quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Metas absurdas e PJe levam a assédio moral e adoecimento de servidores


Por Eduardo Wendhausen Ramos

Nos dias 10 e 11 de outubro, trabalhadores do Judiciário estiveram no Hotel Nacional, em Brasília, para participar do II Seminário Nacional da Fenajufe sobre Saúde do Servidor e PJe (Processo Judicial Eletrônico). O destaque dos debates foi a preocupação com o aumento do assédio moral e do adoecimento dos servidores a partir dos novos modelos de gestão, incluindo a implantação do PJe e o estabelecimento de metas. Também foi manifestada preocupação com o crescente número de casos de suicídio no Judiciário, com o agravante de que nunca é reconhecido o nexo com o trabalho. A abertura do Seminário foi realizada pelos coordenadores da Fenajufe, Cledo Vieira, Eugênia Lacerda, Inês de Castro, Jaqueline Albuquerque e Mara Weber.

A primeira mesa teve como tema a “reestruturação produtiva no PJU: realidade das condições de trabalho e saúde de servidores e magistrados, metas, processo eletrônico e qualidade da prestação jurisdicional”. Os painelistas foram Dionizio Gomes Avalhaes, representante da Fenajud (Federação Nacional dos Servidores do Judiciário nos Estados), e Mara Rejane Weber, coordenadora geral da Fenajufe. Essa mesa foi importante para mostrar que, tanto no Judiciário Federal como no Estadual, os servidores enfrentam problemas muito semelhantes no que diz respeito ao adoecimento funcional.

Dionizio Gomes Avalhaes citou a interferência do Banco Mundial no Judiciário como um todo. “É um jogo econômico que visa a mudar o processo produtivo, cuja principal vitima é o trabalhador”, disse ele. Ele também fez referência ao estabelecimento de metas absurdas pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) como causa de grandes problemas para os trabalhadores. Segundo Dionízio, “o CNJ, na prática, está propondo que sejam feitos exames periódicos em todos os trabalhadores, mas por trás disso está a tentativa de desviar a atenção sobre quem realmente é o responsável pelo adoecimento do servidor, passando a culpa para o próprio servidor. O CNJ quer que os servidores mudem seus hábitos da vida quotidiana, mas ignoram os problemas que geram adoecimento dentro do próprio ambiente de trabalho.” Ele também denunciou a precarização do trabalho nos tribunais de justiça e deu o exemplo de um projeto para criar postos avançados do judiciário, em convenio com prefeituras, terceirizando o trabalho para as prefeituras, buscando a diminuição do número de comarcas e de servidores.

Mara Weber disse que os servidores públicos ainda estão à margem das discussões sobre saúde do trabalhador. “No PJU, a gente está caminhando, mas no MPU a situação está ainda pior”, afirmou. Ao falar sobre a reestruturação produtiva do CNJ, ela denunciou a transposição de modelos de gestão da iniciativa privada para o serviço público, com a lógica de fazer mais com menos. Para Mara, “isso é uma reforma do Judiciário para atender as necessidades do mercado e o resultado desse processo é terrível para os servidores, com intensificação do trabalho, metas abusivas (fixadas empiricamente), cobranças individualizadas, aumento do assédio moral, encolhimento do quadro de servidores, extinção de setores (como a recente decisão do TRF4 de extinguir as secretarias de turmas) e cargos, aumento da terceirização, aumento do adoecimento físico e mental da categoria a partir da implementação do processo eletrônico”.
A segunda mesa debateu os novos modelos de gestão e saúde no trabalho (metas/intensificação, gestão por competência, GD). O painelista foi Álvaro Merlo, professor e médico do trabalho que atua na área de Psicologia, com ênfase em Psicodinâmica e Clínica do Trabalho, e na área da Medicina, com ênfase em Medicina do Trabalho. Ao atender doenças do trabalho, cerca de 60 a 80 pacientes por semana, ele constatou que, nos últimos cinco ou seis anos, os principais problemas são de saúde mental, mas as pessoas não procuram ajuda por esse motivo, mas sim por fatores ligados a dores musculares. É preciso perguntar ao paciente como anda seu trabalho.

Álvaro Merlo afirma que o reconhecimento ao trabalho realizado é fundamental e os processos de assedio moral começam com a quebra do reconhecimento, desumanizando o trabalhador. E isso para o ser humano é insuportável, pois as pessoas não vão ao trabalho simplesmente por causa do salário, mas para construir sua identidade. “Do ponto de vista psíquico, o trabalho serve para construir a identidade; e a identidade é a âncora da saúde mental”, afirmou. Ele ainda citou Freud, para quem a pessoa tem dois pilares: vida amorosa e trabalho.

Segundo Merlo, as agressões produzidas pela organização do trabalho podem provocar um sofrimento psíquico (transtornos depressivos, estresse e patologias somáticas) e a passagem para o adoecimento vai depender das condições de trabalho e da história singular do trabalhador. Essa prática vem crescendo com a política de metas, a partir da transformação das relações na economia, basicamente a partir dos anos 80.
A terceira mesa teve como tema “saúde das servidoras e servidores em tempos de intensificação tecnológica do trabalho, gestão por competência e teletrabalho: diagnóstico e medidas de prevenção”. O painelista foi Rogério Dornelles, médico, pós-graduado em medicina do trabalho e assessor do Fórum de Saúde do Trabalhador e pesquisador em colaboração com o Laboratório de Psicodinâmica do Trabalho. Ele apresentou uma pesquisa realizada durante implementação do processo eletrônico, na Justiça Federal do Rio Grande do Sul. Ele concluiu que o PJe é um sistema inacabado e ruim, que faz com que aumente o esforço dos servidores para cumprirem as metas.

De acordo com os dados apresentados por Dornelles, o PJe está intimamente ligado às doenças que os servidores vem apresentando, como aquelas decorrentes da exposição excessiva dos olhos à luz do computador (dor e ardência, ressecamento e cansaço da vista, além de embaralhamento e desfoque), deficiências osteomusculares (problemas no pescoço, costas, ombros, braços e pernas) além de sofrimentos de ordem mental, que os levam a recorrerem a antidepressivos, ansiolíticos, remédios para dormir, fisioterapia e outros tipos de tratamentos. Onde está implementado o processo eletrônico, o chefe passou a cobrar mais veementemente o cumprimento das metas, aumentando a freqüência de assedio moral.
Dornelles enfatizou o grande domínio do capital financeiro sobre todas as etapas de produção e apontou para seu modo cruel de ser, pois não tem cara e só tem a função de produzir mais dinheiro. Ele alerta para a necessidade de mudar o conceito atual da vida, no qual o trabalho é prioridade, subentendendo que este trabalho dará condição ao trabalhador para consumir. “Cuidado com isso. Temos que inverter essa lógica. O consumo tem que servir a gente, e não ao contrário.

A quarta mesa foi sobre “experiências dos estados: apresentação das pesquisas e trabalhos realizados”. Álvaro Merlo apresentou pesquisa feita pelo Sintrajufe/RS, em 2008, especificamente com oficiais de justiça. A enfermeira Socorro Alécio, do Sindjus/AL, mostrou um trabalho de identificação de fatores de adoecimento da Justiça Federal, realizado com 150 servidores do Fórum de Maceió. O psicólogo Daniel Luca, assessor do Sintrajud/SP, que faz um trabalho principalmente voltado ao combate ao assedio moral, apresentou pesquisa realizada em 2007. Soraia Garcia e Helena Cruz, da coordenação de saúde do Sisejufe/RJ, mostraram como foi a campanha “Sua Saúde é Nossa Pauta”, realizada pelo sindicato.

A quinta mesa tratou dos “novos modelos de gestão: novos modelos de violência e intensificação do assédio moral”, com o painelista Roberto Heloani, professor Titular e pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, na área de Gestão, Saúde e Subjetividade, e professor conveniado junto à Université de Nanterre (Paris X). Ele trabalha com pesquisa sobre assédio moral há 16 anos e com saúde mental no trabalho há mais de 25 anos. Sua definição para assédio moral é “uma conduta abusiva, intencional, frequente, que ocorre no ambiente de trabalho e que visa a diminuir, humilhar, vexar, constranger, desqualificar e demolir psiquicamente um individuo ou um grupo, degradando as suas condições de trabalho, atingindo a sua dignidade e colocando em risco a sua integridade pessoa e profissional”.
Roberto Heloani faz questão de descaracterizar o assédio moral como ação individual, pois a organização é solidária, portanto responsável. Para ele, “todo o assedio é organizacional, afinal de contas ele se passa no espaço organizacional”. Ao fazer um apanhado histórico, ele lembra que nos anos 80 houve um processo internacional, o pós-fordismo. O projeto neoliberal surgiu então como um novo conceito de Estado, que diz que o Estado tem que ser reduzido ao mínimo e boa parte de suas funções devem ser realizadas pela iniciativa privada. Esse é o modelo de Estado que está por trás desse gerencialismo que vem tomando conta também do serviço público. A partir daí, quanto mais o capital financeiro é fortalecido, menor a necessidade de ter um Estado atuante.

Com relação ao estabelecimento de metas, onde o que interessa é a quantidade, não a qualidade, ele afirma que se trata de um modelo antiético e que o assedio moral acaba acontecendo mais onde as metas são exageradas. “O modelo gerencialista está condenado porque está se comendo por dentro, pois está gerando pessoas que só pensam no seu umbigo, esquecendo o trabalho em grupo. Isso gera grande infidelidade, pois as pessoas passam a não ser leal com quem não é leal com elas”, enfatiza. Outra crítica de Heloani é direcionada ao home-office, que ele considera uma falácia. Segundo ele, o trabalho em casa é bom para quem manda trabalhar em casa, não para quem executa, pois sempre terá que produzir mais.

FONTE: Fenajufe

Estabelecimento de metas absurdas e PJe impulsionam assédio moral e adoecimento de servidores


Nos dias 10 e 11 de outubro, trabalhadores do Judiciário estiveram no Hotel Nacional, em Brasília, para participar do II Seminário Nacional da Fenajufe sobre Saúde do Servidor e PJe (Processo Judicial Eletrônico). O destaque dos debates foi a preocupação com o aumento do assédio moral e do adoecimento dos servidores a partir dos novos modelos de gestão, incluindo a implantação do PJe e o estabelecimento de metas. Também foi manifestada preocupação com o crescente número de casos de suicídio no Judiciário, com o agravante de que nunca é reconhecido o nexo com o trabalho. A abertura do Seminário foi realizada pelos coordenadores da Fenajufe, Cledo Vieira, Eugênia Lacerda, Inês de Castro, Jaqueline Albuquerque e Mara Weber.
A primeira mesa teve como tema a “reestruturação produtiva no PJU: realidade das condições de trabalho e saúde de servidores e magistrados, metas, processo eletrônico e qualidade da prestação jurisdicional”. Os painelistas foram Dionizio Gomes Avalhaes, representante da Fenajud (Federação Nacional dos Servidores do Judiciário nos Estados), e Mara Rejane Weber, coordenadora geral da Fenajufe. Essa mesa foi importante para mostrar que, tanto no Judiciário Federal como no Estadual, os servidores enfrentam problemas muito semelhantes no que diz respeito ao adoecimento funcional.
Dionizio Gomes Avalhaes citou a interferência do Banco Mundial no Judiciário como um todo. “É um jogo econômico que visa a mudar o processo produtivo, cuja principal vitima é o trabalhador”, disse ele. Ele também fez referência ao estabelecimento de metas absurdas pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) como causa de grandes problemas para os trabalhadores. Segundo Dionízio, “o CNJ, na prática, está propondo que sejam feitos exames periódicos em todos os trabalhadores, mas por trás disso está a tentativa de desviar a atenção sobre quem realmente é o responsável pelo adoecimento do servidor, passando a culpa para o próprio servidor. O CNJ quer que os servidores mudem seus hábitos da vida quotidiana, mas ignoram os problemas que geram adoecimento dentro do próprio ambiente de trabalho.” Ele também denunciou a precarização do trabalho nos tribunais de justiça e deu o exemplo de um projeto para criar postos avançados do judiciário, em convenio com prefeituras, terceirizando o trabalho para as prefeituras, buscando a diminuição do número de comarcas e de servidores.
Mara Weber disse que os servidores públicos ainda estão à margem das discussões sobre saúde do trabalhador. “No PJU, a gente está caminhando, mas no MPU a situação está ainda pior”, afirmou. Ao falar sobre a reestruturação produtiva do CNJ, ela denunciou a transposição de modelos de gestão da iniciativa privada para o serviço público, com a lógica de fazer mais com menos. Para Mara, “isso é uma reforma do Judiciário para atender as necessidades do mercado e o resultado desse processo é terrível para os servidores, com intensificação do trabalho, metas abusivas (fixadas empiricamente), cobranças individualizadas, aumento do assédio moral, encolhimento do quadro de servidores, extinção de setores (como a recente decisão do TRF4 de extinguir as secretarias de turmas) e cargos, aumento da terceirização, aumento do adoecimento físico e mental da categoria a partir da implementação do processo eletrônico”.

A segunda mesa debateu os novos modelos de gestão e saúde no trabalho (metas/intensificação, gestão por competência, GD). O painelista foi Álvaro Merlo, professor e médico do trabalho que atua na área de Psicologia, com ênfase em Psicodinâmica e Clínica do Trabalho, e na área da Medicina, com ênfase em Medicina do Trabalho. Ao atender doenças do trabalho, cerca de 60 a 80 pacientes por semana, ele constatou que, nos últimos cinco ou seis anos, os principais problemas são de saúde mental, mas as pessoas não procuram ajuda por esse motivo, mas sim por fatores ligados a dores musculares. É preciso perguntar ao paciente como anda seu trabalho.
Álvaro Merlo afirma que o reconhecimento ao trabalho realizado é fundamental e os processos de assedio moral começam com a quebra do reconhecimento, desumanizando o trabalhador. E isso para o ser humano é insuportável, pois as pessoas não vão ao trabalho simplesmente por causa do salário, mas para construir sua identidade. “Do ponto de vista psíquico, o trabalho serve para construir a identidade; e a identidade é a âncora da saúde mental”, afirmou. Ele ainda citou Freud, para quem a pessoa tem dois pilares: vida amorosa e trabalho. 
Segundo Merlo, as agressões produzidas pela organização do trabalho podem provocar um sofrimento psíquico (transtornos depressivos, estresse e patologias somáticas) e a passagem para o adoecimento vai depender das condições de trabalho e da história singular do trabalhador. Essa prática vem crescendo com a política de metas, a partir da transformação das relações na economia, basicamente a partir dos anos 80.
A terceira mesa teve como tema “saúde das servidoras e servidores em tempos de intensificação tecnológica do trabalho, gestão por competência e teletrabalho: diagnóstico e medidas de prevenção”. O painelista foi Rogério Dornelles, médico, pós-graduado em medicina do trabalho e assessor do Fórum de Saúde do Trabalhador e pesquisador em colaboração com o Laboratório de Psicodinâmica do Trabalho. Ele apresentou uma pesquisa realizada durante implementação do processo eletrônico, na Justiça Federal do Rio Grande do Sul. Ele concluiu que o PJe é um sistema inacabado e ruim, que faz com que aumente o esforço dos servidores para cumprirem as metas.
De acordo com os dados apresentados por Dornelles, o PJe está intimamente ligado às doenças que os servidores vem apresentando, como aquelas decorrentes da exposição excessiva dos olhos à luz do computador (dor e ardência, ressecamento e cansaço da vista, além de embaralhamento e desfoque), deficiências osteomusculares (problemas no pescoço, costas, ombros, braços e pernas) além de sofrimentos de ordem mental, que os levam a recorrerem a antidepressivos, ansiolíticos, remédios para dormir, fisioterapia e outros tipos de tratamentos. Onde está implementado o processo eletrônico, o chefe passou a cobrar mais veementemente o cumprimento das metas, aumentando a freqüência de assedio moral.
Dornelles enfatizou o grande domínio do capital financeiro sobre todas as etapas de produção e apontou para seu modo cruel de ser, pois não tem cara e só tem a função de produzir mais dinheiro. Ele alerta para a necessidade de mudar o conceito atual da vida, no qual o trabalho é prioridade, subentendendo que este trabalho dará condição ao trabalhador para consumir. “Cuidado com isso. Temos que inverter essa lógica. O consumo tem que servir a gente, e não ao contrário.”
A quarta mesa foi sobre “experiências dos estados: apresentação das pesquisas e trabalhos realizados”. Álvaro Merlo apresentou pesquisa feita pelo Sintrajufe/RS, em 2008, especificamente com oficiais de justiça. A enfermeira Socorro Alécio, do Sindjus/AL, mostrou um trabalho de identificação de fatores de adoecimento da Justiça Federal, realizado com 150 servidores do Fórum de Maceió. O psicólogo Daniel Luca, assessor do Sintrajud/SP, que faz um trabalho principalmente voltado ao combate ao assedio moral, apresentou pesquisa realizada em 2007. Soraia Garcia e Helena Cruz, da coordenação de saúde do Sisejufe/RJ, mostraram como foi a campanha “Sua Saúde é Nossa Pauta”, realizada pelo sindicato.
A quinta mesa tratou dos “novos modelos de gestão: novos modelos de violência e intensificação do assédio moral”, com o painelista Roberto Heloani, professor Titular e pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, na área de Gestão, Saúde e Subjetividade, e professor conveniado junto à Université de Nanterre (Paris X). Ele trabalha com pesquisa sobre assédio moral há 16 anos e com saúde mental no trabalho há mais de 25 anos. Sua definição para assédio moral é “uma conduta abusiva, intencional, frequente, que ocorre no ambiente de trabalho e que visa a diminuir, humilhar, vexar, constranger, desqualificar e demolir psiquicamente um individuo ou um grupo, degradando as suas condições de trabalho, atingindo a sua dignidade e colocando em risco a sua integridade pessoa e profissional”.
Roberto Heloani faz questão de descaracterizar o assédio moral como ação individual, pois a organização é solidária, portanto responsável. Para ele, “todo o assedio é organizacional, afinal de contas ele se passa no espaço organizacional”. Ao fazer um apanhado histórico, ele lembra que nos anos 80 houve um processo internacional, o pós-fordismo. O projeto neoliberal surgiu então como um novo conceito de Estado, que diz que o Estado tem que ser reduzido ao mínimo e boa parte de suas funções devem ser realizadas pela iniciativa privada. Esse é o modelo de Estado que está por trás desse gerencialismo que vem tomando conta também do serviço público. A partir daí, quanto mais o capital financeiro é fortalecido, menor a necessidade de ter um Estado atuante.
Com relação ao estabelecimento de metas, onde o que interessa é a quantidade, não a qualidade, ele afirma que se trata de um modelo antiético e que o assedio moral acaba acontecendo mais onde as metas são exageradas. “O modelo gerencialista está condenado porque está se comendo por dentro, pois está gerando pessoas que só pensam no seu umbigo, esquecendo o trabalho em grupo. Isso gera grande infidelidade, pois as pessoas passam a não ser leal com quem não é leal com elas”, enfatiza. Outra crítica de Heloani é direcionada ao home-office, que ele considera uma falácia. Segundo ele, o trabalho em casa é bom para quem manda trabalhar em casa, não para quem executa, pois sempre terá que produzir mais.






Por Eduardo Wendhausen Ramos, com fotos de Joana D’Arc

FENAJUFE

Uma tarde intensa de atividades, que envolveu explanações sobre controle emocional, absenteísmo, assédio moral e resumo das lutas do SERJUSMIG neste 2014



No início das atividades do XVI Encontro de Delegados do SERJUSMIG na tarde desta sexta-feira, o educador e consultor em qualidade de vida Júlio Machado ministrou a palestra "Aprenda a ter mais controle emocional", durante a qual sensibilizou os presentes sobre a nossa principal prioridade que é ter qualidade em nossas vidas.

Entretanto, segundo enfatizou Júlio, esse desejo tão legítimo vem sendo cada vez mais tragado pelo stress do cotidiano. "Grande parte da nossa energia se esvai pela falta de habilidade em lidar conosco e com os outros, provocando desmotivação e cansaço. Daí vem o desequilíbrio emocional. Como uma conseqüência natural, passamos o tempo a nos queixar da vida e das pessoas. Hipotecamos a nossa felicidade a partir do momento em que damos mais importância às coisas que nos faltam do que as que já possuímos na nossa vida", alerta.

Para Júlio, aprender a ter mais equilíbrio emocional implica em rever alguns esquemas mentais que estão na base de muitos conflitos e desgastes, tanto no relacionamento com pessoas como com o mundo à nossa volta. "O equilíbrio emocional não vem de graça, ele é resultado de um investimento pessoal", afirma.

Em seguida, a mesa “Absenteísmo por licença saúde no TJMG”, trouxe como palestrante a médica do Trabalho do TJMG e do Tribunal Regional do Trabalho 3ª Região, Ciwannyr Machado de Assunção, que expôs resultados de uma ampla pesquisa sobre o absenteísmo por doença no TJMG. Segundo os dados, é alta a taxa de absenteísmo dos magistrados e servidores, sendo esta maior na 1ª Instância. Outros dados apontam que, das dez doenças que mais provocam afastamentos, cinco delas estão relacionadas a transtornos mentais, enquanto as demais estão vinculadas a doenças respiratórias, ortopédicas e pós-operatórias. “A média anual de crescimento dos pedidos de afastamento está em 6,6%”, afirma Ciwannyr.

Na sequência, a palestra “O assédio moral como fator de adoecimento” veio complementar a exposição anterior, pois as consequências do assédio moral estão diretamente relacionadas ao adoecimento do Servidor. É o que analisa Arthur Lobato, membro da Comissão de Combate ao Assédio Moral do SERJUSMIG.

“Quando temos os transtornos mentais como principal causa de afastamento dos Servidores, precisamos entender a relação dos transtornos com o nosso trabalho”, diz.

Segundo o palestrante, assédio moral é uma conduta abusiva, intencional, frequente e repetida que ocorre no ambiente de trabalho e que visa diminuir, vexar, constranger, desqualificar e demolir psiquicamente um indivíduo ou um grupo. Para Lobato, o assédio moral muitas vezes está relacionado à precarização do trabalho, como prolongamento de jornada, aumento da carga de trabalho, especialmente das cargas de trabalho mental com adventos de níveis crescentes de fadiga geral e mental, que podem culminar em esgotamentos.

De acordo com Lobato, o sofrimento do trabalhador começa quando o nível de insatisfação não pode ser diminuído. “O autoritarismo das chefias é um componente importante no adoecimento do trabalhador, pois é muito comum que, em um cargo de poder, os chefes confundam autoridade com autoritarismo”, relata Lobato.

Ao final, Arthur Lobato orientou: “Uma vez comprovado o assédio moral, o trabalhador deve buscar uma reparação jurídica. Diante de um caso assim, vocês devem procurar o Sindicato para que ele dê todo o apoio necessário”, conclui.

Para encerrar o dia, a presidente do SERJUSMIG, Sandra Silvestrini, traçou o resumo das lutas e esclareceu os principais assuntos frutos dos questionamentos dos Servidores, e respondeu todas as perguntas propostas pelos presentes.

Dentre os principais assuntos, foram tratados temas como PV 2013 e o retorno dos R$ 6 milhões reivindicados pelo Sindicato diretamente à presidência do TJMG, bem como critérios para o apontamento de vagas; carga horária da função de confiança de assessoramento de juiz; implementação dos cargos em comissão de escrivão e contador (lei 20.865); MS dos substitutos – Oficial de Apoio - em comissão (função de confiança e assessoramento de juiz; lotação de cargos de assessor e das funções de confiança; cargo em comissão de escrivão ou contador; dispensa de precários e novo concurso (MS e pedido de providência, ambos interpostos pelo SERJUSMIG); alteração do Plano de Carreiras (necessidade da categoria de se mobilizar pela alteração da lei 13.467, que limita as vagas para a PV da 1ª Instância); Data-base 2015; aumento do vale-lanche e do auxílio creche; e parecer sobre a extinção de comarcas.

Auditores debatem autoritarismo e assédio moral em palestra na DRF-BH


Os esclarecimentos, a prevenção e o combate à prática do assédio moral continuam sendo uma das prioridades da DS BH, tanto que as comemorações da semana do servidor público foram encerradas nessa quinta-feira, 30 de outubro, com a palestra “Autoritarismo e psicopatologia do poder: o adoecimento no trabalho”, proferida pelo psicólogo Arthur Lobato, e pelo professor doutor da Unicamp Roberto Heloani. O evento foi promovido pela Frente Mineira em Defesa do Serviço Público, no auditório da DRF BH.



A Auditora de tributos municipais, Cristina Ayer Taveira, iniciou as atividades dando as boas vindas aos participantes e destacando a importância de se discutir o assédio moral no âmbito do serviço público brasileiro.
O delegado da DRF-BH, Mário Dehon, agradeceu a presença de todos e mostrou-se honrado pela parceria com a Frente Mineira na realização do evento. Em seu breve pronunciamento, o novo delegado enfatizou: “Espero que tenhamos um novo tempo na Receita Federal do Brasil, um tempo de servidores de cabeça erguida, com olhar no horizonte e sempre pensando em conduzir o serviço público de uma forma melhor e mais leve. Que o autoritarismo e o assédio moral sejam palavras riscadas do nosso vocabulário”.
A Auditora Fiscal, Ilva Lauria, coordenadora da Frente Mineira, explicou os objetivos das entidades ao organizar o debate sobre o assédio moral, dentre eles conhecer as nuances que envolvem esse tipo de assédio, discutir mecanismos para sua prevenção e eliminar sua ocorrência no ambiente de trabalho.
Após a abertura, o psicólogo Arthur Lobato, que também é especialista em saúde do trabalho, iniciou sua intervenção classificando os servidores públicos como trabalhadores. Ele explicou o trabalho de conscientização e prevenção que vem realizando com o intuito de alertar servidores e entidades representativas sobre a necessidade de preservação da saúde do trabalhador.
Antes de entrar especificamente no tema assédio moral, Lobato propôs reflexões sobre o autoritarismo, que segundo ele, é uma das grandes causas do adoecimento dos trabalhadores e que deve ser combatido.
O autoritarismo vem a ser o abuso de autoridade, uma forma de opressão, um conjunto de práticas perversas somadas à manifestação excessiva de poder, que traz consigo o stress devido às cobranças excessivas pelo cumprimento de metas, características do mundo globalizado, que ocasionam a prática do assédio moral e, consequentemente, o adoecimento dos trabalhadores.
O assédio moral, segundo Lobato, é um mal invisível, uma conduta abusiva, intencional, frequente e repetida, que ocorre no ambiente de trabalho, e que visa diminuir, vexar, constranger, desqualificar e demolir psiquicamente um indivíduo, ou um grupo, degradando as condições de trabalho, atingindo sua dignidade e colocando em risco sua integridade pessoal e profissional.
Como normalmente existe relação de poder hierárquico entre assediador e assediado, o trabalhador quase sempre não tem como se defender e acaba convivendo com aquela prática criminosa. Aos poucos, o assediado inicia o processo de sofrimento no trabalho e uma série de consequências desastrosas, como a queda da produtividade, licenças médicas, o acúmulo de tarefas não realizadas, incapacidade laborativa, depressão, dentre outras.
Segundo Lobato, dados do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) apontam que em 2012 ocorreram 700 mil acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. Cerca de 3 mil trabalhadores morrem por ano no Brasil, ficando o país em 4º lugar em números de acidentes de trabalho.
Ao final de sua apresentação, o psicólogo sugeriu às entidades representativas de servidores públicos que façam a inserção do assédio moral em sua pauta política.
O assédio moral continuou a ser debatido pelo professor Roberto Heloani, que abordou inicialmente o surgimento do neoliberalismo no Brasil na década de 1980, que teve por objetivo a implantação do estado mínimo e a predominância do modelo gerencialista, preocupado muito mais com estatísticas (quantidades) do que com qualidade. Esse modelo trata o servidor público como algo substituível, que é importante apenas enquanto estiver dando lucro, uma visão de estado como empresa.
Segundo o palestrante, o projeto neoliberal não acabou, mas está latente e trouxe aquilo que é da iniciativa privada para o serviço público, como os bancos privados, que são os que mais lucram, o comando está nas mãos do capital financeiro.
Tal modelo de gestão imposto, muitas vezes, visualiza as pessoas como coisas e não como seres humanos. As metas inatingíveis fazem com que o gestor reproduza a pressão por cumprimento que existe sobre ele, ai que entra o assédio moral.
O assédio moral não pode ser visto como uma questão individual, mas sim como reflexo de um sistema internacional imposto, uma prática de gestão. “O assédio moral é uma nova forma de se instituir o chicote, que substitui o capataz por metas absurdas e sistemas de autovigilância que desunem as pessoas”, ressaltou o professor.
Para o professor o assédio moral fere a dignidade da pessoa humana no momento em que impõe metas absurdas e impossíveis de serem cumpridas. Ele orientou os Auditores Fiscais a zelarem pelo público e não serem meros cumpridores de metas. “Não façam trabalhos simplesmente para contentar a chefia, mas façam os seus trabalhos complexos de primeira linha”.
Para concluir, Heloani destacou que o assédio moral que adoece o trabalhador físico e psicologicamente tem que ser visto na sociedade como uma excrecência, uma forma de gestão impossível de ser aturada. A boa administração é aquela que permite ao trabalhador trabalhar seriamente e com dignidade.
A liderança autoritária tende a desaparecer, porém ainda é cultivada, geralmente, por profissionais mais antigos e que foram educados a gerir equipes de maneira opressiva. A própria cultura das organizações com estruturas mais tradicionais e que ainda valorizam a pirâmide hierárquica estimula a atuação de gestores dessa natureza.
Há os que enxergam neste estilo de liderança uma possiblidade de resultado em curto prazo. Porém, com a ausência ou desrespeito de regras claras gerada pela lei do "manda quem pode, obedece quem tem juízo", os subordinados acabam se desgastando, perdendo a motivação e, com o passar do tempo, até boicotando, inconscientemente, o trabalho deste "líder" .

Mais de 100 denúncias de assédio moral são recebidas por sindicato


Vinícius Pacheco

Sintrapp afirma que situação gera afastamentos e é difícil de comprovar. Em Presidente Prudente, projeto de lei que coíbe prática foi aprovado.


Mais de 100 denúncias de assédio moral contra servidores municipais foram recebidas em um ano pelo Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Presidente Prudente e Região (Sintrapp). A expectativa, segundo a presidente do sindicato, Ana Lúcia de Mattos Flores, é que haja uma maior penalização contra este tipo de situação a partir da aprovação, em primeira e segunda discussões, do projeto de lei do Executivo que veda esta prática nos órgãos municipais da cidade.
De acordo com Flores, essa foi uma grande conquista para os mais de 4.500 funcionários municipais que atuam no município. “A maior parte dos afastamentos de 15 dias ou mais é motivada por transtornos mentais. Nós acreditamos que uma parcela destes casos podem ser ocasionada por assédio moral. O problema é que isso é de difícil de comprovar. Recebemos com alegria este projeto”, comenta.
Conforme a proposta, elaborada pelo prefeito Milton Carlos de Mello “Tupã",  considera-se assédio moral toda ação, gesto ou palavra, praticada de forma repetitiva por agente, servidor, empregado, ou qualquer pessoa que, "abusando de autoridade que lhe confere suas funções, tenha por objetivo ou efeito atingir a autoestima e a autodeterminação do servidor, com danos ao ambiente de trabalho, ao serviço prestado ao público, bem como a evolução, a carreira, e a estabilidade funcional do servidor”.
De acordo com o texto, a prática do assédio moral é "infração grave" e sujeitará o infrator a três possíveis penalidades: advertência, suspensão ou demissão. "A prática de assédio moral se dará mediante sindicância ou processo administrativo, conforme o caso, sendo provocada pela parte ofendida, ou de ofício, pela autoridade que tiver competência", aponta. Para aquele que for acusado, fica assegurado o direito de ampla defesa das acusações que lhe forem imputadas.
Por fim, o projeto de lei também estipula algumas medidas, para o planejamento e organização do trabalho, como levar em consideração a autodeterminação de cada servidor e possibilitar o exercício de sua atividade; oferecer, sempre que possível, a variação de atribuições, atividades ou tarefas funcionais; assegurar o contato com superiores hierárquicos e outros servidores; e garantir sua dignidade.
“O sindicato lançou esta campanha em junho do ano passado e começou a orientar sobre o assédio, que é crime. Mas precisamos deixar claro que quem é vítima de assédio precisa contar com a solidariedade dos colegas de trabalho para fazerem a denúncia ou construir um 'diário de horrores', guardando provas da situação que vive”, afirma a presidente do sindicato.
Ainda de acordo com Flores, duas ações judiciais já foram movidas contra a Prefeitura de Presidente Prudente  relacionadas a este tipo de prática. “O ônus é da própria administração pública, que prejudica um funcionário e pode responder judicialmente. A situação pode 'estourar' nos cofres públicos”, relata.
O G1 tentou contato com a Prefeitura de Presidente Prudente, mas não obteve sucesso.
Serviço – O Sintrapp divulgou uma nova edição de uma cartilha que orienta aos servidores como identificar casos de assédio moral. Elas poderão ser retiradas na sede do sindicato, que fica na Rua Siqueira Campos, nº 1226. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (18) 3221-9946.
Denúncias também podem ser feitas pelo e-mail assediomoral@sintrapp.com.br .

Assédio moral é prática abusiva mais denunciada em empresas



Por Luísa Melo
Publicado em: http://exame.abril.com.br/

Denúncias: 9,7% dos registros estão relacionados a fraudes

São Paulo - Práticas abusivas como assédio moral, sexual, agressão física e discriminação, representam a maior parte (25,9%) das irregularidades reportadas em canais de denúncia das empresas no Brasil. Dentro dessa fatia, o assédio moral é o problema mais recorrente e equivale a 82% dos registros. 

Os dados são de um levantamento feito com 88 companhias pela ICTS, consultoria que gere esses sistemas, entre maio de 2009 e julho deste ano. O universo total é de 60 mil delações, mas só entram na conta aquelas qualificadas para apuração, ou seja, que têm fundamento (62,8%). 

Em segundo lugar na lista fica o descumprimento de práticas e políticas internas (21,3% dos registros) e, em terceiro, os desvios de comportamento (18,6%). 

As fraudes (sejam externas ou internas, financeiras ou operacionais) correspondem a 9,7% das denúncias. Para Fernando Fleider, sócio-diretor da ICTS, o índice está de acordo com o encontrado fora do país e nem sempre indica graves problemas. "São classificadas como fraude desde o recibo de táxi incorreto até o uso do cartão de crédito corporativo para acumular milhas", afirma. 

"Mas, somados, os percentuais de fraudes, favorecimentos, conflitos de interesse e furtos são representativos", completa. Confira na tabela: 

Tipo de denúncia                                                                    Fatia 

Práticas abusivas (assédio moral, sexual, agressão física e discriminação)       25,90% 

Descumprimento a procedimentos e políticas internas                                      21,30% 

Desvio de comportamento                                                                                18,60% 

Fraude                                                                                                                 9,7% 

Favorecimento ou conflito de interesses                                                              8,20% 

Violação a leis (trabalhistas, ambientais etc)                                                        7,90% 

Roubo, furto ou desvio de materiais                                                                    2,80% 

Vazamento ou uso indevido de informações                                                       1,90% 

Pagamento ou recebimento impróprio (suborno, propina, corrupção)                 1,50% 

Relacionamento íntimo                                                                                        0,90% 

Destruição, danos ou uso indevido dos ativos da empresa                                  0,80% 

Uso ou tráfico de substâncias proibidas no trabalho                                            0,40% 

Greve, paralisação ou manifestação                                                                   0,10% 

Meios 

De acordo com o material, em média, são feitas 3,5 denúncias para cada grupo de 1.000 colaboradores, mensalmente. A maioria delas (59,3%) é reportada em websites e 40,7% por voz. O restante (0,7%) é registrado em outros canais. 

Os canais de voz são os mais produtivos, segundo Fleider. "[Por esses meios] é possível dar um feedback se estiver faltando informações na denúncia, por exemplo. Os operadores são treinados para isso". 

A maior parte das delações ocorrem de forma anônima, mas a qualidade das identificadas é melhor, segundo Fleider. 

"O relato identificado tem mais chance de proceder. Quando alguém mostra a cara, dificilmente dirá algo só por denuncismo. Muitas pessoas preferem ficar anônimas por medo, mas também pode haver má fé", explica. 

Em geral, os funcionários das empresas são os maiores responsáveis pelas queixas registradas nos canais (93,5%). Os clientes representam uma pequena parcela (3,76%) de denunciantes, os prestadores de serviço e fornecedores são 2,71% e os investidores, 0,3%. 

Os denunciados são majoritariamente líderes e gestores (49%). "O canal de denúncias é naturalmente um instrumento voltado para o andar de baixo. Quem está no topo tem muitas ferramentas para disciplinar um liderado que fez algo errado, o contrário é mais difícil. É aí que ele faz a diferença", diz Fleider. Veja os dados completos: 

Denunciado                             Fatia 

Líder/gestor                                             49% 

Liderado                                                2,90% 

Colega de trabalho da mesma área        10,40% 

Colega de trabalho de área distinta       10,60% 

Outros                                                  27,10% 

Triagem das denúncias 

De todas as delações feitas aos canais de denúncia geridos pela ICTS, 62,8% são realmente qualificados para a apuração. Dos relatos que são excluídos, 18% estão fora do escopo do sistema e 19,1% não têm dados suficientes para análise. 

"Às vezes a pessoa tem um entendimento errado do que está denunciando. Já recebemos, por exemplo, reclamação de assédio moral porque o gestor estava cobrando metas", diz o diretor. 

Entre as denúncias que são investigadas, 40,4% procedem, 12,4% são descartadas e 9,9% inconclusivas (não são provadas, mas há indícios de veracidade). 

Os sistemas de compliance e mecanismos internos de denúncia tem ganhado maior atenção das empresas depois que a Lei Anticorrupção entrou em vigor, em janeiro. A nova legislação prevê penas severas para companhias que se envolverem em ações ilícitas.


SERJUSMIG se reúne com Rogério Correia para sugerir criação de projetos de lei que combatem condutas antissindicais, assédio moral e incentivam conciliação



O objetivo é que cada um dos temas ganhe, no calendário oficial do Estado, uma semana para sua discussão e conscientização; iniciativa da Comissão de Articulação e Acesso ao CNJ da OAB-MG, tem apoio do SERJUSMIG, Sindifisco/MG e Sindalemg
Na última sexta-feira, dia 21-11, a diretoria do SERJUSMIG representada pela presidente Sandra Silvestrini e pelo vice, Rui Viana, esteve no gabinete do deputado Rogério Correia (PT), acompanhando o advogado da entidade e presidente da Comissão de Articulação e Acesso ao Conselho Nacional de Justiça Conselho Nacional de Justiça, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Seção Minas Gerais, Humberto Lucchesi, para apresentar proposta de Projetos de Lei que instituem três Semanas Estaduais no calendário oficial de eventos do Estado de Minas Gerais.

O objetivo da iniciativa é promover e estimular a conscientização, disseminação, sensibilização e compreensão de temas atuais que fazem parte do dia-a-dia dos servidores públicos: Condutas Antissindicais, Assédio Moral e Utilização dos Métodos Alternativos e Consensuais da Conciliação, Mediação, Arbitragem e Justiça Restaurativa no Âmbito do Poder Judiciário junto aos Tribunais Estaduais, Federais e Justiça do Trabalho situados no Estado de Minas Gerais.

Os três projetos e suas justificativas foram idealizados pela Comissão de Articulação e Acesso ao CNJ da OAB-MG, referendados e subscritos democrática e legitimamente em conjunto com o SERJUSMIG, Sindifisco/MG e Sindalemg. “As propostas de projeto de lei apresentadas são de extrema importância para o servidor público. O primeiro deles, abarca aqueles que hoje lidam no cotidiano das suas lutas com as práticas antissindicais, que tentam impedir o exercício de direitos como manifestações, greves, entre outros. O segundo busca conscientizar e combater a dura realidade daqueles servidores que, no exercício das suas funções, enfrentam o mal do século: o assédio moral. Já o terceiro fala sobre conciliação, prática fundamental para o judiciário mineiro, em virtude do elevado número de processos em andamento, totalmente incompatível com o espaço físico disponível e o número de servidores”, explica Sandra Silvestrini, presidente do SERJUSMIG.


Publicado em: http://serjusmig.org.br/ (Incluída em 25/11/2014 às 12:41) 

Adoecimento no judiciário é o tema do artigo de Arthur Lobato

O artigo do mês de novembro do psicólogo e especialista em assédio moral, Arthur Lobato, trata de um tema que tem causado grande preocupação às categorias: o adoecimento no judiciário. De acordo com o colunista do SINJUS, existe uma necessidade urgente de criação de uma política em favor da saúde do servidor e dos magistrados. “No quesito saúde do trabalhador tem que se questionar a relação da organização do trabalho, sobre a saúde do servidor, com a aceleração do ritmo e aumento da carga de trabalho, simplificando, seria o aumento do trabalho tanto em quantidade, quanto em “produtividade”, sem que haja o número de funcionários/tempo suficientes para dar conta da demanda”, observa. Saiba mais sobre o assunto lendo aqui o artigo “O CNJ e a política de saúde para magistrados e servidores”.



O CNJ e a política de saúde para magistrados e servidores





O Grupo de Trabalho do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), responsável pela elaboração da “Política de atenção integral à saúde de magistrados e servidores do poder judiciário“ (Portaria n° 43 de 1° de abril de 2014) apresentou seu relatório de propostas. (Clique aqui para ver o relatório)
Existem diversas formas de se abordar esse relatório: Sob um aspecto histórico, a evolução do adoecer no judiciário chegou a um ponto em que a própria instituição não pode mais negar a gravidade deste fenômeno, daí a necessidade da criação de uma política em prol da saúde de juízes e servidores, que é o objetivo desse documento, mas que ressalva no texto inicial: “Ademais, produtividade e trabalho saudável são conceitos conciliáveis e complementares, a exigir investimento consciente em ambos.”
A questão que coloco já no início é a forma como se quer obter produtividade e “trabalho saudável” sem escutar as demandas dos servidores e as reivindicações do sindicato. Os sindicatos e a federação não estão contemplados na formação do Comitê Gestor, mas o SINJUS-MG enviou uma proposta de participação, e vai continuar as atividades  do Núcleo de Saúde Sindical, com ações em prol da saúde do servidor.
Vários tópicos contidos nesse documento do CNJ remetem a questões similares à luta sindical em prol da saúde do servidor. Mas o problema é que somente a instituição vai definir os pressupostos teóricos/metodológicos/científicos, o planejamento estratégico e equipes para realizar e referendar o trabalho, sendo o acesso de dados e o cruzamento de informações restrito ao nível institucional. Cabe aos sindicatos e federação cobrar os resultados, via transparência dos dados e análises para elaboração de propostas de intervenção em prol da saúde no judiciário como um todo.
No quesito saúde do trabalhador tem que se questionar a relação da organização do trabalho, sobre a saúde do servidor, com a aceleração do ritmo e aumento da carga de trabalho, simplificando, seria o aumento do trabalho tanto em quantidade, quanto em “produtividade”, sem que haja o número de funcionários/tempo suficientes para dar conta da demanda.
Portanto, um dos objetivos principais do Núcleo Sindical de Saúde do Servidor é combater as causas do adoecer do servidor, que muitas vezes no ambito emocional e psíquico é consequencia do autoritarismo baseado em uma hierarquia rígida, e, do assédio moral como método de gestão.
Entendo que o olhar sindical, num primeiro momento, embasado pelo projeto “Núcleo Sindical de Saúde do Trabalhador” deva ser o de fazer cumprir o que esta escrito na portaria, afinal, é o primeiro documento oficial que temos acesso sobre uma política de saúde para magistrados  e servidores.
Devemos ficar atentos  aos conflitos de poder envolvendo CNJ e associações classistas de magistrados, portanto, independente do que os tribunais façam ou não, a mando do CNJ, ou por iniciativa própria,  o Núcleo de Saúde Sindical SINJUS MG também encampa a luta em prol da saúde do servidor. 
Leia aqui outros artigos do autor.




Adoecimento no judiciário é o tema do artigo de Arthur Lobato


 


O artigo do mês de novembro do psicólogo e especialista em assédio moral, Arthur Lobato, trata de um tema que tem causado grande preocupação às categorias: o adoecimento no judiciário. De acordo com o colunista do SINJUS, existe uma necessidade urgente de criação de uma política em favor da saúde do servidor e dos magistrados.  
“No quesito saúde do trabalhador tem que se questionar a relação da organização do trabalho, sobre a saúde do servidor, com a aceleração do ritmo e aumento da carga de trabalho, simplificando, seria o aumento do trabalho tanto em quantidade, quanto em “produtividade”, sem que haja o número de funcionários/tempo suficientes para dar conta da demanda”, observa.  Saiba mais sobre o assunto lendo aqui o artigo “O CNJ e a política de saúde para magistrados e servidores”.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Senado aprova projeto de Inácio contra assédio moral no trabalho


Assédio moral contra servidor público poderá ser enquadrado como ato de improbidade administrativa. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou, nesta quarta-feira (5), Projeto de Lei de autoria do senador Inácio Arruda, que veda a prática de assédio moral no serviço público federal.


Agência Senado
Para o senador Inácio, “o assédio moral é execrável em qualquer ambiente de trabalho, mas torna-se ainda mais reprovável quando se trata do serviço público." Para o senador Inácio, “o assédio moral é execrável em qualquer ambiente de trabalho, mas torna-se ainda mais reprovável quando se trata do serviço público." 
Para o senador Inácio, “o assédio moral é execrável em qualquer ambiente de trabalho, mas torna-se ainda mais reprovável quando se trata do serviço público, em que o eventual exercício de cargos de chefia se dá em nome do interesse público e deve ser pautado pelos princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade”.

Pelo projeto, fica proibido ao servidor público coagir moralmente subordinado, através de atos ou expressões reiteradas que atinjam a sua dignidade ou criem condições de trabalho humilhantes ou degradantes, abusando da autoridade conferida pela posição hierárquica.

“O assédio moral é uma prática execrável, que deve ser extirpada das relações de subordinação empregatícia, ainda mais no serviço público, onde o Estado é o empregador e o bem comum é sempre a finalidade”, sustentou o relator da matéria, senador Pedro Taques (PDT-MT).

O projeto ainda será votado em turno suplementar pela CCJ. Após esse segundo turno de votação, se não houver recurso para votação pelo Plenário do Senado, o projeto será encaminhado para a Câmara dos Deputados.

Da Redação em Brasília
Com informações da Ass. Sen. Inácio Arruda



domingo, 9 de novembro de 2014

Documentário: A dor (in)visível - Assédio Moral no Trabalho

"Um irmão é maltratado e vocês olham para o outro lado?
Grita de dor o ferido e vocês ficam calados?
A violência faz a ronda e escolhe a vítima,
e vocês dizem: "a mim ela está poupando, vamos fingir que não estamos olhando".
Que espécie de gente é essa?"
Bertolt Brecht



O documentário "A dor (in)visível - Assédio Moral no Trabalho" é uma realização do Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS) - Procuradoria do Trabalho no Município (PTM) de Caxias do Sul; do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) - Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) em Caxias do Sul; do Governo Federal.