terça-feira, 28 de março de 2017

SEMINÁRIO NO TJMMG: CONFLITOS NO AMBIENTE DE TRABALHO

SEGUNDA-FEIRA, 27/03/17 18:34
Juiz Cel PM Rúbio Paulino Coelho (TJMMG)
 e o psicólogo Arthur Lobato.
O SINJUS-MG participou de um seminário, no dia 24/3, promovido pelo Tribunal de Justiça Militar (TJMMG), por meio do seu Comitê Gestor Local de Atenção Integral à Saúde de Magistrados e Servidores. O debate abordou o tema “Conflitos no ambiente de trabalho e sofrimento psíquico” e teve a orientação do psicólogo e membro da Comissão de combate ao Assédio Moral, Arthur Lobato.
Logo no início do debate, após cumprimentar os presentes, o Juiz Cel PM Rúbio Paulino Coelho enfatizou a importância de se discutir o tema e falou sobre o avanço que representou a criação do Comitê Gestor de Saúde, no ano passado.
Wagner Ferreira, coordenador-geral SINJUS/MG
O coordenador-geral do SINJUS, Wagner Ferreira, abriu o debate lembrando que a criação de Comitê com garantia de participação das entidades sindicais foi uma determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio da Resolução 207/2015. Ele parabenizou a Administração da Justiça Militar por cumprir a norma e ser pioneira em Minas Gerais. Desde 2015, o Sindicato vem lutando para que o TJMG também crie um Comitê. “Seria possível estudar políticas para diminuir o alto índice de absenteísmo dos servidores e garantir que eles tivessem acesso a um ambiente de trabalho seguro e saudável. A Resolução 207 do CNJ representou um avanço, mas não pode ficar apenas no papel ou ser feita pela metade. É fundamental que o TJMG também crie um Comitê Gestor e que as entidades sindicais façam parte”, critica.
Psicólogo Arthur Lobato
Adoecimento x Metas
O psicólogo Arthur Lobato abriu o debate com os últimos dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre adoecimento. O Brasil registra média de 700 mil acidentes do trabalho e doenças ocupacionais por ano. Entre as causas estão maquinário velho e desprotegido, tecnologia ultrapassada, mobiliário inadequado, assédio moral, cobrança exagerada e desrespeito a diversos direitos. “Trazendo para a realidade da Justiça, sabemos que esses números também assustam, mas infelizmente o Judiciário não tem um estudo sobre o adoecer do trabalhador”.
O especialista citou o excesso de trabalho como um dos graves problemas vividos nos tribunais. Com a implementação do Processo Judicial eletrônico (PJe), os servidores passaram a trabalhar mais horas, passando mais tempo em frente aos computadores. “Esses trabalhadores têm sofrido até com a falta de pausas. Não somos máquinas. Precisamos nos levantar da cadeira, descansar os olhos. Mas eles se deparam com chefias controlando as idas ao banheiro, os intervalos, já que só se fala em produtividade e metas. Assim, o servidor não consegue cuidar da sua saúde”, explica. Entre os males que surgem nesse contexto estão o LER, a secura nos olhos, a irritação, entre outras.
Conflitos x produtividade
Psicólogo Arthur Lobato, durante palestra no
auditório do TJMMG.
Segundo Arthur, as altas metas a serem cumpridas também são responsáveis pelos conflitos que surgem no ambiente de trabalho. Os chefes são cobrados a apresentar cada vez mais produtividade e consequentemente pressionam seus subordinados a apresentaram os resultados. Tudo isso em um ambiente de estresse e pressão. “Uma pesquisa feita no Judiciário apontou que o que mais estressa os servidores é serem tratados aos gritos. O trabalho é saudável quando há diálogo, escuta e respeito às opiniões de quem trabalha junto”. Arthur explicou os conceitos de práticas muito usuais no ambiente de trabalho como o mobbing: são manobras hostis frequentes e repetitivas, direcionadas sempre à mesma pessoa.
Por fim, o especialista falou da importância da humanização do trabalho. “O ser humano precisa ser visto além da sua força produtiva. O trabalho não pode perder seu sentido. Cada um de nós é diferente, tem suas particularidades, emoções. Precisarmos ser mais tolerantes para criar um clima de trabalho mais saudável”.

Publicado em: http://sinjus.org.br

II Fórum de debates sobre o assédio moral no serviço público


O II Fórum de debates que tem como tema: “O assédio moral no serviço público e a impunidade  que destrói vidas
dias: 31/03 e 01/04 de 2017, no hotel Plaza Suítes, em Fortaleza.
  • O assédio moral no poder judiciário
  • O assédio moral e a lei Maria da Penha
  • Assédio moral: O processo  administrativo e o processo judicial.
A coordenação geral está a cargo de José W. Fernandes, Pós-graduado em Direito do Trabalho.
O ASSÉDIO MORAL MATA. 
NÃO FIQUE CALADO. DENUNCIE.

PROGRAMAÇÃO: 
31/03/2017 – Sexta-Feira
19h – Palestrante Arthur lobato
Debate aberto.                                                                                   
01/04/2017 – Sábado
08h – Palestrante Isaac Oliveira
10h –  Uma conversa com Maria da Penha
14h – Palestrante José Fernandes
15h – Palestrante Suicídio no Trabalho
17h – Encerramento

terça-feira, 21 de março de 2017

Confira os vídeos do 1º Seminário do DSTCAM do SITRAEMG

Evento do Departamento de Saúde no Trabalho e Combate ao Assédio Moral foi realizado em novembro de 2016, em Belo Horizonte. 

O primeiro Seminário do Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM) foi realizado nos dias 4 e 5 de novembro de 2016, no hotel Normandy, em Belo Horizonte, tendo à frente na organização os integrantes do departamento, coordenadores do Sindicato Célio Izidoro, Vilma Oliveira Lourenço, a filiada Rogéria Figueiredo, e o psicólogo Arthur Lobato, responsável técnico. Também estiveram presentes os coordenadores Alexandre Magnus e Henrique Olegário Pacheco.


Confira, abaixo, vídeos das palestras do evento:


Publicado em:http://www.sitraemg.org.br


Humanização do Trabalho

Por Arthur Lobato, psicólogo/saúde do trabalhador, responsável pelo Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM) do SITRAEMG.



Um dos objetivos do trabalho é inserir o ser humano no processo produtivo. Por trabalho saudável entendo aquele feito com prazer, onde há um bom relacionamento interpessoal, e condições materiais de se executar a tarefa. O trabalho é saudável quando há diálogo, escuta e respeito às opiniões de quem trabalha junto.
Como o modelo de trabalho no mundo atual visa o lucro e a produtividade através de metas absurdas, e este modelo está sendo implementado no serviço público, lutamos dentro do projeto saúde do trabalhador, por um modelo de gestão humanizado e não este modelo de gestão que trata os seres humanos como se fossem máquinas, um processo de desumanização do trabalhador reduzido a uma simples cifra, uma peça na engrenagem produtiva.
Quando propomos a humanização do trabalho, queremos entender o ser humano não só enquanto força produtiva, mas naquilo que nos diferencia dos animais: somos seres racionais. E, por racional entendo a relação entre a percepção, sentimentos, inteligência, e nossa capacidade de refletir sobre si próprio e sobre o mundo, afinal, tenho consciência que existo, tenho consciência do tempo que passa, do espaço que se modifica com o tempo, sabemos de nossa finitude e nossa necessidade de sobrevivência só pode ser conseguida através do trabalho que é composto de vários processos de relações, entre humanos e humanos, humanos e máquinas, força de trabalho e capital, entre tantos fatores.
Humanização do trabalho é uma luta do SITRAEMG e de todos nós trabalhadores para que instituições e empresas entendam que cada ser humano é diferente e que não somos máquinas de produção, mas seres humanos racionais e emocionais, temos consciência, razão e afetos.
Um exemplo claro da falta de humanidade no trabalho é caracterizado pela volta dos adoecidos ao local do trabalho. Suas queixas na clínica do trabalho se referem aos próprios colegas e percebemos que a solidariedade foi substituída pela individualidade, pela competitividade, o outro ausente deixa de ser humano, mas um estorvo, pois “diminuiu a produtividade do grupo”.
Somos enquanto seres humanos este amálgama de razão e emoção,  antagônicos que devem ser governados pela consciência, domando e direcionado a força da razão e da emoção, os  alazões que conduzem a biga/corpo, metáfora já descrita por Platão, o filósofo grego em seus diálogos,  com a consciência sendo o cocheiro e a biga, o corpo.  Razão e emoção os cavalos (potências) que levam a biga na direção e velocidade pretendida.
Se somos seres racionais, temos a linguagem para nos comunicar e transmitir experiências em busca de uma evolução humana e científica, e para isso precisamos de humanizar o trabalho, via diálogo, missão de todos nós.
OBS.:
Em novembro do ano passado, o DSTCAM do SITRAEMG realizou um seminário sobre saúde do trabalhador, e, através de palestras e debates, discutimos o adoecer do trabalhador, sua relação com a organização do trabalho, o modelo de gestão, a virtualização do trabalho (PJE e teletrabalho), a indústria da loucura, estresse pós-traumático e assédio moral. Ressaltamos, portanto, a importância do trabalho ser fonte de realização pessoal e profissional e não de adoecimento.
Confira:

quinta-feira, 16 de março de 2017

Em visita oficial, psicólogo do TJ-RO vem ao SERJUSMIG conhecer o trabalho desenvolvido pelo “Comitê de Combate ao assédio moral”

Publicado em 13 de Março de 2017 




Na última sexta-feira, os dirigentes do SERJUSMIG Rui Viana e Antônio Costa, juntamente com o psicólogo Arthur Lobato, receberam, na sede do Sindicato, a visita oficial do psicólogo Pedro Martins de Oliveira, do Tribunal de Justiça de Rondônia.
Pedro, que é lotado no Serviço Médico do TJ-RO, está implantando no setor um núcleo de combate ao adoecimento psíquico, cujo início das atividades está previsto para 2018.
“Como o SERJUSMIG é referência no combate ao assédio moral no contexto do trabalho, o TJ-RO autorizou a minha visita para que eu pudesse conhecer de perto o trabalho desenvolvido pelo Sindicato e, assim, embasar ainda mais o trabalho que queremos desenvolver em Rondônia”, explica Pedro.
Os diretores entregaram ao servidor exemplares das cartilhas contra o assédio moral já editadas pelo SERJUSMIG, todas elas em parceria com Arthur Lobato, e transmitiram a ele experiências nos campos jurídico, político e administrativo da atuação que o Sindicato vem protagonizando com mais ênfase há exatos 10 anos.
Obs. Em Minas Gerais, a Lei Complementar nº 116/2011 trata a respeito do assédio moral de servidores públicos, cabendo destacar a legitimidade dos sindicatos para apurar e acompanhar tais infrações: Art. 9° A administração pública tomará medidas preventivas para combater o assédio moral, com a participação de representantes das entidades sindicais ou associativas dos servidores do órgão ou da entidade.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

NÃO CAIA NO BURNOUT!

QUINTA-FEIRA, 23/02/17 16:02

O esgotamento profissional: o “burnout” segundo Dostoiewisk
É interessante notar que há mais de 100 anos o russo Fiódor Mikailovitch Dostoiéviski (1821/1881) já denunciava os aspectos negativos de se trabalhar em casa, pois indo a uma repartição, mesmo que você não queira, tem que trabalhar, tem que fazer o serviço, pois há chefias, controle, vigilância e punição, além de exigência de produtividade, cumprimento de metas, etc. Mas esta pressão termina com o final da jornada, quando saímos do trabalho enquanto espaço físico. Entretanto, em casa você vira seu chefe, internalizando o chefe externo, já que agora você é chefe de si mesmo, na sua própria casa, fortalecendo o superego, e a psicanálise revelou como o superego é severo com o ego, um dos motivos da cisão neurótica do sujeito.
No conto “Um coração fraco”, Dostoievski narra o drama de  um escriturário, um servidor público russo no império do TZAR, que, em caso de desídia, pode ser até fuzilado, pois o serviço público, registrando, mantendo e guardando processos e documentos é a base da burocracia e do controle do Estado sobre os cidadãos. Fazer parte do serviço público do império russo é uma honra, e as promoções vão depender da produtividade, da caligrafia perfeita, que não pode ser demorada, mas precisa, afinal não existia xerox, somente cópias manuais de documentos — o trabalho do caligrafo, do amanuense.
No livro, o personagem principal inicia o conto muito feliz confraternizando com um amigo, pois ficou noivo e queria comemorar. Mas toda a alegria do personagem logo cai por terra, quando ele confessa ao amigo, depois de dias de festa e alegria, já que é véspera de Natal e Ano Novo, que trouxe trabalho da repartição, recomendado pela chefia para ser concluído no período de festas natalinas, quando a repartição está fechada. O personagem recém-promovido quer mostrar serviço e assume o compromisso. Entretanto, a vida e o amor interferem no seu trabalho mecânico de copista, pois ele conhece uma mulher, se apaixona, fica noivo comemora com o amigo e quando percebe vários dias se passaram. Agora, em casa a alegria da lugar à ansiedade, medo e preocupação, afinal o serviço está atrasado, e mesmo sendo Natal e Ano Novo a tarefa deve ser cumprida, pois é seu compromisso com a chefia, com seu cargo e consigo mesmo.
Entretanto, o personagem, sentado na mesa de trabalho em sua casa, não consegue se concentrar tantas são a emoções vividas nestes últimos dias. Mas, para casar ele deve manter o emprego e para manter o emprego deve cumprir a tarefa, e ela esta muito atrasada. Como se concentrar em um serviço monótono, meticuloso, se sua mente e seu coração só pensam no amor e na amada Lisanka.
Surge o primeiro bloqueio: falta de concentração em casa para executar a tarefa. Os pensamentos estão focados na emoção do amor e ele fica horas na mesa sem conseguir começar o trabalho. O medo da punição gera angústia e ansiedade e ele, em um esforço sobre humano, tenta realizar a tarefa, lutando contra suas emoções e pensamentos amorosos. Começa a copiar os documentos sem parar, sem errar, sem dormir ou se alimentar.
Seu amigo, Arkaddi, o visita e fica preocupado com seu estado, pois há dias ele não dorme, não se alimenta, e mesmo assim o trabalho não rende. Ele fica preocupado, mas não consegue convencer o amigo de fazer uma pausa, este continua de forma frenética a escrever, copiando páginas e mais páginas, de forma automática, “a pena desliza”, diz o autor, mas o trabalho não acaba. Dias e noites se passam, a noiva se preocupa, o amigo também, mas nada faz Vássia sair do ritmo de trabalho que ele se impôs para conseguir executar a tarefa, mesmo sendo Natal e Ano Novo, que passam sem que o personagem saia de casa.
Esta exigência consigo mesmo traz consequências. É visível seu transtorno, mas ele continua copiando e trabalhando sem cessar. Então, quando o amigo resolve intervir dizendo que o trabalho está quase terminado, ele se desespera e mostra uma pilha de documentos que ainda tem de copiar. Estafado, sem dormir e comer ele se angustia e pensa nas consequências de não executar a tarefa, pois até ser fuzilado por motivo de desídia está contido como sentença, no estatuto do serviço público russo. E o medo, a preocupação e a responsabilidade são mais fortes que os apelos do amigo ou necessidade de descanso, afinal, a prioridade é o trabalho.
É um caso que hoje chamaríamos de burnout –  “(…) um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional” —, pois há um contexto psicológico ligado ao trabalho: a responsabilidade do trabalhador. O medo da punição é menor que a angústia de “não ter dado conta do trabalho”, sem perceber que a tarefa era uma meta muito exigente. E, de tanto trabalhar enlouquece, se dirige ao chefe em sua casa no início do Ano Novo para se justificar, pois está esgotado, e não deu conta da tarefa. Este servidor, que era um funcionário modelo, tranquilo, se apresenta ao chefe em tal estado de agitação e desespero, imundo, com uma barba mal cuidada, com uma fala desconexa e angustiado, que chora e pede perdão por sua “incapacidade” de dar conta do serviço.  Um médico é chamado e constata que ele enlouqueceu. Nesta época não havia o estudo mais aprofundado sobre o estresse laboral tampouco estudos sobre “burnout”, tampouco licença saúde por transtornos mentais, somente a divisão SANIDADE E LOUCURA.
Para Vássia, funcionário público do Império russo na época do tzarismo, a loucura pelo excesso do trabalho e o conflito entre suas emoções e a obrigação laboral o levam à exaustão e à loucura, era o fim de uma vida dedicada ao trabalho, e mesmo assim ele se culpa de não ter dado conta de realizar a tarefa. O hospício é seu destino, a saída da loucura do trabalho é enlouquecer de verdade. No final do conto a frase cruel e dúbia do chefe: “afinal nem era tão urgente…”.
Fica a dúvida: não era mesmo urgente ou foi imposto à Vássia como urgente, ou foi ele quem introjetou a urgência por conta própria? Bem atual, quando analisaremos no próximo artigo sobre a virtualização do trabalho no serviço público e o aumento do ritmo do trabalho.
*Arthur Lobato é Psicólogo/saúde do trabalhador



ARTHUR LOBATO


É psicólogo da área de saúde do trabalhador. Integra a equipe da Comissão de Assédio Moral do SINJUS-MG. Participou de Congressos Internacionais sobre o tema no Brasil, Argentina e México. Sócio colaborador da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

HUMANIZAÇÃO NO TRABALHO


Arthur lobato
Um dos objetivos do trabalho é inserir o ser humano no processo produtivo. Por trabalho saudável entendo aquele feito com prazer, onde há um bom relacionamento interpessoal, e condições materiais de se executar a tarefa. O trabalho é saudável quando há diálogo, escuta e respeito às opiniões de quem trabalha junto.
Como o modelo de trabalho no mundo atual visa o lucro e a produtividade através de metas absurdas, e este modelo está sendo implementado no serviço público, lutamos dentro do projeto saúde do trabalhador, por um modelo de gestão humanizado e não este modelo de gestão que trata os seres humanos como se fossem máquinas, um processo de desumanização do trabalhador reduzido a uma simples cifra, uma peça na engrenagem produtiva.
Quando propomos a humanização do trabalho, queremos entender o ser humano não só enquanto força produtiva, mas naquilo que nos diferencia dos animais: somos seres racionais. E, por racional entendo a relação entre a percepção, sentimentos, inteligência, e nossa capacidade de refletir sobre si próprio e sobre o mundo, afinal, tenho consciência que existo, tenho consciência do tempo que passa, do espaço que se modifica com o tempo, sabemos de nossa finitude e nossa necessidade de sobrevivência só pode ser conseguida através do trabalho que é composto de vários processos de relações, entre humanos e humanos, humanos e máquinas, força de trabalho e capital, entre tantos fatores.
Humanização do trabalho é uma luta do Sinjus e de todos nós trabalhadores para que instituições e empresas entendam que cada ser humano é diferente e que não somos máquinas de produção, mas seres humanos racionais e emocionais, temos consciência, razão e afetos.
Um exemplo claro da falta de humanidade no trabalho é caracterizado pela volta dos adoecidos ao local do trabalho. Suas queixas na clínica do trabalho se referem aos próprios colegas e percebemos que a solidariedade foi substituída pela individualidade, pela competitividade, o outro ausente deixa de ser humano, mas um estorvo, pois “diminuiu a produtividade do grupo”.
Somos enquanto seres humanos este amálgama de razão e emoção, antagônicos que devem ser governados pela consciência, domando e direcionado a força da razão e da emoção, os alazões que conduzem a biga/corpo, metáfora já descrita por Platão, o filósofo grego em seus diálogos, com a consciência sendo o cocheiro e a biga, o corpo. Razão e emoção os cavalos (potências) que levam a biga na direção e velocidade pretendida.
Se somos seres racionais, temos a linguagem para nos comunicar e transmitir experiências em busca de uma evolução humana e científica, e para isso precisamos de humanizar o trabalho, via diálogo, missão de todos nós.
*Arthur Lobato é psicólogo/saúde do trabalhador


Arthur Lobato
É psicólogo da área de saúde do trabalhador. Integra a equipe da Comissão de Assédio Moral do SINJUS-MG. Participou de Congressos Internacionais sobre o tema no Brasil, Argentina e México. Sócio colaborador da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).



Publicado em: http://sinjus.org.br/author/arthurlobato/


Combate ao Assédio Moral na Administração Pública por Arthur Lobato-Psicólogo

Capa: LAR Saavedra - “Senãles del Silencio” (Rostro IX) Obra cedida pelo Artista plástico Luis Alberto Ruiz Saavedra, pintor cubano que reside em Quito/Equador, onde também é professor Universitário de Psicologia Social, Sociologia, Ética 


Ao lançar essa publicação, o SERJUSMIG dissemina mais conhecimento sobre esse inimigo invisível no ambiente de trabalho que é o assédio moral. 

Através do trabalho do psicólogo Arthur Lobato e a análise de 53 casos que continham indícios de assédio moral, atendidos no período entre 2007 e 2014, no Plantão de Atendimento às Vítimas de Assédio Moral do sindicato. O estudo que busca identificar e entender como, quando, porque acontece o assédio moral e formar um banco de dados qualitativo que possibilite promover ações de intervenção na organização do trabalho. Atuação pautada nas recomendações da Organização Internacional do Trabalho - OIT que preceitua soluções preventivas que levem em conta a origem da violência, e não somente atuar contra seus efeitos.

Os dados foram fornecidos pelo psicólogo de acordo com a percepção e relato durante as sessões de escuta dos servidores/servidoras que buscaram apoio do Departamento de Saúde do Sindicato de Servidores da Justiça de 1ª Instância do Estado de Minas Gerais – SERJUSMIG. 

Depois da coleta de dados foi realizada a análise estatística dos atendimentos de servidores e servidoras da Justiça de 1ª Instância do Estado de Minas Gerais utilizando-se o programa integrado de banco de dados, Epi Info. O questionário de percepção  foi elaborado pela jornalista Taís Ferreira com entrada de dados com campos de texto de preenchimento, como iniciais do nome, data de nascimento, sexo, caixas de seleção de vínculo como cargo, comarca, duração do assédio e perguntas com listas sobre atitudes hostis vivenciadas no ambiente de trabalho.

A ferramenta de Análise de Dados fornece maneiras de transformar os dados, projetar, gerar tabelas, relatórios e fazer avaliações estatísticas a partir de dados resumidos inseridos na tela. De acordo com cada variável foi analisada a incidência, frequência, gênero, cargo, tendências e porcentagem de atitudes que provocam deterioração proposital das condições de trabalho causando grande impacto na saúde dos trabalhadores da Justiça de Minas Gerais. 

O software Epi Info foi elaborado pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention/ Centro para Controle e Prevenção de Doenças) em colaboração com a OMS (Organização Mundial da Saúde) para coletar e analisar dados na área da saúde e Epidemiologia.

Em Minas Gerais, vários sindicatos já incorporaram o tema do Combate ao Assédio Moral no ambiente de trabalho como parte de seu plano de lutas. O Sindicato dos Servidores do Judiciário de Primeira Instância do Estado de Minas Gerais - SERJUSMIG há mais de 10 anos prioriza a luta política pela saúde do trabalhador, focando o combate ao assédio moral e outras violências no trabalho. 

Em 2007, o SERJUSMIG instituiu uma comissão multidisciplinar composta por um advogado, um psicólogo e um diretor sindical com o intuito de auxiliar neste trabalho intensivo de combate ao assédio moral – Plantão de Combate ao Assédio Moral.

Em 2011, juntamente com outros sindicatos, exerceu forte ação política junto ao legislativo e executivo mineiro, e esta ação coordenada, com apoio e participação da categoria, resultou na aprovação e regulamentação da Lei de Combate ao Assédio Moral no Serviço Público Estadual, no Estado de Minas Gerais - a Lei Complementar 116/2011, e regulamentação da Comissão Paritária TJMG-Sindicatos instituída pela Portaria nº 2832/2012. 

Muitos avanços foram obtidos desde então, mas, a prática do assédio moral ainda não foi banida dentro do Judiciário mineiro, o que exige de todos atenção e ação permanentes. 

O psicólogo Arthur Lobato lançou cartilha no Encontro de Delegados e agora SERJUSMIG disponibiliza, on line. Confira.


SERJUSMIG CARTILHAS E MANUAIS

COMBATE AO ASSÉDIO MORAL NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA/Arthur Lobato Psicólogo


O novo site do Sinjus destaca o Núcleo de Saúde, a Clínica do Trabalho e a Roda de Conversa com os aposentados, projetos criados e realizados pelo psicólogo Arthur lobato, que também é colunista do temas sobre Saúde do Trabalhador.


Seja bem-vindo ao novo site!  


O Núcleo de Saúde foi criado para prevenir e cuidar da saúde do servidor e combater a violência no ambiente de trabalho, seja ela física, emocional ou psíquica. Além de oferecer uma equipe multidisciplinar para o atendimento de casos de assédio moral, o Núcleo conta com diversos serviços gratuitos, como atendimento psicológico, na Clínica do Trabalho; nutricional; ginástica laboral.


CLÍNICA DO TRABALHO

O Núcleo de Saúde do SINJUS, focando a relação trabalho/adoecimento e trabalho/sofrimento, está disponibilizando um espaço clínico para atendimento psicológico individual: a Clínica do trabalho, com o Psicólogo Arthur Lobato. 


O agendamento para atendimento individual aos filiados é feito pelo telefone: (31) 3213-5247.


O mundo do trabalho atual significa para o trabalhador o avanço do projeto neoliberal, consolidando o tripé do Consenso de Washington: Estado mínimo, privatização e terceirização. Neste modelo, perda de direitos trabalhistas, precarização das condições de trabalho e competitividade representam a realidade do trabalho tanto na iniciativa privada quanto no serviço público. Já é constatado na saúde do trabalhador/servidor público os efeitos nocivos da tecnologia da informática, que têm acelerado o ritmo de trabalho, aliado a um modelo de gestão da iniciativa privada que adoece e gera sofrimento ao trabalhador, porque metas e produtividade sem condições de serem realizadas, e desrespeito aos limites humanos são o principal conteúdo do discurso empresarial.
Esta organização do trabalho e este modelo de gestão fundamentado na hierarquia/disciplina, via autoritarismo, são responsáveis por diversos tipos de sofrimento relacionados ao trabalho. Os principais transtornos mentais e emocionais envolvendo a saúde mental e emocional dos trabalhadores são, principalmente, a depressão e a ansiedade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão é uma das principais causas de incapacidade no mundo, sendo que o suicídio associado à depressão faz cerca de 850.000 vítimas, anualmente.


NÚCLEO DE SAÚDE: INFORMAÇÕES, ATENDIMENTOS E CONVÊNIOS EM UM SÓ LUGAR



A necessidade de criar um grupo específico para monitorar, constantemente, as questões relativas à saúde dos servidores fez surgir, em 2016, o Núcleo de Saúde do SINJUS-MG. Por meio de atendimentos, serviços gratuitos, estudos e debates, o objetivo do Núcleo é oferecer melhor qualidade de vida para o filiado dentro e fora do ambiente de trabalho. Como a discussão sobre as demandas dessa área vem ganhando cada vez mais importância, o Núcleo acaba de ganhar no novo site do Sindicato, um menu exclusivo!
No espaço, é possível conhecer um pouco mais sobre cada área de atuação do Núcleo: a Clínica do Trabalho, que disponibiliza atendimento psicológico individual com o psicólogo Arthur Lobato; o trabalho realizado no combate do Assédio Moral nos Tribunais de Justiça e Justiça Militar, por meio das comissões paritárias e do Plantão de Atendimento oferecido; os estudos e pesquisas produzidos pelos nossos especialistas que buscam aprofundar e entender as necessidades dos servidores e buscar melhorias e a “Roda de Conversa”, que sempre leva a categoria a expor problemas nas condições de trabalho, levando os servidores a refletir sobre a demanda, dialogar e buscar soluções junto a especialistas.
No menu também está disponibilizada uma parte importante do trabalho do Sindicato que envolve a saúde dos servidores: os convênios e atendimentos oferecidos. O SINJUS sempre entendeu como um dever a busca constante por formas de melhorar a qualidade de vida dos seus filiados. Por isso, durante todos esses anos, além de promover debates e seminários com especialistas nos diversos campos da saúde e de manter o tema em pauta constante no CONSINJUS, a entidade fechou parcerias e ofereceu atividades visando o bem-estar dos servidores. Em 2017, estamos renovando o setor, trazendo convênios de peso e com descontos ainda mais significativos.
O SINJUS oferece atendimento psicológico, jurídico, nutricional e, para os momentos mais difíceis, o auxílio-funeral. No menu “Atendimentos” é possível conhecer mais sobre os serviços disponíveis e preencher um formulário para agilizar a marcação da consulta ou do serviço.
Sabemos que com o passar dos anos, a rotina laboral se modifica, surgem novas tecnologias e diferentes formas de trabalho. Surgem também novas discussões e problemas envolvendo a saúde dos servidores. É preciso acompanhar de perto essas mudanças. É por isso, que neste espaço dedicado inteiramente à sua saúde no nosso Portal, você, filiado, estará por dentro das últimas informações publicadas. Fique de olho na programação das atividades, cursos e debates que serão realizados e se informar sobre as novas parcerias que fechamos para você.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

DSTCAM do SITRAEMG conversa sobre saúde do servidor com direção da Justiça Federal

O coordenador do SITRAEMG Célio Izidoro e o psicólogo Arthur Lobato, ambos integrantes do Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM) do Sindicato, reuniram-se na terça-feira, 14/02, na Seção Judiciária de Minas Gerais, com Renata Pimenta, diretora do Núcleo de Bem-Estar Social (NUBES), e com Heloísa Carvalho, titular da Secretaria Administrativa (SECAD).

O principal tema discutido foi a participação de representantes da SJMG no comitê gestor de saúde recém-criado pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), instalado na sede do Tribunal, em Brasília (DF). Quanto a essa questão, ficou acertado que uma reunião será agendada com os representantes da SJMG no comitê, para apresentação de propostas do DSTCAM em prol da saúde dos servidores da Justiça Federal.
Também foram tratadas nesse encontro: flexibilização de horário de trabalho para os servidores da Justiça Federal; instituição de um selo de qualidade para a SJMG e subseções judiciárias (essas informações serão repassadas ao Sindicato); proposta do Sindicato de parceria entre a entidade e a SJMG para realização de um debate sobre no Dia Internacional da Mulher, tendo como tema, a princípio, “A mulher e a mudança da previdencia social”; proposta da realização de uma palestra sobre modelo de gestão; implementação do PJE na Justiça Federal e a possibilidade do teletrabalho (homme office).

Comitê gestor local planeja ações de promoção da saúde no TRT

O psicólogo Arthur Lobato participa do Comitê Gestor Local de Atenção à Saúde do Tribunal Regional do Trabalho - TRT.


Reunião entre profissionais da saúde, magistrados, gestores e servidores, realizada na sexta-feira (20) de janeiro, na sede do TRT-MG, em Belo Horizonte, abriu os trabalhos do Comitê Gestor Local de Atenção à Saúde em 2017. O encontro foi dirigido pela coordenadora do Comitê, desembargadora Denise Alves Horta.

Na pauta de discussão estavam estratégias para conscientizar o público interno sobre a prevenção de doenças e incentivar a adesão ao exame periódico, oferecido anualmente pela Secretaria de Saúde. O exame periódico, obrigatório para servidores e magistrados, é a principal ação preventiva contra o adoecimento, além de ser importante para fornecer dados que orientam as ações de promoção da saúde na instituição.

Entre as propostas do Comitê para este ano estão a realização de fóruns, palestras e campanhas de conscientização sobre temas como saúde mental no trabalho, acidentes de trabalho no Tribunal, bruxismo, entre outros.

Participaram da reunião os juízes Rodrigo Ribeiro Bueno, membro do Comitê; Anaximandra Kátia Abreu Oliveira, representante da Amatra3; Cristina Discacciati, diretora de Gestão de Pessoas; Arthur Lobato, psicólogo do Sitraemg; Célio Izidoro, servidor do TRT-MG e representante do Sitraemg; e servidores da Diretoria de Saúde. 


(Foto: Madson Morais)



Seminário debate saúde mental no trabalho


 

Evento teve a participação do médico do trabalho Hudson de Araújo Couto, que proferiu palestra para magistrados e servidores


Com o objetivo de refletir sobre a saúde mental e seus aspectos relacionados à rotina de trabalho, o Comitê Gestor Local de Atenção Integral à Saúde, o Programa Trabalho Seguro e a Escola Judicial promoveram, na tarde de ontem (28), I Seminário sobre Saúde Mental no Trabalho. O evento ofereceu a magistrados e servidores palestra do médico do trabalho e doutor em administração Hudson de Araújo Couto.

O 1º vice-presidente do Tribunal, desembargador Ricardo Antônio Mohallem, abriu o seminário dizendo acreditar que um dos principais motivos de adoecimento mental é a falta de comunicação efetiva entre as pessoas. "No mundo atual, em que as pessoas se relacionam muito mais por mensagens eletrônicas, a ausência da comunicação olho no olho impede que se percebam sinais de que o outro está sofrendo algum transtorno mental".

Em sua fala, a coordenadora do Comitê Gestor Local de Atenção Integral à Saúde, desembargadora Denise Alves Horta, disse que esse tema, "além de muito instigante, está cada vez mais em voga por causa das constantes mudanças políticas, econômicas e sociais do mundo globalizado".

Já o gestor nacional do Programa Trabalho Seguro, desembargador Sebastião Geraldo de Oliveira, lembrou que a saúde mental também é tema do programa e da Organização Internacional do Trabalho para os anos de 2016 e 2017. E destacou que as estatísticas brasileiras colocam o adoecimento mental como o 3º motivo de afastamento de trabalhadores, segundo o INSS. "O TRT tem julgado, cada vez mais, causas com esse tema, pois, atualmente, o trabalho está mais denso, tenso e intenso", afirmou.

Os três desembargadores compuseram a mesa de honra do seminário com os desembargadores Luiz Ronan Neves Koury, 2º vice-presidente do TRT e diretor da Escola Judicial, Rosemary de Oliveira Pires, gestora regional do Programa Trabalho Seguro, que também se manifestou durante o evento, ressaltando aspectos importantes do tema em debate. Também compuseram a mesa o secretário de Saúde Geraldo Mendes Diniz, o médico do TRT3 Gustavo Franco Veloso e os psicólogos Márcia Rachel Pires, do TRT3, e Arthur Lobato, do Sitraemg.

A palestra

Hudson Couto dividiu a sua palestra em duas partes. Na primeira, apresentou estudos que demonstravam características de indivíduos mais predispostos a transtornos mentais. Pessoas jovens, tensas, inseguras e emotivas têm mais probabilidade de apresentar o problema, assim como aqueles que são muito comprometidos com o trabalho, que não respeitam seus limites, que se desequilibram financeiramente e que não praticam atividades físicas. Mas lembrou que a saúde mental pode oscilar dependendo do momento de vida por que cada um está passando.

Em seguida, explicou que o grau de estresse é um dos determinantes para o transtorno mental. De acordo com ele, o grau ideal de estresse acontece quando há equilíbrio na relação entre exigência e estrutura de cada pessoa. Quando as exigências são muito menores do que o indivíduo pode suportar, há estresse de monotonia, o que pode levar ao adoecimento mental. "É o que acontece com aposentados que não se prepararam para a aposentadoria", exemplificou.

O contrário ocorre quando as exigências são muito altas e o indivíduo não tem estrutura para suportá-las. Nesse caso, há o adoecimento por sobrecarga ou estafa. Como exemplo, o médico do trabalho apontou pessoas que criam expectativas bem acima das suas possibilidades reais.

Na segunda parte parte da palestra, o médico mostrou como o ambiente de trabalho pode ser um dos motivos para o adoecimento mental. Entre aspectos que ele apontou, estão ambientes que apresentam carga enorme de trabalho ou cobrança excessiva; humilhação explícita e assédio moral e sexual; atividades cujos prazos de conclusão são muito curtos; exigência, por parte dos superiores, de agir fora dos padrões éticos; e organizações que fazem escolhas pelo apadrinhamento e não pela meritocracia. Segundo ele, instituições e empresas que promovem um ambiente mais interativo, apresentam algum grau de flexibilidade e possibilitam o acesso a recursos assistenciais a seus colaboradores tendem a ter menos pessoas com adoecimento mental.

Ao final, aconselhou os presentes a evitarem esse tipo de transtorno, como parar de viver a base do "ter" e administrar bem o tempo entre trabalho, família e a própria individualidade. "Trabalhar é a segunda melhor coisa da vida. A primeira fica a cargo de cada um", disse, arrancando risos e aplausos dos participantes.


(Fotos: Madson Morais)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

SINJUS PARTICIPA DE NOVO ATO EM DEFESA DA PREVIDÊNCIA

Célio Izidoro, SITRAEMG, Arthur Lobato, psicólogo, Wagner Ferreira, Sinjus-MG,
Jonas Pinheiro, diretor Sinjus-MG, José Moreira Magalhães, Economista.
Foto: SITRAEMG

Psicólogo Arthur Lobato participou do “Ato Contra Reforma da Previdência”, que foi realizado no dia 8 de fevereiro na Praça 7, no Centro de Belo Horizonte, com passeata até a Sede da Previdência Social na Av. Amazonas.

A mobilização contra a PEC 287/16, a Reforma da Previdência – que pode trazer graves impactos tanto para servidores públicos quanto para trabalhadores do setor privado – tem ganhado cada vez mais força. Nesta quarta-feira, 8/2, um ato público levou centenas de pessoas, entre entidades sindicais e servidores de diversos órgãos à Praça 7, no Centro da Capital.
A manifestação fez parte do “Ato Contra Reforma da Previdência”, que foi realizado hoje em várias cidades do País. O SINJUS participou do protesto representado pelo coordenador-geral, Wagner Ferreira, pelo diretor de Assuntos Sociais, Culturais e de Saúde, Jonas Pinheiro de Araújo, pela diretora de Aposentados e Pensionistas, Viviane Queiroz, e pelos assessores da entidade, o psicólogo Arthur Lobato, e o economista e especialista em planejamento governamental, José Moreira Magalhães. Servidores do TJMG também participaram.

Foto: SITRAEMG

Passeata
Os manifestantes seguiram em passeata até a sede da Previdência Social, na avenida Amazonas. O protesto foi reforçado com carro de som, faixas, panfletos e adesivos que traziam mensagens sobre os prejuízos que a Reforma pode trazer, caso seja aprovada.
A coordenadora da Frente Mineira e Popular em Defesa da Previdência Social, Ilva França, explicou que a população precisa ficar atenta às falácias do Governo. “Não existe rombo na Previdência. Existe é desvio de recursos e má gestão”.
Vídeo-reportagem parte 1
O SINJUS está mobilizado contra essa PEC, que afetará a maioria da população. A Reforma da Previdência deve ser amplamente debatida e discutida. É preciso que cada um faça o seu papel de levar a informação para familiares, colegas e amigos.
Por isso, diariamente, os servidores podem encontrar em nosso site notícias e estudos sobre o tema. O SINJUS também produziu uma série especial dividida em vídeo-reportagens sobre a Reforma. Convidamos especialistas para explicar quais são as principais mudanças na Previdência, os impactos que a PEC pode trazer e porque a luta é tão importante. O primeiro vídeo já está disponível na TV SINJUS. Clique aqui e confira.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Palestra: "SERJUSMIG no combate ao assédio moral"

XVIII Encontro de Delegados SERJUSMIG - 24 a 27 de novembro de 2016

Por: Arthur Lobato






Publicado em: http://site.serjusmig.org.br



Humanização no Trabalho

*por Arthur Lobato


Um dos objetivos do trabalho é inserir o ser humano no processo produtivo. Por trabalho saudável entendo aquele feito com prazer, onde há um bom relacionamento interpessoal, e condições materiais de se executar a tarefa. O trabalho é saudável quando há diálogo, escuta e respeito às opiniões de quem trabalha junto.


Como o modelo de trabalho no mundo atual visa o lucro e a produtividade através de metas absurdas, e este modelo está sendo implementado no serviço público, lutamos dentro do projeto saúde do trabalhador, por um modelo de gestão humanizado e não este modelo de gestão que trata os seres humanos como se fossem máquinas, um processo de desumanização do trabalhador reduzido a uma simples cifra, uma peça na engrenagem produtiva.

Quando propomos a humanização do trabalho, queremos entender o ser humano não só enquanto força produtiva, mas naquilo que nos diferencia dos animais: somos seres racionais. E, por racional entendo a relação entre a percepção, sentimentos, inteligência, e nossa capacidade de refletir sobre si próprio e sobre o mundo, afinal, tenho consciência que existo, tenho consciência do tempo que passa, do espaço que se modifica com o tempo, sabemos de nossa finitude e nossa necessidade de sobrevivência só pode ser conseguida através do trabalho que é composto de vários processos de relações, entre humanos e humanos, humanos e máquinas, força de trabalho e capital, entre tantos fatores.

Humanização do trabalho é uma luta do Sinjus e de todos nós trabalhadores para que instituições e empresas entendam que cada ser humano é diferente e que não somos máquinas de produção, mas seres humanos racionais e emocionais, temos consciência, razão e afetos.

Um exemplo claro da falta de humanidade no trabalho é caracterizado pela volta dos adoecidos ao local do trabalho. Suas queixas na clínica do trabalho se referem aos próprios colegas e percebemos que a solidariedade foi substituída pela individualidade, pela competitividade, o outro ausente deixa de ser humano, mas um estorvo, pois “diminuiu a produtividade do grupo”.

Somos enquanto seres humanos este amálgama de razão e emoção, antagônicos que devem ser governados pela consciência, domando e direcionado a força da razão e da emoção, os alazões que conduzem a biga/corpo, metáfora já descrita por Platão, o filósofo grego em seus diálogos, com a consciência sendo o cocheiro e a biga, o corpo. Razão e emoção os cavalos (potências) que levam a biga na direção e velocidade pretendida.


Se somos seres racionais, temos a linguagem para nos comunicar e transmitir experiências em busca de uma evolução humana e científica, e para isso precisamos de humanizar o trabalho, via diálogo, missão de todos nós.


*Arthur Lobato é psicólogo/saúde do trabalhador


Publicado em: http://www.sinjus.com.br