização e luta, como foi dito no ato realizado na última quinta-feita, em frente ao TRT da rua Mato Grosso.

Informações do Nubes sobre iniciativas de bem-estar para servidores do interior

No dia 21 de agosto, o SITRAEMG protocolou ofício na Justiça Federal, direcionado à diretora do Núcleo de Bem-Estar Social (Nubes/MG), Renata Lúcia Pimenta, reivindicando a extensão das atividades, campanhas e eventos promovidos por aquele Núcleo às subseções do interior.
No último dia 6 (de setembro), o SITRAEMG recebeu a resposta da diretora do Nubes/MG, com as seguintes informações:
  • “Em atendimento ao Ofício nº Sec-Sitra 019/2017, de 21 de agosto de 2017, vimos informar que as atividades realizadas, tanto por este Núcleo de Bem-Estar Social (NUBES) quanto pelo Programa de Qualidade de Vida e Bem-Estar dos Magistrados e Servidores da Seção Judiciária de Minas Gerais (PRO-BEM), sempre que possível, são destinadas também aos magistrados e servidores lotados nas Subseções Judiciárias de Minas Gerais, através da utilização de videoconferência.
  • Ressaltamos que todas as ações de saúde e qualidade de vida realizadas na Capital são efetivadas através de parcerias e patrocínios firmados com a rede credenciada do PRO-SOCIAL, Instituições privadas, Sindicados, Associações e afins, praticamente sem custos para a Justiça Federal da Seccional.
  • Importante esclarecer que o Comitê do PRO-BEM, instituído pela Diretoria do Foro, é composto por 6 (seis) servidoras, que desempenham as atribuições do Comitê concomitantemente com as referentes ao cargo que ocupam. Dessa forma, torna-se inviável que o referido Comitê elabore e organize as atividades presenciais em cada Subseção Judiciária do Estado (26 no total), ficando a cargo dos setores administrativos das Subseções o planejamento, organização e execução das ações de qualidade de vida direcionadas aos seus magistrados e servidores, tal como sempre ocorreu desde a implantação do Programa.
  • Dessa forma, acreditamos que as Subseções Judiciárias deverão ser motivadas, através da Diretoria da SECAD, a implementarem ações semelhantes àquelas realizadas na Capital, podendo contar com o apoio deste NUBES, no sentido de orientá-los na elaboração do planejamento das mesmas.”.
O ofício da diretora do Nubes/MG ao Sindicato tem também o “de acordo” da diretora da Secretaria Administrativa (Secad/MG), Eloísa Cruz Moreira de Carvalho.
SITRAEMG atento à saúde do servidor
A resposta da diretora do Nubes/MG é um desdobramento das ações do SITRAEMG na busca de melhorias na qualidade de vida e condições de trabalho dos servidores da Justiça Federal da capital e do interior. Ação que foi desencadeada pela atual diretoria por ocasião da visita que os coordenadores Carlos Humberto Rodrigues e Nestor Santiago, juntamente com o psicólogo Arthur Lobato, responsável técnico pelo Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM), fizeram à administração da Seção Judiciária de Minas Gerais (mais informações AQUI), em 9 de agosto, sendo recebidos pela diretora da Secretaria de Administração (Secad), Eloísa Cruz Moreira de Carvalho; pela diretora do Núcleo de Bem-Estar Social (Nubes/MG), Renata Lúcia Pimenta; pela supervisora da Seção de Projetos de Saúde Ocupacional (Sepso), Amanda Nunes Pires; pela diretora do Núcleo de Recursos Humanos (Nucre), Auxiliadora Gonçalves de Oliveira Amâncio; e pela supervisora da Seção de Modernização Administrativa (Semad), Claudete Iara Rodrigues Grossi.
O SITRAEMG continua “antenado” às questões da saúde do servidor, em todos os tribunais federais, e sempre pronto para buscar as soluções devidas, tanto para a capital quanto para o interior.
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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Fenajud recebe comprovante de protocolo da denúncia sobre violação da liberdade sindical na OIT


O documento protocolizado diz respeito a perseguição sofrida por dirigentes sindicais do SERJUSMIG, bem como de servidores do TJMG, relacionada à campanha salarial veiculada pela entidade sindical em 2015.

A Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (Fenajud) recebeu da Organização Internacional do Trabalho (OIT) o comprovante de protocolo sobre adenúncia feita pela Federação em junho deste ano, que trata da violação de direito de liberdade sindical. O documento é assinado pela Diretora Comercial do Serviço de Liberdade Sindical, do Departamento de Normas Internacionais do Trabalho, Karen Curtis.

No documento recebido pela Fenajud, o Órgão Internacional aponta o número do documento e afirma que recebeu a apresentação da denúncia que contém alegações sobre a violação de liberdade sindical. “De conformidade com o procedimento em vigor, o conteúdo da comunicação será transmitido ao Governo para que se manifeste sobre o caso”.

"Depois de recebido a resposta do Governo, o conteúdo será examinado pela Comissão de Liberdade Sindical e Conselho de Administração. Após o recebimento do material pela Fenajud a entidade terá um prazo de 30 dias para se enviar informações complementares sobre o caso", diz outro texto do documento.

O documento protocolizado - por meio de seus dirigentes Luiz Fernando Souza, Israel Borges, Maria José Silva e Eduardo Nunes - durante o maior evento global sobre o mundo do trabalho, em junho deste ano, diz respeito a perseguição sofrida por dirigentes sindicais do SERJUSMIG (Sindicato dos Servidores da Justiça de Primeira Instância do Estado de Minas Gerais), bem como de servidores do TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), relacionada à campanha salarial veiculada pela entidade sindical em 2015.

Desde que os fatos aconteceram, ainda em 2015, o SERJUSMIG os denunciou em Encontro da Fenajud e, desde então, em todos os eventos promovidos pela Federação o assunto foi de uma forma ou de outro discutido. Algumas medidas foram tomadas pela entidade, sendo elas: a expedição de moção de apoio da Federação ao SERJUSMIG e aos Servidores processados, bem como o peticionamento da Fenajud para ingressar nos processos judiciais como terceira interessada. Além disso, durante o IV Encontro de Comunicação dos dirigentes de várias partes do país declararam apoio à entidade.

 Publicado em: http://www.fenajud.org.br

Sindicato debate os efeitos da reforma trabalhista

Para conversar com o servidor sobre os impactos da reforma trabalhista no Poder Judiciário, o SITRAEMG promoverá, no próximo dia 16/09, o evento “Despertar com o Sindicato”. O objetivo é debater as alterações na CLT e construir um enfrentamento a retirada de direitos junto com os trabalhadores das Justiça.
O debate terá participação do auditor fiscal do trabalhador, Lucas Reis da Silva; o Juiz do TRT-2, Jorge Luiz Souto Maior; o assessor da Corregedoria do TRT-3, Renê de Souza Torres; e a advogada Maria da Glória Ferreira Trogo, convidada para provocar e fomentar ainda mais a conversa.
A roda de conversa acontecerá em um sábado (16/09), a partir das 8h30, na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (SindRede – BH), na Avenida Amazonas, 491, Centro.

SINJUS APURA CASOS DE INSALUBRIDADE NA SEDE DO TJMG

QUINTA-FEIRA, 14/09/17 18:23

Gemap esclarecem situação aos servidores da Comed.
Na tarde dessa quarta-feira (13/9), o diretor de Formação e Política Sindical do SINJUS-MG, Jonas Araújo, esteve na Coordenação de Estruturação de Medidas Urgentes (Comed) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para verificar as reclamações de que os servidores do setor estão sendo submetidos a condições insalubres. No encontro, o dirigente conversou com as pessoas que trabalham no local, localizado no subsolo da nova sede do Tribunal.
As principais reclamações dos servidores foram quanto a ruídos acima do tolerável, resfriamento desigual na sala pelo ar condicionado, falta de ventilação e maus odores. Todos os casos são agravados pela falta de janelas na sala onde se localiza o setor.

Em retorno às demandas apresentadas, Jonas Araújo e Renato Braz estiveram no referido setor. O representante da Gemap esclareceu aos servidores que as obras de adequação ainda não foram finalizadas e que estão elas sob a responsabilidade da Gerência de Fiscalização de Obras (Geob). O prazo contratual para o término do trabalho é até o final deste mês de setembro.
Após ouvir os relatos acerca das condições de trabalho, os representantes do SINJUS fizeram contato com o supervisor de obras e engenharia, Renato Braz, e com a assistente executiva, Renata de Souza, ambos da Gerência de Manutenção, Instalações Prediais e Controle do Patrimônio Imobiliário (Gemap), para apresentar e tratar das reclamações mencionadas.
O SINJUS está acompanhando essa e outras obras na nova sede e pede aos servidores formalizem as suas reclamações junto aos setores competentes do Tribunal, cobrando soluções para os problemas. Caso não haja resposta da Administração do TJMG ou ela seja insatisfatória, os servidores devem acionar o Sindicato.

SINJUS COBRA CRIAÇÃO DO COMITÊ DE SAÚDE DENTRO DO TJ


GESTÃO
Neste mês, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) publicou portaria criando um grupo de trabalho (GT) para combater o absenteísmo. Os estudos de absenteísmo, que colocam as doenças mentais ou comportamentais e as doenças osteomusculares como as primeiras da lista, refletem o que a própria Organização Internacional do Trabalho (OIT) já vem alertando aos governos, empregadores e empregados, incluindo à administração pública: essas doenças “juntas representam 41% dos dias de licença saúde”. São causas e perda de produtividade e de eficiência organizacionais.
A criação do GT é uma importante iniciativa, porém o Tribunal continua negligenciando as Resoluções207/2017 (visando instituir Política de Atenção Integral à Saúde de magistrados e servidores) e 240/2016(sobre a Política de Gestão de Pessoas), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ambas amparadas da ideia de governança colaborativa, com a efetiva participação das entidades representativas de servidores e magistrados.
O Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância do Estado de Minas Gerais (SINJUS-MG) entende que o Tribunal está na contramão destas resoluções na medida em que deixa de instituir os comitês gestores locais de Saúde e de Gestão de Pessoas. Esses são, por força das determinações do CNJ, indiscutivelmente mais amplos e mais concretos.
“Aliás, o absenteísmo é tão somente um dos muitos aspectos que ajudam a compreender que saúde, segurança no trabalho, valorização e humanização no ambiente de trabalho têm que estarem imbricados, inclusive tendo em vista a questão dos custos financeiros e humanos, que obviamente influenciam na qualidade da prestação da justiça aos cidadãos”, ressalta o diretor de Formação e Política Sindical  do SINJUS, Jonas Araújo. Somente em 2015, segundo dados do próprio TJMG, os afastamentos por licença saúde dos servidores e magistrados tiveram um impacto superior a R$ 69 milhões (veja o documento completo).
Desde 15 de outubro de 2015 que o TJMG não se propõe a efetivar a Resolução 207/2015 do CNJ, que à época, estabeleceu um prazo de 90 dias para que os tribunais instituíssem os seus comitês. O SINJUS levou este assunto à Presidência do Tribunal, que chegou a solicitar a indicação dos representantes do sindicato. Indicamos, porém, até hoje, nada foi feito de concreto.
O TJMG não criou o Comitê Gestor Local de Saúde, conforme arts 8º a 12 daquela resolução. Vejamos os ofícios nº 30/2016 e 133/2016. Embora uma boa iniciativa, a notícia da criação do GT para combater o absenteísmo é claramente insuficiente e pode mesmo sinalizar que a administração do TJMG pretende postergar a criação dos Comitês com a participação dos servidores e magistrados. Isso é incompreensível!
“O Comitê Gestor Local de Saúde certamente é uma estrutura mais ampla, cujas atribuições abarcam o conjunto de ações necessárias para a prevenção e promoção da saúde biopsicossocial dos servidores e magistrados, incluindo uma maior responsabilização da estrutura (organograma) e do planejamento estratégico da Alta Direção do Tribunal de Justiça. Não é fortuito o fato de a própria Resolução 240/016 ter incorporado a Resolução 207/2015”, diz Jonas Araújo.
É preciso coragem para enfrentar esses desafios no tocante à saúde e à gestão de pessoas.  Em 2015, cerca de 28,3% dos magistrados e 42,6% dos servidores tiveram que se licenciar do trabalho por motivo de saúde durante o ano.  Nós todos, servidores e magistrados, não podemos mais aguardar indefinidamente essa situação. Que seja logo constituído os comitês representativos de todos os integrantes do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

NÚCLEO DE SAÚDE: INFORMAÇÕES, ATENDIMENTOS E CONVÊNIOS EM UM SÓ LUGAR


A necessidade de criar um grupo específico para monitorar, constantemente, as questões relativas à saúde dos servidores fez surgir, em 2016, o Núcleo de Saúde do SINJUS-MG. Por meio de atendimentos, serviços gratuitos, estudos e debates, o objetivo do Núcleo é oferecer melhor qualidade de vida para o filiado dentro e fora do ambiente de trabalho. Como a discussão sobre as demandas dessa área vem ganhando cada vez mais importância, o Núcleo acaba de ganhar no novo site do Sindicato, um menu exclusivo!
No espaço, é possível conhecer um pouco mais sobre cada área de atuação do Núcleo: a Clínica do Trabalho, que disponibiliza atendimento psicológico individual com o psicólogo Arthur Lobato; o trabalho realizado no combate do Assédio Moral nos Tribunais de Justiça e Justiça Militar, por meio das comissões paritárias e do Plantão de Atendimento oferecido; os estudos e pesquisas produzidos pelos nossos especialistas que buscam aprofundar e entender as necessidades dos servidores e buscar melhorias e a “Roda de Conversa”, que sempre leva a categoria a expor problemas nas condições de trabalho, levando os servidores a refletir sobre a demanda, dialogar e buscar soluções junto a especialistas.
No menu também está disponibilizada uma parte importante do trabalho do Sindicato que envolve a saúde dos servidores: os convênios e atendimentos oferecidos. O SINJUS sempre entendeu como um dever a busca constante por formas de melhorar a qualidade de vida dos seus filiados. Por isso, durante todos esses anos, além de promover debates e seminários com especialistas nos diversos campos da saúde e de manter o tema em pauta constante no CONSINJUS, a entidade fechou parcerias e ofereceu atividades visando o bem-estar dos servidores. Em 2017, estamos renovando o setor, trazendo convênios de peso e com descontos ainda mais significativos.
O SINJUS oferece atendimento psicológico, jurídico, nutricional e, para os momentos mais difíceis, o auxílio-funeral. No menu “Atendimentos” é possível conhecer mais sobre os serviços disponíveis e preencher um formulário para agilizar a marcação da consulta ou do serviço.
Sabemos que com o passar dos anos, a rotina laboral se modifica, surgem novas tecnologias e diferentes formas de trabalho. Surgem também novas discussões e problemas envolvendo a saúde dos servidores. É preciso acompanhar de perto essas mudanças. É por isso, que neste espaço dedicado inteiramente à sua saúde no nosso Portal, você, filiado, estará por dentro das últimas informações publicadas. Fique de olho na programação das atividades, cursos e debates que serão realizados e se informar sobre as novas parcerias que fechamos para você.

Setembro Amarelo: Mês de prevenção ao suicídio

Por Arthur Lobato Psicólogo da Saúde do Trabalhador, responsável Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral do SITRAEMG, e Membro Comitê Gestor de Saúde TRT e TRE
Setembro é o mês de uma campanha pouco divulgada, o setembro amarelo, que trata da prevenção ao suicídio. Esta campanha idealizada pelo CVV, Centro de Valorização da Vida, enfrenta resistências tanto pessoais quanto institucionais, pois o suicídio é um tema tabu, o que causa dificuldades em entender as motivações e outros fatores para uma campanha de prevenção com o objetivo de evitar este ato de renegar a própria vida, muitas vezes para por fim a um sofrimento, a uma angustia insuportável, ato que gera dor e sofrimento aos parentes, pessoas queridas e colegas de trabalho que não puderam ajudar ou impedir este ato radical: o auto extermínio. 
Segundo os dados do CVV são 32 brasileiros mortos por dia, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer.
“Foi necessário o esforço coletivo, liderado por pessoas corajosas e organizações engajadas, para quebrar esses tabus, falando sobre o assunto, esclarecendo, conscientizando e estimulando a prevenção para reverter esse cenário.”
Iniciado no Brasil pelo CVV (Centro de Valorização da Vida)CFM (Conselho Federal de Medicina)ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), oSetembro Amarelo realizou as primeiras atividades em 2014 concentradas em Brasília. Em 2015 já conseguiu uma maior exposição com ações em todas as regiões do país. Mundialmente, o IASP – Associação Internacional para Prevenção do Suicídio estimula a divulgação da causa, vinculado ao dia no qual se comemora o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Em Belo Horizonte, no dia 10 de setembro de 2017, houve uma caminhada na Praça da Liberdade reforçando a importância de discutir o tema.
O editor-chefe do Diário Gaúcho, Carlos Etchichury, lembrou que mil pessoas morrem no estado todos os anos por suicídio. Para ele, entre abordar mal o assunto e o silêncio, é preferível o segundo caminho, pois o tema exige responsabilidade e respeito. “O limite é sempre esse. Falar com respeito, evitar expor as pessoas, a família”, destacou.
Suicídio e sua relação com o trabalho: extratos do livro “Do Assédio Moral, a morte em Si – Significados sociais do suicídio no trabalho:
“A relação entre suicídio e trabalho, é um dos relevantes temas da atualidade, apesar de pouco discutido e reconhecido entre diferentes esferas do saber e das praticas sociais.”
Por isso, analisar a morte em si e seu nexo com o trabalho, entre outros fenômenos relacionados às agruras vividas pelos trabalhadores, significa aprender importantes aspectos das múltiplas determinações relacionadas às motivações do suicídio. Busca-se assim superar a visão de que essa forma de morrer é consequência imediata de transtornos mentais, da baixa resiliência ou de visões moralistas e cheias de julgamentos de valor. A forma de inserção do trabalhador no mundo do trabalho e das relações de sujeição que se estabelecem, explicitam as próprias formas de organização e apropriação do trabalho e que se caracterizam por um lado, com os novos modos de produção dos meios de vida nas mãos de poucos e por outro lado, na degradação da existência da classe trabalhadora.
Desse modo, a relação entre suicídio e trabalho é um processo sócio histórico cuja gênese esta assentada nas causas econômicas e políticas, manifestando se no experenciado enquanto necessidade do eu, submetido aos sofrimentos e às dores físicas e subjetivas. Portanto, o suicídio é uma denúncia do vivido e da violência sofrida.”
Segundo a doutora Margarida Barreto e Selma Venco, o trabalho enquanto atividade humana dá  sentido à vida, fortalecendo a identidade e dignidade do trabalhador, conquanto que haja liberdade, respeito ao outro, justiça, respostas solidárias entre e no coletivo de trabalhadores. Caso contrário pode se tornar causa de dor, sofrimento imposto, doenças, acidentes e morte por suicídio.
Sem o sentido que dá significado ao trabalho, a vítima busca soluções equivocadas e como não há respostas, a vítima pode ser violenta com outra pessoa ou consigo mesmo, uma das razões do suicídio. É o auge de um processo,  introjetado, extremamente violento contra o sujeito, o cidadão, o trabalhador, que não pode mais “suportar o insuportável”.
O professor doutor Roberto Heloani afirma:  “Inúmeros são os fatores que contribuem para o aumento e tentativas de suicídios, assim como a esquizofrenia, o alcoolismo, a dependência de drogas o transtorno de personalidade, que de forma implícita ou explicita relacionam-se com a depressão, a qual parece exercer um papel central no problema. Os sentimentos de culpa e desespero que acometem o depressivo podem leva-lo a crer que de fato merece morrer ou então que é preferível morrer a ter que viver como vive. É consideravelmente difícil estabelecer a relação precisa entre depressão e suicídio, porém num estudo envolvendo 134 suicídios foi constatado que 94% dessas pessoas tinham estado sob tratamento psiquiátrico antes do ato suicida e que 45% encontravam-se deprimidos (Mendels, 1972).”
“O que é desprezado, ou melhor, omitido de forma sistemática e curiosa pelos estudiosos do tema do suicídio, é a forte relação entre este fenômeno e aquilo que na sociedade moderna é fator estruturante de nossa identidade pessoal e profissional, ou seja, o trabalho.”
Explicando melhor: relacionarmos o suicídio à depressão é correto e tal assertiva  é escoltada por robusta empiria. É inegável. Parece-nos  estranho, é que o trabalho – gerador de tanto sofrimento, angústia e depressão – não seja mencionado, na maior parte das pesquisas, dos estudos, congressos e simpósios e seminários que tratam do suicídio.”
O pesquisador Christopher Dejours afirma que os suicídios no trabalho seriam associados às transformações da organização do trabalho, que conduzem a uma degradação do “viver juntos” nas organizações, em particular a individualização da avaliação de desempenho e a falta de reconhecimento (Dejours 2009).
*O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e voip 24 horas todos os dias. Basta entrar em contato pelo número 141, ou pelo site www.cvv.org.br

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

V SEMINÁRIO CATARINENSE SOBRE PREVENÇÃO AO ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO & I CONGRESSO SOBRE RISCOS PSICOSSOCIAIS E SAÚDE NAS ORGANIZAÇÕES E NO TRABALHO


Publicado em http://neppot.ufsc.br/


As mudanças sociais, econômicas e políticas na contemporaneidade, de modo especial no mundo do trabalho, têm promovido novos desafios de análise e intervenção. As formas de organização, as relações interpessoais e as condições do trabalho têm apresentado diferentes necessidades e riscos, potenciais causadores de danos psicológicos, sociais e/ou físicos aos trabalhadores. Os riscos psicossociais no trabalho, e assédio moral como um exemplo, podem comprometer a saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores, bem como o desempenho organizacional.
Neste evento, visando discutir aspectos fundamentais da segurança e saúde dos trabalhadores no atual quadro social. Dentre as temáticas inclui-se as ocorrências de assédio moral no trabalho, as violações dos direitos humanos, as questões jurídicas e seus encaminhamentos, a relação com a cultura e gestão organizacionais, os aspectos relacionados a gênero e discriminações, adoecimento e afastamento do trabalho. O V SEMINÁRIO CATARINENSE DE PREVENÇÃO AO ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO e I CONGRESSO SOBRE RISCOS PSICOSSOCIAIS E SAÚDE NAS ORGANIZAÇÕES E NO TRABALHO, será realizado nos dias 22, 23 e 24 de novembro em Florianópolis/SC, nas dependências da Universidade Federal de Santa Catarina, campus Trindade.
O objetivo principal do evento é divulgar, refletir e discutir as formas de análise, prevenção, intervenção e monitoramento dos riscos psicossociais e do assédio moral no trabalho. Para tanto, ocorrerão palestras com pesquisadores e profissionais referências na região sul do país, e no Brasil, mesas redondas e apresentações de relatos de investigação científica, casos e experiências.
Contamos com a presença de trabalhadores, empregadores, gestores, profissionais da saúde, acadêmicos e membros da sociedade de forma geral, para que este seminário possa além de apresentar informações relevantes sobre as temáticas, transformar a percepção do seu participante em relação a estas formas de riscos presentes no ambiente de trabalho. Para tanto, convidamos a todos a se inscrever como participante, ou relatando pesquisas e intervenções desenvolvidas ou experiências vivenciadas.
Contamos com a presença de todos para prestigiar o evento!
Atenciosamente,

Comissão Organizadora