quinta-feira, 31 de maio de 2012

III Seminário sobre o Combate ao Assédio Moral











































III Seminário sobre Assédio Moral

Publicado em 05.06.2012 no site  SINDIFES
 
O SINDIFES e a APUBH promovem o “III Seminário Sobre Assédio Moral – Não se cale. Denuncie!” no dia 5 de junho, terça-feira, às 8h, no auditório da Reitoria da UFMG, na Avenida Antônio Carlos, 6627, Pampulha, Belo Horizonte/MG. Para a conferência magna foi convidada a professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), Margarida Barreto, autoridade brasileira sobre as temáticas relacionadas ao assédio moral.
Nesta terceira edição do Seminário, o objetivo do SINDIFES e da APUBH é focar no ato de denúncia do agressor por parte da vítima ou companheiros que esteja presenciando o assédio moral. Este foco foi escolhido após os dois primeiros seminários abordarem os meios de identificação dos atos de assédios e seus males a saúde da vítima e ao ambiente de trabalho.
O Seminário também será uma oportunidade de ampliar o debate e criar melhores condições para a elaboração de estratégias de combate e erradicação deste tipo de violência psicológica.
Inscrições
As inscrições são gratuitas e serão aceitas somente pela internet ou na sede do Sindicato (Secretaria) - clique aqui para preencher o formulário de inscrição. Já está confirmado a conferência magna da médica e pesquisadora Margarida Barreto, referência nacional nos estudos sobre assédio moral.
O que é assédio moral?
Dentre as situações de violência no trabalho, o assédio moral pode ser entendido como uma forma extrema de violência psicológica e tem despertado grande preocupação e interesse por parte de pesquisadores, profissionais da área da saúde e do direito, dos sindicatos, dos trabalhadores e de empresas, tendo em vista a forma sutil com que se apresenta e suas graves consequências para os trabalhadores, o ambiente de trabalho e a sociedade.
São vários os entendimentos sobre a definição de assédio moral no trabalho, também conhecido como violência moral. A compreensão deste fenômeno passa pela identificação de aspectos organizacionais e de valores relacionados ao trabalho.
O que a vítima deve fazer?
  • Resistir: anotar com detalhes todas as humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam, conteúdo da conversa e o que mais você achar necessário).
  • Dar visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações do agressor.
  • Organizar. O apoio é fundamental dentro e fora da empresa.
  • Evitar conversar com o agressor, sem testemunhas. Ir sempre com colega de trabalho ou representante sindical.
  • Exigir por escrito, explicações do ato agressor e permanecer com cópia da carta enviada ao D.P. ou R.H e da eventual resposta do agressor. Se possível mandar sua carta registrada, por correio, guardando o recibo.
  • Procurar seu sindicato e relatar o acontecido para diretores e outras instancias como: médicos ou advogados do sindicato assim como: Ministério Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos e Conselho Regional de Medicina (ver Resolução do Conselho Federal de Medicina n.1488/98 sobre saúde do trabalhador).
  • Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas, pois o afeto e a solidariedade são fundamentais para recuperação da auto-estima, dignidade, identidade e cidadania.

terça-feira, 29 de maio de 2012

2o SEMINÁRIO MINAS DISCUTE SAÚDE DO TRABALHADOR




Encontro dos CERESTs Mineiros
29, 30 e 31 de maio
Tauá – Grande Hotel Termas e Conventions 
Araxá MG








DIA 29/05
8:30 às 17:00
Encontro Mineiro dos CERESTs
Encontro dos Representantes dos CEREST's Regionais, Estadual e Diretoria de Saúde do Trabalhador de Minas Gerais, para discussão/validação das competências e atribuições dos CEREST regionais e Oficina de Planejamento.

19:30 às 22:00
Abertura oficial do Seminário, com presença de Autoridades dos Municípios, Estado e Ministério da Saúde; Palestra – “A Arte de Ser Leve”
Leila Ferreira - Escritora e Jornalista
DIA 30/05
8:00
Credenciamento
8:30
A Nova Visão da Vigilância em Saúde em Minas Gerais
Carlos Alberto Pereira Gomes - Subsecretário de Vigilância e Proteção a Saúde de MG;
9:00
Saúde do Trabalhador e Intersetorialidade;
Carlos Augusto Vaz de Sousa - Coordenador da Saúde do Trabalhador – Ministério da Saúde.
9:30
A Saúde do Trabalhador em Minas Gerais
Elice Eliane Nobre Ribeiro - Diretora da Saúde do Trabalhador de MG;
10:30
A Saúde do Trabalhador na Região do Triangulo Mineiro
Dr. Dautro Catani Filho - Superintendente Regional de Saúde de Uberlândia.
Intervalo para almoço
13:00
Trabalho e Saúde Mental nas Novas Organizações de Trabalho
Prof. Dr. Álvaro Roberto Crespo Merlo - UFRGS
14:30
LER/DORT - Sequelas e Dor do Trabalhador
Prof. Jaime Olavo – Universidade de Uberaba
15:30
Intervalo - Café
16:00
Mesa redonda – Saúde do Trabalhador na Atenção Primária
Magda H. Reis de Almeida (CEREST Betim) Maria Rizoneide N. de Araújo - NESCON Luzimar Rosa A. Dib Shimura - Coord. de Atenção Primária da SVS Uberlândia; Franklin Leandro Neto - Superintendente SRS Ubá.
DIA 31/05
8:30 às 10:30
Vigilância e Ambiente de Trabalho
Alexandre José Ribeiro Jacobina de Brito - Coord. De Vigilância e Processos de Trabalho – COVAP - BA
Atribuições e Ações do CEREST no Matriciamento da Atenção Integral à Saúde do Trabalhador
Elizabeth Costa Dias - SEST- HC-UFMG e Thais Lacerda e Silva - GRUPO DE PESQUISA Saúde do Trabalhador na APS da UFMG.
Perspectivas Econômicas e Sociais do Trabalho no Séc. XXI
Zuher Handar - Representante da OIT;
Territórios e Saúde - “O lugar onde se produz saúde é onde se vive e trabalha”
Prof. Dr. Samuel Carmo Lima - Universidade Federal de Uberlândia.
10:30
Intervalo - Café
11:00
Mesa redonda: Vigilância em Saúde - Troca de Experiências
CERESTs de Araxá, Uberaba e Uberlândia;
13:30
O Trabalhador Adoecido
Dra. Margarida Barreto – Pesquisadora em Saúde do Trabalhador.
14:30
Vigilância em Saúde do Trabalhador – Um Desafio
Alexandre Jacobina - Coord. De Vigilância e Processos de Trabalho – COVAP - BA
Intervalo - Café
16:00
Tai Chi Chuan
Mestre Elizabeth Meira
Despedida

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Assédio Moral no TJMG: a importância da prevenção


"Trabalhador que adoece por causa do assédio moral revela uma organização do trabalho que não preserva o maior valor do ser humano, sua dignidade e sua honra, direitos garantidos pela Constituição Federal." 
 Arthur Lobato

Há muitos anos, a diretoria do SINJUS-MG escuta por parte da direção do Tribunal de Justiça de Minas Gerais: “não existe assédio moral no TJMG”. Tese contestada pelas denúncias que chegam ao Sindicato relatando mal estar no ambiente de trabalho, prática de humilhações, atitudes autoritárias, tratamento diferenciado para funcionários de um mesmo setor e, até mesmo, práticas perversas por parte de certas chefias que contam com a omissão ou complacência da direção do TJMG.

É sempre bom lembrar que a instituição que não coíbe ou permite o assédio moral é responsável e está sujeita a sanções jurídicas. Uma forma de discutir o problema seria a realização de uma pesquisa científica para detectar se existe ou não assédio moral no TJMG. Entretanto, desde 2008 aguardamos a publicação de uma portaria para realização dessa pesquisa, após um acordo informal entre a direção do Tribunal e o SINJUS-MG.

Recentemente, uma série de denúncias mobilizou a Comissão de Combate ao Assédio Moral, a qual negociou com a direção do TJMMG, nos moldes da lei 116/2011, que dispõe sobre a prevenção e punição do assédio moral na administração pública estadual, a criação de uma comissão paritária. No entanto, nenhuma reunião foi realizada, o que motivou uma representação junto ao CNJ para que a lei seja cumprida. As denúncias ao Sindicato não param. O assédio moral pode ser um inimigo invisível, mas continua fazendo vítimas, adoecendo o trabalhador e, em casos mais graves, levando ao autoextermínio.

Após a greve para garantir os direitos dos servidores, o contexto se agravou ainda mais, pois alguns dos que aderiram ao movimento foram pressionados, ameaçados pelas chefias, injustiçados e humilhados por defenderem o que é justo para a categoria que apoiou o Sindicato em sua luta política. Esperamos que a nova gestão do TJMG, que se inicia em julho, abra as portas para o diálogo, o fim da injustiça na casa da Justiça e o combate de forma rigorosa ao assédio moral no ambiente de trabalho. Afinal, trabalhador que adoece por causa do assédio moral revela uma organização do trabalho que não preserva o maior valor do ser humano, sua dignidade e sua honra, direitos garantidos pela Constituição Federal.

Está na hora dos servidores, unidos com a diretoria do SINJUS-MG e com apoio das direções do TJMG e TJMMG, darem um basta ao assédio moral. O site do Sindicato disponibilizará uma série de artigos sobre o tema. Participe! Denuncie! Junte-se a nós nesta luta. Seja solidário, pois a próxima vítima pode ser você.

*Arthur Lobato é psicólogo e coordenador da Comissão de Combate ao Assédio Moral do SINJUS-MG/SERJUSMIG.


 Publicado no jornal Expressão Sinjus edição 210


COMISSÃO DE COMBATE AO ASSÉDIO MORAL 
Agendamento de atendimento: (31) 3213-5247
Denúncias: assediomoralnotjmg@yahoo.com.br
Participação de um psicólogo, um advogado e um representante sindical.


Assédio moral


O SINJUS-MG marcou presença no Seminário sobre Assédio Moral, organizado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Paraná (Sindijus-PR) e realizado no dia 4/5. A entidade mineira apresentou suas ações e experiências na luta pelo combate a esse problema no Judiciário de Minas Gerais.

Além do coordenador- geral do SINJUS-MG, Robert França, esteve presente o psicólogo e membro da Comissão de Assédio Moral do Sindicato, Arthur Lobato.O especialista abordou a necessidade de manter campanhas de esclarecimentos sobre o assunto e destacou que a prevenção ao problema é “uma questão política”.

Governo quer regulamentar lei de assédio moral

A minuta do decreto que regulamenta a Lei Complementar Nº 116, que trata do assédio moral no serviço público estadual, foi apresentada no dia 22/5 pelo Governo de Minas, durante reunião do Comitê de Negociação Sindical (Cones). Os sindicatos de servidores têm até o dia 12/6 para enviar sugestões. A proposta do Estado é priorizar a prevenção ao assédio moral e combatê-lo com ações inseridas na política de saúde ocupacional. 

Durante a reunião, a subsecretária de Gestão de Pessoas da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), Fernanda Neves, ressaltou o pioneirismo de Minas Gerais na regulamentação da lei sobre assédio moral no serviço público estadual. “Para elaborar a minuta, procuramos referências em legislações nacionais e internacionais e não encontramos. Por sermos os primeiros, teremos que criar os parâmetros e, claro, estarmos abertos a mudanças na medida em que a lei for aplicada”, afirmou.

Na proposta de regulamentação, estão previstas também campanhas educativas e de sensibilização, por meio de cartilhas, palestras e outras ações. A minuta também define procedimentos para denúncia, apuração, tratamento das vítimas e agressores e punições, quando comprovada a prática de assédio moral. Todas as sugestões que forem recebidas serão analisadas pelo Estado. A minuta do decreto consolidado será apresentada na próxima reunião do Cones, em junho. Participam do comitê 14 sindicatos. O SINJUS-MG integra o Cones, representado pelo diretor jurídico, Wagner Ferreira.

III Seminário sobre Assédio Moral


O SINDIFES e a APUBH promovem o “III Seminário Sobre Assédio Moral – Não se cale. Denuncie!” no dia 5 de junho, terça-feira, às 8h, no auditório da Reitoria da UFMG, na Avenida Antônio Carlos, 6627, Pampulha, Belo Horizonte/MG. Para a conferência magna foi convidada a professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), Margarida Barreto, autoridade brasileira sobre as temáticas relacionadas ao assédio moral.

Nesta terceira edição do Seminário, o objetivo do SINDIFES e da APUBH é focar no ato de denúncia do agressor por parte da vítima ou companheiros que esteja presenciando o assédio moral. Este foco foi escolhido após os dois primeiros seminários abordarem os meios de identificação dos atos de assédios e seus males a saúde da vítima e ao ambiente de trabalho.

O Seminário também será uma oportunidade de ampliar o debate e criar melhores condições para a elaboração de estratégias de combate e erradicação deste tipo de violência psicológica.

Inscrições
As inscrições são gratuitas e serão aceitas somente pela internet ou na sede do Sindicato (Secretaria) - clique aqui para preencher o formulário de inscrição –  http://www.sindifes.org.br/sindifes/formulario.php. A programação será divulgada em breve em nosso Portal – www.sindifesbh.org.br. Já está confirmado a conferência magna da médica e pesquisadora Margarida Barreto, referência nacional nos estudos sobre assédio moral.
O que é assédio moral?
Dentre as situações de violência no trabalho, o assédio moral pode ser entendido como uma forma extrema de violência psicológica e tem despertado grande preocupação e interesse por parte de pesquisadores, profissionais da área da saúde e do direito, dos sindicatos, dos trabalhadores e de empresas, tendo em vista a forma sutil com que se apresenta e suas graves consequências para os trabalhadores, o ambiente de trabalho e a sociedade.
São vários os entendimentos sobre a definição de assédio moral no trabalho, também conhecido como violência moral. A compreensão deste fenômeno passa pela identificação de aspectos organizacionais e de valores relacionados ao trabalho.
O que a vítima deve fazer?
  • Resistir: anotar com detalhes todas as humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam, conteúdo da conversa e o que mais você achar necessário).
  • Dar visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações do agressor.
  • Organizar. O apoio é fundamental dentro e fora da empresa.
  • Evitar conversar com o agressor, sem testemunhas. Ir sempre com colega de trabalho ou representante sindical.
  • Exigir por escrito, explicações do ato agressor e permanecer com cópia da carta enviada ao D.P. ou R.H e da eventual resposta do agressor. Se possível mandar sua carta registrada, por correio, guardando o recibo.
  • Procurar seu sindicato e relatar o acontecido para diretores e outras instancias como: médicos ou advogados do sindicato assim como: Ministério Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos e Conselho Regional de Medicina (ver Resolução do Conselho Federal de Medicina n.1488/98 sobre saúde do trabalhador).
  • Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas, pois o afeto e a solidariedade são fundamentais para recuperação da auto-estima, dignidade, identidade e cidadania. 

Publicado em:
http://www.sindifesbh.org.br


 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Auditores-Fiscais se reúnem para discutir assédio moral no trabalho




Auditores-Fiscais se reúnem para discutir assédio moral no trabalho e o papel da Corregedoria da RFB no Aeroporto de Confins













Como atividade do Dia de Mobilização de Advertência nesta quarta-feira, 9 de maio, além de orientar aos Auditores-Fiscais sobre a realização de operação padrão na zona primária, crédito zero na zona secundária, não realização de julgamentos, não emissão de pareceres, não acessamento de sistemas e não liberação de malha fiscal, a DS BH promoveu o seminário “A Segurança do Auditor-Fiscal no Trabalho Aduaneiro”, na Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Aeroporto de Confins. Foram parceiras da DS BH neste evento Aafit-MG (Associação dos auditores-Fiscais do Trabalho em Minas Gerais), Sindpf-MG (Sindicato dos Delegados de Polícia Federal em Minas Gerais), Anfip-MG (Associação dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil em Minas Gerais) e Unafisco-MG (União Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil em Minas Gerais). Dentre os temas abordados estavam assédio moral e o Papel da Corregedoria como órgão da RFB. Na parte da manhã houve concentração dos Auditores-Fiscais nos locais de trabalho e, em seguida, as caravanas deslocaram-se para Confins.

Arthur Lobato, psicólogo e jornalista

O presidente da DS BH, Luiz Sérgio Fonseca Soares, iniciou o seminário explicando a necessidade de mobilização da categoria na luta por melhores condições de trabalho e por uma política salarial com vistas à reposição inflacionária e remuneração condizente com a função desempenhada pelos Auditores-Fiscais. Ele agradeceu a presença de todos os participantes e às entidades parceiras que contribuíram para a realização do evento. Após a abertura, foi realizada a primeira palestra do seminário: “Assédio Moral no Trabalho”. 
Assédio Moral no Trabalho uma questão relacionada à saúde do trabalhador
O tema foi abordado pelo psicólogo e jornalista, Arthur Lobato, que iniciou sua intervenção explicando o conceito de assédio moral, suas consequências no ambiente de trabalho e como tal crime  tem sido frequente nos dias atuais. Segundo Lobato, o conceito de assédio moral no trabalho pode ser resumido no conjunto de práticas perversas, humilhantes, constrangedoras, exercidas com intencionalidade de prejudicar um ou mais trabalhadores através de ações sistematizadas. O assediado se cala sobre as injustiças, adoece lentamente e sente-se impotente para reagir.  Na relação de poder hierárquico que geralmente existe entre o assediado e o assediador, este ainda convive com a complacência da direção da empresa em coibir estes fatos. Os assediadores geralmente são pessoas que ocupam cargos de chefias, ou incentivados por chefias, já que o poder da chefia cria relações assimétricas nas relações de trabalho. Este tipo de assedio é vertical. Há também o horizontal (entre colegas), e o mais raro, que é praticado por funcionários contra chefes.
O assédio moral é um “mal invisível” nas organizações, que causa impactos negativos sobre a saúde do trabalhador e traz prejuízos à própria instituição. Costuma ser sentido pelos trabalhadores por meio de cobranças excessivas de metas, humilhações, injustiças, violência moral, dentre outras práticas que ferem a sua autoestima e dignidade. As consequências, de acordo com o palestrante, podem chegar ao suicídio do trabalhador que se sente prejudicado e não conta com o apoio da instituição.
Arthur Lobato explicou que a série de atos maliciosos diagnosticadas como assédio moral no serviço público levam o servidor à incapacidade laboral, fazendo com que o mesmo fique isolado e necessite de licenças médicas. As vítimas de assédio moral, sejam em empresas públicas ou privadas, normalmente sofrem impactos traumáticos que as deixam fragilizadas e, a partir daí, desenvolvem problemas como síndrome do pânico, depressão, tristeza, desânimo, vontade de chorar frequente, uso de medicamentos antidepressivos, absenteísmo (falta constante no trabalho), presenteísmo (presença excessiva no trabalho por medo de perdê-lo), stress, insônia, ansiedade, esgotamento físico e psíquico, cansaço, queda da produtividade, falta de motivação, dentre outros. As vítimas, muitas vezes, também acabam desenvolvendo sede de vingança contra os assediadores. 
Para o palestrante, a solução do problema originado pelo assédio moral está na mudança da cultura organizacional da empresa, que precisa ouvir mais os trabalhadores, tornar o ambiente produtivo e saudável e investir em formação de líderes, para que eles se tornem líderes éticos, mediadores e que saibam dirimir os conflitos existentes ao invés de provocá-los. No caso das entidades representativas de classe, o palestrante orientou o combate ao assédio moral através de criação de grupos de estudos, elaboração de cartilhas explicativas, canal de denúncia paritária e rodas de conversas com os filiados.  Ainda de acordo com Lobato, nos casos de assédio moral os trabalhadores devem criar alianças com colegas de trabalho, relatar diariamente os atos de violência, não se distanciar do grupo, não entrar em conflito com assediador, denunciar ao sindicato ou aos órgãos responsáveis como Corregedoria, Ministério Público e Justiça .
Ao final da palestra Arthur Lobato citou o Artigo 10 da Lei 116/2011, que dispõe sobre a prevenção e a punição do assédio moral da administração pública estadual, que diz: “Os dirigentes dos órgãos e entidades da administração pública criarão, nos termos do regulamento, comissões de conciliação, com representantes da administração e das entidades sindicais ou associativas representativas da categoria, para buscar soluções não contenciosas para os casos de assédio moral” e concluiu sua intervenção afirmando: “A saúde e a dignidade humana estão garantidas na constituição, são direitos de cada um de nós. A pessoa que sofre o assédio fica desmotivada, passa a incorporar o discurso do agressor e acredita que realmente seja incompetente. Com isso, perde a capacidade produtiva, não consegue trabalhar e cai em depressão”.
Outras informações sobre assédio moral e saúde no trabalho podem ser encontradas no sitewww.assediomoral.org ou no blog assediomoralesaudenotrabalho.blogspot.com.
 Assessoria de Comunicação DS BH Sindifisco Nacional

Publicado em:http://dsbh.org.br/

Assédio moral é tema de palestra para os Auditores-Fiscais de Contagem



    
O assédio moral no ambiente de trabalho e suas consequências para a saúde do trabalhador foi novamente debatido com os filiados da DS BH. Dessa vez, a palestra “Assédio Moral e Saúde no Trabalho”, do psicólogo e jornalista, Arthur Lobato, que integra as atividades de mobilização, foi ministrada para os Auditores-Fiscais na DRF-Contagem. Participaram do evento cerca de 20 filiados.


Segundo Lobato, o assédio moral é um “mal invisível” nas organizações, que causa impactos negativos sobre a saúde do trabalhador e traz prejuízos à própria instituição. Esse tipo de assédio normalmente é sentido pelos trabalhadores por meio de cobranças excessivas de metas, humilhações, injustiças, violência moral, dentre outras práticas que ferem sua autoestima e dignidade.
As consequências mais frequentes percebidas nas vítimas de assédio moral são, segundo o palestrante, são: síndrome do pânico, depressão, tristeza, desânimo, vontade de chorar frequente, uso de medicamentos antidepressivos, absenteísmo (falta constante no trabalho), presenteísmo (presença excessiva no trabalho por medo de perdê-lo), stress, insônia, ansiedade, esgotamento físico e psíquico, cansaço, queda da produtividade, falta de motivação, podendo chegar até mesmo ao suicídio. As vítimas, muitas vezes, também desenvolvem sede de vingança contra os assediadores.
Em relação ao serviço público, Lobato informou que a série de atos maliciosos diagnosticada como assédio moral leva o servidor à incapacidade laboral, fazendo com que o mesmo fique isolado e necessite de licenças médicas. Segundo ele, atualmente 80% das licenças médicas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) são motivadas por depressão. “O servidor deve pleitear um novo modelo organizacional, que não adoeça o trabalhador e o deixe incapacitado, e é função do sindicato atuar junto a ele nesse momento”, afirmou.
Na análise do palestrante, somente através da organização sindical é que os trabalhadores terão condições de reivindicar melhores condições de trabalho e interferir no ambiente e na cultura organizacional da instituição.
Arthur Lobato já proferiu palestra semelhante em Confins no dia 9 de maio, e na última sexta-feira, 6 de julho, na DRF-BH. A Diretoria Executiva da DS BH foi representada no evento pelo diretor de Defesa Profissional, Alfredo Luiz Nunes Menezes.

Assessoria de Comunicação DS BH Sindifisco Nacional

Psicólogo ministra palestra sobre assédio moral para Auditores-Fiscais em BH

A mobilização dos Auditores-Fiscais da DS BH continua e a categoria tem participado ativamente de inúmeras atividades relacionadas à campanha salarial 2012. Nesta sexta-feira, 6 de julho, os Auditores-Fiscais lotaram o auditório da DRF-BH (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte) para assistir à palestra “Assédio Moral e Saúde no Trabalho”, do psicólogo e jornalista, Arthur Lobato. O psicólogo já ministrou palestra semelhante no auditório da Inspetoria da RFB em Confins, no dia 9 de maio, Dia de Mobilização de Advertência. Mais de 110 Auditores-Fiscais participaram do evento em Belo Horizonte.

Segundo Arthur Lobato o assédio moral é um conjunto de práticas perversas, humilhantes, constrangedoras, exercidas com intencionalidade de prejudicar um ou mais trabalhadores através de ações sistematizadas. O assediado se cala sobre as injustiças, adoece lentamente e sente-se impotente para reagir. Na relação de poder hierárquico que geralmente existe entre o assediado e o assediador, este ainda convive com a complacência da direção da organização em coibir estes fatos. Os assediadores geralmente são pessoas que ocupam cargos de chefias, ou incentivados por chefias, já que o poder da chefia cria relações assimétricas nas relações de trabalho. Este tipo de assedio é vertical. Há também o horizontal (entre colegas), e o mais raro, que é praticado por funcionários contra chefes.
“O assédio moral é um ‘mal invisível’ nas organizações, que causa impactos negativos sobre a saúde do trabalhador e traz prejuízos à própria instituição”, afirmou Lobato. Tal prática costuma ser sentida pelos trabalhadores por meio de cobranças excessivas de metas, humilhações, injustiças, violência moral, dentre outras práticas que ferem a sua autoestima e a dignidade do trabalhador. As consequências, de acordo com o palestrante, podem chegar ao suicídio do trabalhador que se sente prejudicado e não conta com o apoio da instituição.
O palestrante informou que a série de atos maliciosos diagnosticadas como assédio moral no serviço público levam o servidor à incapacidade laboral, fazendo com que o mesmo fique isolado e necessite de licenças médicas. Atualmente, 80% das licenças médicas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) são motivadas por depressão.
As vítimas de assédio moral, sejam em empresas públicas ou privadas, normalmente sofrem impactos traumáticos que as deixam fragilizadas e, a partir daí, desenvolvem problemas como síndrome do pânico, depressão, tristeza, desânimo, vontade de chorar frequente, uso de medicamentos antidepressivos, absenteísmo (falta constante no trabalho), presenteísmo (presença excessiva no trabalho por medo de perdê-lo), stress, insônia, ansiedade, esgotamento físico e psíquico, cansaço, queda da produtividade, falta de motivação, dentre outros. As vítimas, muitas vezes, também acabam desenvolvendo sede de vingança contra os assediadores.
Lobato reconheceu a importância da mobilização dos Auditores-Fiscais iniciada em 18 de junho. Segundo ele nos últimos anos os servidores estão sofrendo com o processo de transformação do serviço público, que passa a ter metas e cobranças excessivas por produtividade. Com isso, eles têm perdido muitos de seus direitos já conquistados.
“Somente através da organização sindical é que os trabalhadores terão condições de reivindicar não só melhorias nas condições de trabalho, mas eles poderão interferir no ambiente de trabalho da instituição. Nessa visão, o servidor deve pleitear um novo modelo organizacional, que não adoeça o trabalhador e o deixe incapacitado, e é função do sindicato atuar junto ao servidor nesse momento”, concluiu o palestrante.
À tarde o presidente da DS BH, Luiz Sérgio Fonseca Soares, esteve na DRF-Contagem participando de reunião preparatória para a Assembleia Geral da próxima semana. Atendendo a pedidos de filiados, a palestra “Assédio Moral e Saúde do Trabalho” será ministrada também na DRF-Contagem na próxima terça-feira, 10, às 14 horas.

Assessoria de Comunicação DS BH Sindifisco Nacional

SINJUS-MG participa de seminário sobre assédio moral no Paraná




O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Paraná (Sindijus-PR) realizou no dia 4/5, o Seminário sobre Assédio Moral. Tema que deve se tornar mais claro para os servidores, pois o assunto é complexo e temos a necessidade de absorver mais informações para poder combater essa prática.

O seminário foi dividido em dois momentos, na parte da manhã houve apresentações de relatos de assédio moral em outras áreas pela representante do Sismuc, Alessandra Oliveira; Marisa Stedile, CUT-PR; e do Sinjus-MG, Robert França. O objetivo foi para que os participantes tivessem conhecimento de experiências vivenciadas e a forma que outras Entidades combatem essa violência no serviço público municipal, estadual e privado.

No período da tarde, a atividade recomeçou com demonstração de uma situação de assédio moral realizada pelo Grupo de Teatro Nus Partos. Após, houve uma mesa sobre as diversas visões a respeito do assédio moral e os avanços na sua prevenção. Participaram da exposição a doutora em Psicologia Social, Terezinha Martins dos Santos Souza, Bahia e o psicólogo Arthur Lobato, de Minas Gerais.

A psicóloga Terezinha falou a respeito do assédio moral no trabalho, que hoje é uma prática desumana que degrada as relações interpessoais e organizacionais. Geralmente é praticada pelos chefes e diretores que expõem os trabalhadores a humilhação. A prática de assédio moral é uma perseguição insistente, de ordem moral, que vem através de palavras, atos, gestos, ações dirigidas a uma pessoa específica e geralmente parte do superior hierárquico, prejudicando o desempenho organizacional. “É preciso criar um ambiente de trabalho onde haja democracia”, completou.

Já o psicólogo, Arthur Lobato, abordou as experiências sobre o combate do assédio moral no Judiciário de Minas Gerais, trabalho realizado junto com o Sinjus-MG e Serjusmig. Para ele, são necessárias campanhas de esclarecimento sobre o que é o assédio moral em palestras, seminários e grupos de estudos. No site dos Sindicatos foi desenvolvido um canal de ouvidoria, onde os trabalhadores podem denunciar violência sofrida no local de trabalho, de forma anônima. Mas, Arthur afirma que, além disso, é fundamental o fortalecimento e a união dos trabalhadores na denúncia dos abusos, dando visibilidade a essas práticas. “O assédio moral é questão política”, ressaltou.

Os servidores puderam esclarecer dúvidas quanto ao tema que atinge milhares de trabalhadores que sofrem com o assédio moral no local de trabalho. O servidor Alberto Carlos D. Souza disse que um dos principais problemas enfrentados pelo trabalhador assediado é a falta de provas, pois geralmente não está preparado para a situação. “A pessoa não deve ficar em silêncio, deve procurar a ajuda, para que não sofra depressão, ou seja, não entre em pânico”, destacou.

O advogado Ludimar Rafanhim fez uma discussão mais ampla sobre o assédio moral em todos os seus aspectos. A partir de um Projeto de Lei sobre Assédio Moral que irá ser reapresentado na Assembleia Legislativa do Paraná, tendo como autor o deputado estadual Tadeu Veneri.

Na sequência, os participantes tiveram oportunidade de debater assuntos como a problemática do assédio moral no ambiente de trabalho, prevenção e notificação de acidentes de trabalho com os fundamentos dados através das palestras com profissionais renomados acerca das temáticas. Desta forma, encaminhamentos sobre formas de combate ao assédio moral que tanto aflige a categoria foram decididos.

Segundo o coordenador-geral do Sindijus-PR, o seminário visa à troca de informações que contribuam para a melhoria da qualidade de vida nos ambientes de trabalho, minimizando os riscos aos quais os servidores estão expostos nas suas atividades e ajudar a criar formas para combater os problemas de saúde que atingem diversas categorias.

Os participantes avaliaram o evento como positivo e afirmaram que outros assuntos de interesse dos trabalhadores serão oferecidos aos servidores.

O evento contou com a participação da doutora em Psicologia, Terezinha Martins dos Santos Souza (Assédio Moral no Trabalho), do deputado estadual Tadeu Veneri (PT), Luiz Fernando Pereira Souza (Fenajud), Marisa Stedile (CUT-PR), Robert Wagner França (SINJUS-MG), o psicólogo Arthur Lobato, Rui Viana da Silva (Serjusmig), Alessandra Oliveira (Sismuc) e Antonio Marcos Pacheco (Assojepar).

CARTILHA ASSÉDIO MORAL

A diretora do Sindijus-PR, Rosanna Ventura apresentou a cartilha sobre o assédio moral que o Sindicato vem desenvolvendo para orientar e conscientizar os servidores desta prática. Ela explicou aos participantes o conteúdo e o formato gráfico dela.

Segundo a diretora, o assédio moral tem que ser combatido de forma coletiva e solidária, o Sindicato é a maior arma nessa luta para os servidores.

ASSEMBLEIA

No Dia 4/5, aconteceu a Assembleia Geral Extraordinária com a pauta sobre Federação Nacional dos Servidores do Poder Judiciário nos Estados (Fenajud), a fim de discutir e deliberar as seguintes questões: Autorização da categoria para o Sindicato participar da Fenajud; Autorização da ratificação da fundação da Fenajud e de seus atos; autorização da filiação do Sindicato à Fenajud; e a eleição de delegados representantes do Sindicato para participar da Assembleia de Ratificação da Fenajud. Todos os itens sendo aprovados por unanimidade pelos participantes.

Logo após, ocorreu a Assembleia Geral Ordinária que apresentou a Prestação de Contas do exercício de 2011 do Sindijus-PR aos servidores. Também aprovado por unanimidade.

Fonte: Sindijuspr

Assédio Moral Sindijus





ESTÁ NO AR VÍDEO DO SEMINÁRIO SOBRE ASSÉDIO MORAl


O Sindijus-PR disponibiliza para os servidores vídeo do Seminário sobre Assédio Moral. Evento aconteceu na última sexta-feira (04) em Curitiba. Clique aqui para assistir o vídeo.
Seminário debateu assuntos como a problemática do assédio moral no ambiente de trabalho e apresentou formas de prevenção.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Por que os jornalistas estão adoecendo mais


Margarida Barreto, Roberto Heloani, Arthur Lobato no Fórum Social Mundial
 Doença na profissão
O psicólogo, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Heloani, conseguiu levantar um perfil devastador sobre como vivem os jornalistas e por que adoecem. O trabalho ouviu dezenas de profissionais de São Paulo e Rio de Janeiro, a partir do método de pesquisa quantitativo e qualitativo, envolvendo profissionais de rádio, TV, impresso e assessorias de imprensa. E, apesar da amostragem envolver apenas dois estados brasileiros, o relato imediatamente foi assumido pelos delegados ao Congresso de Santa Catarina – que aconteceu de 23 a 25 de julho – evidenciando assim que esta é uma situação que se expressa em todo o país.

Segundo Heloani, a mídia é um setor que transforma o imaginário popular, cria mitos e consolida inverdades. Uma delas diz respeito à própria visão do que seja o jornalista. Quem vê a televisão, por exemplo, pode criar a imagem deformada de que a vida do jornalista é de puro glamour. A pesquisa de Roberto tira o véu que encobre essa realidade e revela um drama digno de Shakespeare. Deixa claro que, assim como a absoluta maioria é completamente apaixonada pelo que faz, ao mesmo tempo está em sofrimento pelo que faz, o que na prática quer dizer que, amando o jornalismo, eles não se sentem fazendo esse jornalismo que amam, sendo obrigados a realizar outra coisa, a qual odeiam. Daí a doença!

Um dado interessante da pesquisa é que a maioria do pessoal que trabalha no jornalismo é formada por mulheres e, entre elas, a maioria é solteira, pelo simples fato de que é muito difícil encontrar um parceiro que consiga compreender o ritmo e os horários da profissão. Nesse caso, a solidão e a frustração acerca de uma relação amorosa bem sucedida também viram foco de doença.



O aumento da multifunção

Heloani percebeu que as empresas de comunicação atualmente tendem a contratar pessoas mais jovens, provocando uma guerra entre gerações dentro das empresas. Como os mais velhos não tem mais saúde para acompanhar o ritmo frenético imposto pelo capital, os patrões apostam nos jovens, que ainda tem saúde e são completamente despolitizados. Porque estão começando e querem mostrar trabalho, eles aceitam tudo e, de quebra, não gostam de política ou sindicato, o que provoca o enfraquecimento da entidade de luta dos trabalhadores. "Os patrões adoram porque eles não dão trabalho."

Outro elemento importante desta "jovialização" da profissão é o desaparecimento gradual do jornalismo investigativo. Como os jornalistas são muito jovens, eles não têm toda uma bagagem de conhecimento e experiência para adentrar por estas veredas. Isso aparece também no fato de que a procura por universidades tradicionais caiu muito. USP, Metodista ou Cásper Líbero (no caso de São Paulo) perdem feio para as "uni", que são as dezenas de faculdades privadas que assomam pelo país afora. "É uma formação muitas vezes sem qualidade, o que aumenta a falta de senso crítico do jornalista e o torna mais propenso a ser manipulado." Assim, os jovens vão chegando, criando aversão pelos "velhos", fazendo mil e uma funções e afundando a profissão.

Um exemplo disso é o aumento da multifunção entre os jornalistas mais novos. Eles acabam naturalizando a ideia de que podem fazer tudo, filmar, dirigir, iluminar, escrever, editar, blogar etc... A jornada de trabalho, que pela lei seria de cinco horas, nos dois estados pesquisados não é menos que 12 horas. Há um excesso vertiginoso.

Doença é consequência natural

Para os mais velhos, além da cobrança diária por "atualização e flexibilidade", há sempre o estresse gerado pelo medo de perder o emprego. Conforme a pesquisa, os jornalistas estão sempre envolvidos com uma espécie de "plano B", o que pode causa muitos danos a saúde física e mental. Não é sem razão que a maioria dos entrevistados não ultrapasse a barreira dos 20 anos na profissão. "Eles fatalmente adoecem, não aguentam."

O assédio moral que toda essa situação causa não é pouca coisa. Colocados diante da agilidade dos novos tempos, da necessidade da multifunção, de fazer milhares de cursos, de realizar tantas funções, as pessoas reprimem emoções demais, que acabam explodindo no corpo. "Se há uma profissão que abraçou mesmo essa ideia de multifunção foi o jornalismo. E aí, o colega vira adversário. A redação vive uma espécie de terrorismo às avessas."

Conforme Heloani, esta estratégia patronal de exigir que todos saibam um pouco de tudo nada mais é do que a proposta bem clara de que todos são absolutamente substituíveis. A partir daí o profissional vive um medo constante, se qualquer um pode fazer o que ele faz, ele pode ser demitido a qualquer momento. "Por isso os problemas de ordem cardiovascular são muito frequentes. Hoje, Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) e o fenômeno da morte súbita começam a aparecer de forma assustadora, além da sistemática dependência química".

O trabalho realizado por Roberto Heloani verificou que, nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, 93% dos jornalistas já não tem carteira assinada ou contrato. Isso é outra fonte de estresse. Não bastasse a insegurança laboral, o trabalhador ainda é deixado sozinho em situações de risco nas investigações e até na questão judicial. Premidos por toda essa gama de dificuldades, os jornalistas não têm tempo para a família, não conseguem ler, não se d
edicam ao lazer, não fazem atividades físicas, não ficam com os filhos. Com este cenário, a doença é consequência natural.

Transformados em sócios-cotistas

O jornalista ganha muito mal, vive submetido a um ambiente competitivo ao extremo, diante de uma cotidiana falta de estrutura e ainda precisa se equilibrar na corda bamba das relações de poder dos veículos. No mais das vezes, estes trabalhadores não têm vida pessoal e toda a sua interação social só se realiza no trabalho. Segundo Heloani, 80% dos profissionais pesquisados tem estresse e 24,4% estão na fase da exaustão, o que significa que de cada quatro jornalistas, um está prestes a ter de ser internado num hospital por conta da carga emocional e física causada pelo trabalho.

Doenças como síndrome do pânico, angústia e depressão são recorrentes e há os que até pensam em suicídio para fugir desta tortura, situação mais comum entre os homens. O resultado deste quadro aterrador, ao ser apresentado aos jornalistas, levou a uma conclusão óbvia. As saídas que os jornalistas encontram para enfrentar seus terrores já não podem mais ser individuais. Elas não dão conta, são insuficientes.

Para Heloani, mesmo entre os jovens, que se acham indestrutíveis, já se pode notar uma mudança de comportamento na medida em que também vão adoecendo por conta das pressões. "As saídas coletivas são as únicas que podem ter alguma eficácia", diz ele. Quanto a isso, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Rubens Lunge, não tem dúvidas. "É só amparado pelo sindicato, em ações coletivas, que os jornalistas encontrarão forças para mudar esse quadro."

Rubens conta da emoção vivida por uma jornalista na cidade de Sombrio, no interior do estado, quando, depois de várias denúncias sobre sobrecarga de trabalho, ele apareceu para verificar. "Ela chorava e dizia, `Não acredito que o sindicato veio´. Pois o sindicato foi e sempre irá porque só juntos podemos mudar tudo isso." Rubens ainda lembra dos famosos pescoções, praticados por jornais de Santa Catarina, que levam os trabalhadores a se internarem nas empresas por quase dois dias, sem poder ver os filhos, submetidos a pressão, sem dormir. "Isso sem contar as fraudes, como as de alguns jornais catarinenses que não têm qualquer empregado. Todos são transformados em sócios-cotistas. Assim, ou se matam de trabalhar, ou não recebem um tostão."

Por Elaine Tavares
Publicada em 04.05.2012: http://www.sjpmg.org.br

Fonte: Observatório da Imprensa - Edição 604

segunda-feira, 7 de maio de 2012

SEMINÁRIO DISCUTIU CONSCIENTIZAÇÃO E COMBATE AO ASSÉDIO MORAL NO JUDICIÁRIO


Seminário discutiu conscientização e combate ao assédio moral no judiciário;
O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Paraná (Sindijus-PR) realizou nesta sexta-feira (04) o Seminário sobre Assédio Moral. Tema que deve se tornar mais claro para os servidores, pois o assunto é complexo e temos a necessidade de absorver mais informações para poder combater essa prática. 
O seminário foi dividido em dois momentos, na parte da manhã houve apresentações de relatos de assédio moral em outras áreas pela representante do Sismuc, Alessandra Oliveira; Marisa Stedile, CUT-PR; e do Sinjus-MG, Robert França. O objetivo foi para que os participantes tivessem conhecimento de experiências vivenciadas e a forma que outras Entidades combatem essa violência no serviço público municipal, estadual e privado.
No período da tarde, a atividade recomeçou com demonstração de uma situação de assédio moral realizada pelo Grupo de Teatro Nus Partos. Após, houve uma mesa sobre as diversas visões a respeito do assédio moral e os avanços na sua prevenção. Participaram da exposição a mestre em Psicologia Social, Terezinha Martins dos Santos Souza, Bahia e o psicólogo Arthur Lobato, de Minas Gerais.
A psicóloga Terezinha falou a respeito do assédio moral no trabalho, que hoje é uma prática desumana que degrada as relações interpessoais e organizacionais. Geralmente é praticada pelos chefes e diretores que expõem os trabalhadores a humilhação. A prática de assédio moral é uma perseguição insistente, de ordem moral, que vem através de palavras, atos, gestos, ações dirigidas a uma pessoa específica e geralmente parte do superior hierárquico, prejudicando o desempenho organizacional. “É preciso criar um ambiente de trabalho onde haja democracia”, completou.
Já o psicólogo, Arthur Lobato, abordou as experiências sobre o combate do assédio moral no Judiciário de Minas Gerais, trabalho realizado junto com o Sinjus-MG e Serjusmig. Para ele, são necessárias campanhas de esclarecimento sobre o que é o assédio moral em palestras, seminários e grupos de estudos. No site dos Sindicatos foi desenvolvido um canal de ouvidoria, onde os trabalhadores podem denunciar violência sofrida no local de trabalho, de forma anônima. Mas, Arthur afirma que, além disso, é fundamental o fortalecimento e a união dos trabalhadores na denúncia dos abusos, dando visibilidade a essas práticas. “O assédio moral é questão política”, ressaltou.
Os servidores puderam esclarecer dúvidas quanto ao tema que atinge milhares de trabalhadores que sofrem com o assédio moral no local de trabalho. O servidor Alberto Carlos D. Souza disse que um dos principais problemas enfrentados pelo trabalhador assediado é a falta de provas, pois geralmente não está preparado para a situação. “A pessoa não deve ficar em silêncio, deve procurar a ajuda, para que não sofra depressão, ou seja, não entre em pânico”, destacou. 
O advogado Ludimar Rafanhim fez uma discussão mais ampla sobre o assédio moral em todos os seus aspectos. A partir de um Projeto de Lei sobre Assédio Moral que irá ser reapresentado na Assembleia Legislativa do Paraná, tendo como autor o deputado estadual Tadeu Veneri. 
Na sequência, os participantes tiveram oportunidade de debater assuntos como a problemática do assédio moral no ambiente de trabalho, prevenção e notificação de acidentes de trabalho com os fundamentos dados através das palestras com profissionais renomados acerca das temáticas. Desta forma, encaminhamentos sobre formas de combate ao assédio moral que tanto aflige a categoria foram decididos. 
Segundo o coordenador-geral do Sindijus-PR, o seminário visa à troca de informações que contribuam para a melhoria da qualidade de vida nos ambientes de trabalho, minimizando os riscos aos quais os servidores estão expostos nas suas atividades e ajudar a criar formas para combater os problemas de saúde que atingem diversas categorias.
Os participantes avaliaram o evento como positivo e afirmaram que outros assuntos de interesse dos trabalhadores serão oferecidos aos servidores.
O evento contou com a participação da mestra em Psicologia, Terezinha Martins dos Santos Souza (Assédio Moral no Trabalho), do deputado estadual Tadeu Veneri (PT), Luiz Fernando Pereira Souza (Fenajud), Marisa Stedile (CUT-PR), Robert Wagner França (Sinjus-MG), o psicólogo Arthur Lobato, Rui Viana da Silva (Serjusmig), Alessandra Oliveira (Sismuc) e Antonio Marcos Pacheco (Assojepar).

CARTILHA ASSÉDIO MORAL

A diretora do Sindijus-PR, Rosanna Ventura apresentou a cartilha sobre o assédio moral que o Sindicato vem desenvolvendo para orientar e conscientizar os servidores desta prática. Ela explicou aos participantes o conteúdo e o formato gráfico dela. 
Segundo a diretora, o assédio moral tem que ser combatido de forma coletiva e solidária, o Sindicato é a maior arma nessa luta para os servidores. 

ASSEMBLEIA

Pela manhã de hoje (04) aconteceu a Assembleia Geral Extraordinária com a pauta sobre Federação Nacional dos Servidores do Poder Judiciário nos Estados (Fenajud), a fim de discutir e deliberar as seguintes questões: Autorização da categoria para o Sindicato participar da Fenajud; Autorização da ratificação da fundação da Fenajud e de seus atos; autorização da filiação do Sindicato à Fenajud; e a eleição de delegados representantes do Sindicato para participar da Assembleia de Ratificação da Fenajud. Todos os itens sendo aprovados por unanimidade pelos participantes.
Logo após, ocorreu a Assembleia Geral Ordinária que apresentou a Prestação de Contas do exercício de 2011 do Sindijus-PR aos servidores. Também aprovado por unanimidade.


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Seminário do Sindijus-PR: “Assédio Moral Chega! Juntos para combater”


O tema “Assédio Moral Chega! Juntos para combater” será discutido no Seminário do Sindijus-PR que acontece durante todo o dia (4) a partir das 8h30, no Clube dos Subtenentes e Sargentos do Exército de Curitiba (Rua Comendador Fontana nº 57, Centro Cívico). O encontro lançara a Campanha do Sindijus-PR contra o Assédio Moral no Poder Judiciário do Paraná.
Segundo o coordenador-geral do Sindicato, José Roberto este seminário dará fundamentos para os servidores lutarem contra o assédio moral no ambiente de trabalho do Poder Judiciário paranaense, que vem crescendo cada vez mais. Por este motivo, o Sindicato tem hoje uma advogada especialista no assunto à disposição dos filiados com objetivo de orientar e minimizar o problema, desenvolvendo assim, um trabalho sistemático de combate ao assédio moral.


Segue abaixo a programação do seminário:

•    8h30 – Credenciamento
   
•    9h00 – Mesa de Abertura
- Convidados: Ministério Público, Tribunal de Justiça, OAB-PR, Fenajud, Amapar, Assojepar, Assejur, MST, CUT e Terra de Direitos Humanos.

•    9h45 – 1ª Mesa: Relatos sobre Assédio Moral
- Sismuc e Sinjus-MG

•    11h00 – Assembelia

•    12h30 – Almoço

•    14h00 – 2ª Mesa: Debate sobre Assédio Moral
- Projeto de Lei sobre Assédio Moral com o Deputado Estadual Tadeu Veneri
- Assédio Moral no Trabalho com a psicóloga formada pela PUC-SP e Mestra e Doutora em Psicologia Social pela PUC-SP Terezinha Martins Dos Santos Souza
- Formas de organização para a luta contra o Assédio Moral no 1º e 2º graus com Robert Wagner França (Sinjus-MG), o psicólogo Arthur Lobato Magalhães Filho e Rui Viana da Silva (Serjusmig)

•    16h30 – Apresentação Cartilha e encaminhamentos de luta ao combate do Assédio Moral no Judiciário Paranaense

•    18h00 – Encerramento com Coquetel de Confraternização

terça-feira, 1 de maio de 2012

Relações entre saúde e trabalho e o impacto na qualidade de vida do servidor


Relações entre saúde e trabalho e o impacto na qualidade de vida do servidor
Em virtude da atualidade do tema "saúde e qualidade de vida no trabalho", que vem sendo alvo de reflexões em todo país, a Escola Judicial, em conjunto com a Seção de Acompanhamento Funcional da SEGESP, realizará, no dia 04 de maio de 2012, outro evento sobre o assunto, destinado a todos os servidores.
Serão apresentadas questões relevantes sobre saúde mental no trabalho pelo conceituado médico Álvaro Merlo, bem como o relato de uma assessoria bem sucedida de sua equipe de pesquisadores do doutorado da UFRGS, aqui no TRT4, na Central de Mandados, demonstrando como podem ser encaminhados para resolução, na prática, queixas e problemas que levam ao adoecimento no trabalho.
Além de tudo isso, abrir-se-á precioso espaço para escutar os servidores sobre esse tema instigante, em grupos coordenados tanto pela equipe de psicólogas da UFRGS quanto do Acompanhamento Funcional do TRT4.
O evento acontecerá na sede da Escola Judicial (Av. Praia de Belas, 1432. Prédio III, 2º Andar), das 9h às 12h e das 14h às 17h30min. As inscrições podem ser feitas pela internet (linkhttp://www.trt4.jus.br/portaltrt/cursosAdmin.html), no período das 12h do dia 27/04 até às 18h do dia 30/04. Para maiores informações sobre a programação, clique aqui.
 
Fonte: Escola Judicial do TRT-RS

Christophe Dejours aborda relação entre trabalho e saúde mental em evento da Escola Judicial em Porto Alegre

Em evento da Escola Judicial, francês Christophe Dejours aborda relação entre trabalho e saúde mental


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A Escola Judicial do TRT da 4ª Região promoveu, na manhã desta sexta-feira (20), a conferência "Saúde, Subjetividade e Trabalho na Empresa e na Instituição Judicial", ministrada pelo psiquiatra, psicanalista, pesquisador e professor de Psicologia do Trabalho francês Christophe Dejours. O evento foi realizado no novo plenário do TRT da 4ª Região. O espaço recebeu mais de 300 pessoas, entre magistrados, servidores, advogados e convidados.


Especialista de renome internacional, Dejours abordou a relação entre saúde e trabalho em três níveis: a associação entre profissionais clínicos, como médicos do trabalho, psicólogos, psiquiatras e psicanalistas, e juristas do Trabalho; o trabalho como causador de doenças mentais; e o trabalho como veículo na construção de identidade e saúde mental.

Para o professor francês, o aumento na demanda de tratamento para descompensações psicológicas oriundas das relações de trabalho é amplamente notado, tanto por clínicos, quanto por juristas e fiscais do Trabalho. Citando estudos realizados na França e no Japão, Dejours explicou essa anormalidade como consequência de um sistema que busca resultados sem considerar as relações interpessoais dos colaboradores. Analisando esse tipo de gestão, adotada em instituições públicas e privadas, Dejours criticou as avaliações individualizadas de desempenho e posteriores sanções, que acabam por introduzir uma cultura de concorrência entre trabalhadores. “Essa cultura, em níveis extremos, pode causar efeitos danosos entre colegas em um ambiente de trabalho, chegando a existir casos, não raros, de suicídio”, alertou o conferencista.

Além de criticar esse caminho entre o trabalho, com pressões organizacionais exageradas, e seus efeitos psicopatológicos, o professor francês sugeriu pensar no trabalho como forma de construção da saúde mental. “A verdadeira prevenção para este tipo de anormalidade é a formação de um tecido nas relações de trabalho (…) O fim da adolescência, momento em que acontece a busca pela construção da identidade, gera um sentimento de incerteza no ser humano. O trabalho, experiência em que se acentua a convivência com outro grupo que não a família, é um segundo momento para construção dessa identidade”, sustentou.

Protagonista de um principais eventos da Escola Judicial do TRT da 4ª Região em 2012, Dejours é autor de livros como "A loucura do trabalho", "A banalização da injustiça social", "O fator humano", "Repressão e subversão em psicossomática", "O corpo, entre a biologia e a psicanálise" e "Da psicopatologia à psicodinâmica do trabalho".

ImagemMesa de abertura

ImagemConferência foi realizada no plenário


Publicado no site: http://www.trt4.jus.br/


Conferência de Marie-France Hirigoyen, uma das principais especialistas do mundo em assédio moral, lota plenário do TRT4 em Porto Alegre



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Reintroduzir a dimensão humana no trabalho, comunicar com clareza as estratégias da empresa aos empregados, conviver com conflitos para que as pessoas possam falar e discordar, além de acabar com o elitismo nas empresas. Estas são algumas recomendações da psiquiatra, psicanalista, psicoterapeuta familiar e professora da Universidade de Paris, Marie-France Hirigoyen, para diminuir o assédio moral no ambiente de trabalho. A especialista francesa palestrou na tarde desta sexta-feira (20/04) no novo plenário do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS). O evento foi promovido pela Escola Judicial do TRT4 e lotou o espaço recém-inaugurado, que tem capacidade para 470 pessoas.
Considerada uma das maiores especialistas do mundo no tema de assédio moral, a francesa tem vários livros e artigos publicados, e trabalha junto ao Parlamento Europeu, Conselho da Europa e Comissão Europeia. Ela também foi consultada para a elaboração da legislação sobre assédio moral na França.
Em sua conferência, a especialista explicou que o assédio moral insere-se no grupo dos chamados riscos psicossociais. Ela elaborou uma definição própria sobre o assunto, segundo a qual o assédio moral constitui-se em estratégias ou comportamentos perversos que visam ao ponto fraco de uma pessoa e com o objetivo desestabilizá-la. Trata-se de uma agressão sutil e progressiva, muito difícil de provar e favorecida pela solidão da vítima e apoio social precário. De acordo com a psiquiatra, o assédio moral forma-se a partir de três componentes: o agressor, o alvo e o contexto em que a prática ocorre.
Conforme a psicanalista, existem quatro tipos de condutas hostis caracterizadoras de assédio moral. A primeira consiste em pequenas agressões reiteradas, cujo acúmulo causa o trauma. A francesa recorreu a um exemplo oferecido por Santo Agostinho para ilustrar esse aspecto: "Um leão pode matar um homem com apenas uma mordida, mas se este homem for jogado em um buraco com muitas pulgas, também será morto, só que mais demoradamente". Outra conduta identificada pela especialista é o isolamento e a recusa de comunicação. "Eu tive um paciente que disse se sentir transparente, porque ninguém falava com ele", afirmou Marie-France. "É muito difícil aguentar a falta de identidade, a falta de existência no cotidiano", explicou.
A terceira conduta hostil relacionada ao assédio moral é chamada pela psiquiatra de “atentado às condições de trabalho”. As pessoas, neste caso, são impedidas de exercer com competência suas atribuições. Segundo ela, as vítimas de assédio moral não são preguiçosas: pelo contrário, investem muito no seu trabalho e por esse motivo incomodam. "O objetivo do assédio é sempre se livrar de alguém que incomoda", salientou a francesa, que citou o atentado à dignidade da pessoa como quarta prática configuradora de assédio moral: trata-se do registro da humilhação e da degradação da vítima, que deixará sequelas muitas vezes definitivas. No limite, explicou a especialista, essas práticas levam à violência física propriamente dita.
Marie-France faz questão de salientar que o assédio moral não faz distinção de classe social ou nível cultural. "Eu costumo dizer que se ocorresse só com mulheres desfavorecidas, ninguém falaria em assédio. Mas ocorre com homens e mulheres de todas as classes, talvez até mais com executivos em altos cargos e então falamos nele", afirmou. O que varia, diz a especialista, é a visibilidade do problema: em ambientes de trabalho mais simples, como a área da produção nas fábricas, o assédio é mais visível, por meio de agressões verbais, zombarias, entre outros. "Quando subimos na hierarquia vemos atos muito mais sutis, como a contestação de decisões, recusas, críticas, atentados à reputação, elementos muito mais difíceis de serem identificados", avaliou.
Quanto à origem do problema, a psicanalista identifica duas "fontes" de assédio moral. A primeira delas é o assédio moral institucional, quando a empresa adota estratégias que visam excluir determinados trabalhadores os quais considera indesejados, como pessoas idosas, mulheres gestantes, líderes sindicais, dentre outros. Essas práticas deliberadas de gestão são chamadas pela professora de assédio moral coletivo. Já o assédio moral individual consiste na recusa da alteridade, ou seja, na recusa do outro enquanto outro. "No mundo do trabalho procuram-se clones, aquele que não pensa igual a nós deve ser eliminado", explicou a francesa. "Tem um ditado japonês que diz que todo prego que se sobressai encontra um martelo", ilustrou.
Como prevenção à conduta do assédio moral, Marie-France sugere que se reintroduza a dimensão humana das pessoas, ou seja, que se admitam fragilidades, fraquezas, que as pessoas não sejam consideradas como robôs que não cansam e que não podem demonstrar irritação ou tristeza. Por outro lado, as empresas precisam se comunicar com seus trabalhadores, porque a ausência de comunicação quanto à estratégia organizacional leva a um mal-estar difícil de aguentar. Ela ainda sugere que se reintroduzam os conflitos no mundo do trabalho. "Com conflito as pessoas podem pelo menos conversar, discordar, expor sua opinião. Hoje ninguém mais conversa durante o cafezinho", ressaltou a psiquiatra. É preciso, por último, segundo ela, recuperar o sentido do trabalho e o seu reconhecimento, e acabar com o elitismo do alto desempenho nas empresas. "É preciso, enfim, admitir todas as fragilidades e tudo que isso implica", concluiu.
ImagemDes. Denis apresentou a palestrante

                  Matéria publicada no site em 20/04/2012
ImagemPúblico lotou o plenário do TRT4

http://www.trt4.jus.br/